Resposta Católica: A Igreja ainda aprova o uso do cilício?

A Resposta Católica•Vídeos4 anos atráspor MateusComentarEscrito por Mateus

Muitas pessoas ficaram desconcertadas ao saber que o bem-aventurado João Paulo II, mesmo depois de Papa, continuava usando o cilício. Uma propaganda anticristã tem tentado – com sucesso, diga-se de passagem – transformar este tradicional método de penitência em um “bicho de sete cabeças”, como se o uso do cilício fosse uma prática masoquista e desordenada. No filme “O Código da Vinci”, o objeto figura como um instrumento de automutilação. Sobre o Opus Dei cairia a pecha de ressuscitar em nosso tempo uma prática de tortura “supersticiosa” e “medieval”.

O uso do cilício, porém, não é uma exclusividade da prelazia fundada por São Josemaría Escrivá.Trata-se de uma prática simples e comum, de uso antiquíssimo na Igreja. Antes mesmo da Idade Média, tem-se notícia de cristãos seculares que utilizavam o cilício, de acordo com o testemunho de São Jerônimo, Santo Atanásio e São João Damasceno. Se esta prática tem sido descuidada, não é por desaprovação da Igreja, mas por uma soberba característica deste século, tão inclinado aos prazeres da carne e pouco dado às preocupações espirituais.

O cilício é um objeto que se utiliza para incomodar a pele, podendo ser constituído por tecidos ásperos, sacos de estopa ou mesmo pequenos ferros que, longe de perfurar a pele, causam certo incômodo, sendo eficazes na mortificação do sentido do tato. Este é o sentido do seu uso: a mortificação, isto é, buscar ordenar as coisas dentro de nós mesmos, já que, pelo pecado original, nossa carne corrompida quer governar a nossa alma.

São João da Cruz, em sua obra “A Subida do Monte Carmelo” (cf. livro III, capítulo XXV), indica os principais perigos que residem no gozo “encontrado pelo tato nas coisas suaves e agradáveis”:

A descrição do Doctor Mysticus é bastante dura e mostra a necessidade que se tem de mortificar os sentidos, a fim de que se ame mais perfeitamente a Deus. É através desta lente que deve ser vista a penitência corporal, seja com o uso do cilício, seja com o uso de outras formas que a alma apaixonada por Jesus encontra para se unir ao seu Amado. De fato, o cilício não é o único modo de mortificar o sentido do tato. O rezar de joelhos, bem como o uso da disciplina – uma espécie de chicote – são espécies proveitosas de penitência. São aconselhadas também formas “negativas” de mortificação, como dormir no chão, preferir uma cadeira simples a uma estofada, deixar de usar um ventilador em um dia quente etc.

É preciso ter moderação e prudência na hora de realizar estas mortificações. Alguns santos receberam de Deus a missão de fazer penitências extraordinárias, que chegavam ao derramamento do próprio sangue. Mas essas são vocações especiais. Neste caso especialíssimo, a pessoa deve estar muito segura do seu chamado divino e ser aconselhada diretamente por seu diretor espiritual, que deve ser um homem sábio, prudente e santo.

Nunca se deve perder de vista que a finalidade última de todas estas mortificações é tornar o coração dos fiéis mais próximo do Sagrado Coração de Jesus. O Papa João Paulo II, em carta enviada aos sacerdotes, no dia 16 de março de 1986, enfatizava:

Com efeito, como seremos capazes de amar, se não estivermos dispostos a pagar o preço do amor? Este não é um sentimento; é, ao contrário, entrega, sacrifício. É preciso morrer para si mesmo para viver para Deus.

Fonte:padrepauloricardo.org

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