Resultados da Coleta da Campanha da Fraternidade

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O Padre Hedger, vigário episcopal da zona leste, veio furioso até mim na secretaria paroquial:

– Frei Rojão, isto é um absurdo! Até quando teremos de tolerar em nossa diocese o senhor espalhando cizânia e discórdia?

– O que foi desta vez, Hedger? O Grão-Mestre da tua Loja Maçônica brigou contigo? Algum menor de idade de dezessete anos musculoso te chantageou para quitar uma prestação de um Land Rover?

– Esta sua abjeta campanha de difamação da Coleta da Campanha da Fraternidade reduziu a coleta na diocese em 60% em relação ao ano passado! Todos os padres reclamaram que muito poucos doaram!

– E por que você está reclamando? D. Tersites vai ficar mal na CNBB? Para financiar reunião de CEBs? Assembléias de Pastorais livres como um taxi? ONGs esquerdistas? Sindicatos?

– Ora, 60% deste dinheiro iria para a diocese!

– Então você acha justo e nobre desviar dinheiro de coletas da Igreja para financiar doutrinação marxista só porque a diocese vai ficar com uma parte? Isso é papo de mafiosos e corruptos, pode roubar mas me dê uma parte!

– Mesmo na sua paróquia as doações foram pífias!

– Ah, tenho eu culpa de que os envelopinhos se abriram na cestinha da coleta e o dinheiro se espalhou com as doações? Mandaram eu passar os envelopinhos, eu passei, como frade obediente que sou. Mas não me mandaram apoiar que estes envelopinhos se enchessem. Talvez vocês precisassem ter aulas com o Waldomiro Diniz ou o Edir Macedo. Sinto muito, Hedger, eu não sei pedir dinheiro. Vocês são rápidos para acusar Mamón na Bolsa de Valores que não vêem, mas não falam nada do Mamón das coletas que vocês têm.

– Tenho certeza absoluta que você desviou o dinheiro dos envelopes, Rojão!

– Ah, tá, eu desviei e os sindicatos e ONGs que recebem ele não desviam… Ora, o administrador infiel ao invés de 100 odres de azeite escreveu 50 no recibo… Eu repassei o que foi dado… – e o frade não escondeu uma gostosa gargalhada de cinismo.

Hedger saiu furioso. A paróquia estava num frenesi de reformas, ao cruzar o adro da igreja, um grupo de pintores refazia a velha pintura. Na lateral, um jardineiro colocava plantas novas nos vasos. Um pedreiro consertava a calçada há muito rachada. E diante da igreja, na Praça Papa Alexandre VI, notou uma coisa estranha. Os mendigos molambentos que usualmente ficavam ali estavam mais limpos e bem vestidos, com roupas novas. Até as crianças estavam se divertindo com brinquedos simples, mas novos. Mesmo os trapos que se cobriam era cobertores novos. Parou e ficou olhando admirado com a mudança, quando ouviu a voz do Frei Clemente atrás de si

– Eu não roubei o dinheiro da coleta da Fraternidade, Hedger. Eu apenas depositei nas mãos dos banqueiros de Deus. Isso sim é fraternidade.

Fonte:freirojao.blogspot.com.br

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