Os riscos das redes sociais

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Os riscos das redes sociais

3 anos atráspor MateusComentarEscrito por Mateus

Como disse em outro lugar, não quero nem me cabe determinar a cada um como agir concretamente com respeito às redes sociais (Facebook, etc.). Mas, ainda que muito brevemente, quero e devo alertar a todos sobre os riscos que me parece elas implicam.

Como nunca fiz parte de nenhuma, só as tratarei a partir de dois de seus efeitos visíveis: o tempo que se perde em tais redes; o fato notório de que, muito ao contrário do que se anuncia, elas são lugar de inimizades, rixas, contendas, detrações, injúrias.

1) O mundo atual, tanto o capitalista como o comunista ou a mescla de ambos, com sua transformação das pessoas em engrenagens de uma imensa máquina de fazer dinheiro, tirou ao homem grandíssima parte do tempo de ócio, exatamente aquele em que podia viver segundo o que é superior em sua alma: aplicando-se à contemplação, sobretudo de Deus. Impediu, assim, o que para Aristóteles era a vida feliz: a bíos theoretikós (exatamente, a vida contemplativa). Que dizer então do que aconteceu à religião e suas práticas, esta mesma religião que, por virtude sobrenatural, constitui o ápice da vida contemplativa – e de que depende nada menos que a salvação eterna das almas?

Mas há mais. Já desde a revolução industrial e da Lei de Chapelier, a vida familiar pelo menos se fragilizou imensamente. O divórcio, que veio a tornar-se uma permanente espada de Dâmocles sobre sua cabeça, agravou muito a situação, e é fato que a família está hoje em franca dissolução. Mas some-se a tudo isso a televisão, por exemplo, e tem-se um quadro dramático: os cônjuges ou estão trabalhando, ou estão vendo televisão – ou, ainda, fazendo desta a baby-sitter eletrônica de seus filhos. Como pôr em ação, assim, o tear que dia a dia tece e retece a solidez da família e da criação dos filhos?

Pois somem-se agora a todo o anterior as redes sociais! O imenso tempo que se perde nelas é como a pá de cal sobre a vida contemplativa e a familiar. Em nome de quê? De um simulacro, aliás feio, da vida social autêntica e sã. Já não se trata das boas risadas que se podem dar junto com o amigo; já não se trata da conversa maravilhada no intervalo de um concerto (de música boa, é claro); já não se trata pois da vivência direta de algo a que tendemos naturalmente. Trata-se de algo como um fantasma. Com efeito, para a vida social autêntica e sã, é essencial o contato direto, o rosto amigo diante dos olhos, o enlevo sentido em comum diante do belo. Mas para o sucedâneo de vida social que são as redes sociais basta o virtual, o espectral – uma imagem de rosto, por exemplo. E por aí se vê que tais redes são tudo, menos verdadeiramente sociais.

2) E é daí que decorre o segundo efeito acima enunciado. Neste sucedâneo de “relação social” constituído pelas redes, entre tais imagens fantasmáticas que pretendem substituir-se à presença efetiva do outro, e por trás do biombo da tela do computador, é muito fácil à natureza caída do homem sentir-se todo-poderosa e, em vez de iludir-se com um espectro de relação social, passar a fazer dele um poderoso instrumento de inimizade.

Atrás desse diabólico biombo, quantos não se sentem no direito de afrontar e injuriar o outro? Não raro por “motivos nobres”: defender a religião, uma doutrina, etc. Tal nobreza, porém, muito amiúde se perde totalmente, porque aquela mesma sensação de todo-poder, como parte de algo fantasmático, acaba por logo substituir qualquer motivo nobre – e o que era nobre torna-se ignóbil. Com efeito, o exercício autêntico de qualquer poder requer, necessariamente, a posse do conhecimento que permite esse mesmo exercício. Qualquer poder é tirânico se não fundado num conhecimento o mais perfeito possível. Que se vê nada raramente, todavia, nas redes sociais? Exatamente inimizades, injúrias, detrações, etc., essas pequenas tiranias em nome da defesa de uma doutrina. Mas a defesa de uma doutrina requer conhecimento dela, o qual só se adquire por estudo. Como, contudo, encontrar tempo para tal estudo se ele é consumido por aquelas mesmas redes?

Some-se tudo o que se disse acima e ter-se-á, parece, a razão principal do triste espetáculo de inimizades, contendas, injúrias, etc., que vemos transbordar de um espaço virtual e fantasmático para o que nos resta de vida social real. Sim, porque é este um dos efeitos mais malignos das redes sociais: não só roubar à vida social autêntica grande parte do pouco tempo que lhe resta, mas empeçonhar e enfermar cada dia mais este mesmo restante.

Enviado pelo Rv. Pe. Ernesto Cardodo

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Do ORKUT ao FACEBOOK

Dom Lourenço Fleichman

Há alguns anos, após tecer algumas considerações sobre o fenômeno do Orkut, primeira “rede social” a se espalhar de modo universal, atingindo particularmente o Brasil, lancei uma campanha aconselhando ao leitor apagar sua conta naquele sistema de escravidão. Os e-mails recebidos na época indicaram cerca de 150 pessoas que tomaram a iniciativa de apagar sua conta e de escrever à Permanência comunicando este fato.

Analisando este número de corajosos leitores, considerei um resultado muito bom, diante dos meios de que dispomos e, sobretudo, diante dos motivos espirituais e civilizacionais oferecidos como incentivo para se tomar decisão aparentemente tão sofrida e difícil.

O diabo não dá ponto sem nó, como se diz, e logo surgiu fenômeno mais amplo e pernicioso do que o primeiro. Contam que o Facebook começou como um sistema de reconhecimento dos rostos dos alunos em certa universidade. Basta conhecer um pouco a natureza humana para compreender porque milhões de pessoas pelo mundo foram contaminados com a Síndrome da Bruxa Má, da Branca de Neve! “Espelho, espelho meu“. O engenhoso “crachá” eletrônico é como a “imagem da besta”, que aparece no Apocalipse. O joguete do dragão adquiriu tanto movimento que ele fala, escreve, e vai variando sua bela imagem, cativando a todos e gozando dessa imensa felicidade: “digam-me se há mais bela do que eu” Continue Lendo

Há pouco tempo eu recebi um e-mail de um leitor que dizia:

Na prática, é uma imensa fogueira de vaidades. Você posta uma opinião qualquer, aguarda ansiosamente pelos elogios e se inflama constantemente com as críticas. Cada vez que alguém aperta num botãozinho “curtir” se sente um verdadeiro deleite no Amor Próprio. Cada vez que alguém lhe critica, o Amor Próprio chora como se a mulher amada o tivesse rejeitado“.

Alguns dias antes eu já tinha recebido, de outra pessoa, pensamentos semelhantes:

Confesso que fiz muitos amigos. Mas, se por um lado me serviu de benfeitor, por outro me acorrentou em muitos pecados contra o próximo. Quantas injúrias, quantas maledicências, quantas pragas roguei contra os que eu chamava de inimigos. Tudo por motivos fúteis. E, pior, com um orgulho tão vigoroso quanto detestável. Quantos inimigos tenho hoje, sem sequer conhecê-los pessoalmente. Uma vergonha. Um ultraje ao meu batismo”.

Essas duas citações tocam nesse aspecto natural decadente dos freqüentadores do Facebook. A mesma fábrica de vaidades que assinalei nos artigos contra o Orkut foram levadas ao extremo, em crescimento exponencial, gerando uma vida falsa, duplamente falsa. Muitos daqueles que se reviram no lixo e na imundície de tantos pecados, como o leitor corajosamente denunciou de si mesmo, garantem de pés juntos, que não eram eles que escreviam e se comunicavam ali. O Orkut inventou a ideia de se forjar um “avatar”, personagem fictício, que assumia sua personalidade, num mundo livre de moral, de religião, de família e de verdade. O Facebook aperfeiçoou o mal, e convenceu seus seguidores de que no Reino do Além do Espelho Meu, podem ser livres de tudo e de todos, e nem mesmo Deus os estaria vigiando com sua Onipresença.

Como sacerdote tive a oportunidade de separar graves situações criadas nesse mundo paralelo, onde todos se dizem amigos, onde todos fingem se amar, e onde, na realidade, amam a si próprios. O Facebook é um aprendizado do Inferno.

A primeira lição dessa “escola” é a perda de toda concentração na vida das obrigações e das virtudes. A febre toma conta da pessoa e ela não consegue mais resistir à tentação de dar um pulinho no outro mundo, deixando de lado suas obrigações. Se está no computador do trabalho, passa o tempo ligado nas mensagens que vão chegando o dia todo, as quais são rapidamente respondidas, os links visitados, e o tempo devido ao trabalho remunerado pelo patrão, passa dedicado a esta vida paralela. Se a pessoa é jovem e está na escola, é pelo celular que a praga funciona. Senão durante as aulas, ao menos nos intervalos ou imediatamente ao sair da escola (nos raros casos em que a escola proíbe o celular). A boa educação já desapareceu, e esses jovens vivem de cabeça baixa olhando uma telinha, sem o mínimo respeito pelas pessoas em sua volta. Em nome da mais alta comunicação com o Reino do Espelho Meu, cortam o mínimo olhar e interesse por seus familiares e amigos do mundo real.

Não conheço nenhum usuário dessa droga que tenha vida de oração. Nunca vejo essa gente com um livro na mão, nunca ouço conversas deles que não sejam banalidades da internet. Parecem saber de tudo, conhecem a vida de todos, mergulhados que estão na curiosidade desse ócio pecaminoso, que eles se desculpam tranqüilamente. Os pecados do outro mundo não valem para o mundo de cá, de modo que todos continuam comungando sem medo do castigo de Deus. Ouçamos novamente um dos nossos leitores:

É como achar que se pode ir constantemente numa casa de tolerância e sair de lá santo. Eu mesmo sabia e, mesmo assim me peguei inúmeras vezes pensando mal daquele comunista que me fez uma provocação ou em como poderia ofender aquele outro defensor do aborto. Com o tempo, a sensação é de que o orgulho vai se inflando no mesmo passo que a alma seca. Tenho um medo sincero de haver pecado.”

Essa declaração vai no mesmo sentido deste outro desabafo:

Os bate-papos do Facebook são um desafio terrível, que pode me custar caro. Ainda não estou preparado para lidar com os homens. Preciso me retirar desse mundo virtual, o quanto possível. Preciso aprender ainda muito a viver como um bom cristão, a agir em conformidade com o meu batismo. E nada disso posso fazer se continuo me submetendo a todo esse esgoto virtual.

Em outro lugar lemos o seguinte:

As imagens e recados bonitinhos dos tradicionalistas que tenho como amigos só diferem em conteúdo dos esquerdistas mais empedernidos. Ao invés de fotos de manifestantes e intelectuais da esquerda chique com seus comentários absurdos, são imagens de S. Pio X com frases de efeitos sobre a Missa. Na forma, são iguais. Na intenção e no sentimento também. Todo mundo só quer uma curtida, um compartilhamento. Um afago no Amor Próprio. Todo mundo se ofende enormemente quando provocado. Todo mundo acha que está com a Razão. No final, só o Diabo que ri.

Além dessa questão da troca de mensagens, da conexão em tempo real da sua vida, vulgarmente “compartilhada” com um mundo de gente, muitas delas desconhecidas, invadiu a cabeça das pessoas a troca de fotos de si próprio. E como a vida moral não faz parte da vida bruxa da imagem da besta, as pessoas vão postando fotos as mais à vontade, sem nenhuma preocupação com um mínimo de compostura, de pudor, ou de modéstia. Essa questão, na verdade, não entra muito na minha cabeça: como as pessoas perderam a noção básica do feio, do esculachado, da vergonha. Estão tão mergulhados nos critérios do Espelho Meu, que não percebem que na vida real, onde pecado é ofensa e Inferno queima, nossos atos têm conseqüências morais, e deverão ser pagos com os critérios da natureza e com a Santa Lei de Deus. A multiplicação de suas fotos, mostrando mil Facetas da sua cara linda é outro indício da finalidade insana desse maldito Book.

Outro dia um conhecido meu resolveu contar o tempo que levava no Facebook, esforçando-se para manter o mesmo ritmo de sempre. Eis a conclusão:

Calculei, por baixo, que a overdose dessa semana deve ter custado umas 8h da minha vida, “estrategicamente” divididas em acessos aparentemente curtos que, se somados, configuram um turno inteiro de trabalho. E não creio que tenha mexido particularmente mais que a média das pessoas que conheço.

Não deixa de ter certa graça o modo como ele encerrou a auto-pesquisa que se impôs:

De repente, dei por mim da armadilha, e selecionei a opção de excluir permanentemente. Segui todas as instruções e ainda me deparei com uma mensagem que dizia que minha conta seria eliminada em 14 dias, durante os quais teria toda a possibilidade de voltar atrás nesse ato tão impensado e perigoso. 14 dias com o Amor Próprio agonizando. Nem para encerrar conta de banco precisa de tanto.”

Tenho para mim que o pecado no qual os católicos estão incorrendo não é o fato de terem uma conta no Facebook, no Instagram ou coisa parecida. O pecado da vaidade e o orgulho da vida são excitados ao extremo por uma ferramenta que tem a aparência de coisa boa, neutra, isenta de mal. Mais uma vez vemos essa máquina infernal, qual epidemia universal, derrubar a todos, em todos os lugares, em todas as famílias, formando uma civilização contrária em tudo ao Cristianismo. A Civilização do Anti-Cristo, que está dominando a humanidade inteira através de uma ferramenta auto-eficiente, que uma vez usada, não precisa de outra orientação senão a do amor-próprio. É altamente enganador, é genial, é diabólico.

Acredite, leitor: é possível viver sem ele. Há outros meios de comunicação virtual que seguem ritmo menos febril e que diminuem muito o impacto da vaidade. É bom darmos tempo antes de recebermos uma resposta, antes de respondermos a uma mensagem, sobretudo quando se trata de alguma discórdia ou opinião contrária. Quanto mais o mundo se agita em coisas vãs, mais necessária se faz a sabedoria que nos faz refletir antes de falar, que nos leva a desprezar os bens desse mundo louco, e que nos conduzem a leituras bem mais interessantes e duráveis do que o rasteiro mundo do Facebook.

Como buscarei na Terra outro olhar senão o Vosso, Senhor? Como poderei eu, buscar um livro inteiro de rostos vazios, mãos geladas de cadáveres virtuais, se para tanto tiver de afastar de minh´alma a Vossa Santa Face! “Vultum tuum Domine, requiram – a Vossa Face, Senhor, buscarei”. Porque é disso que se trata: quem multiplica rostos no Facebook, silencia seu coração do diálogo de amor que mantemos com Jesus Cristo: “Tibi dixit cor meum – O meu coração falou a Vós, os meus olhos vos procuraram, hei de buscar Vosso Rosto, Senhor; não aparteis de mim a Vossa Face!”(Sl.26,8)

Comece logo sua trezena de preparação para apagar o Facebook. Durante 13 dias o combate será rude, as tentações de toda sorte serão lançadas, como mísseis, contra a alma corajosa. O escudo da Fé, a couraça da fidelidade, abaterão os dardos inflamados do inimigo. No décimo-quarto dia, nascerá o sol num dia real, o Espelho Meu se quebrará, e você, caro leitor, poderá restaurar sua verdadeira personalidade.

Fonte:http://permanencia.org.br/drupal/node/3726

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