O vento de Pequim sopra sobre as Franciscanas da Imaculada.

  • O vento de Pequim sopra sobre as Franciscanas da Imaculada. Data da Postagem: 3 jun 2014 | Autor: Mateus | Comentários: 1 comentário
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    Por Mauro Faverzani | Tradução: Fratres in Unum.com – Então, por ordem do Cardeal João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada, a Sóror Fernanda Barbiero, do Instituto das Irmãs Mestras de Santa Doroteia, é a nova “visitante”, aliás “normalizadora”, das Franciscanas da Imaculada.

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    Escolha de si bastante bizarra, pois a neocomissaria nada tem em comum com o seu carisma. Ao menos com o ramo masculino da Família religiosa fundada pelo Padre Manelli se teve a clarividência de escolher um capuchinho, o Padre Fidenzio Volpi. O papel da Irmã Barbiero é comparável ao do remédio administrado a um paciente saudável: não se entende o motivo. Além do risco de provocar danos, cada remédio tem sempre suas contra-indicações, muitas vezes pesadas, quando receitado sem razão.

    Mas quem é a Irmã Fernanda Barbiero? Algum elemento inicial pode ser obtido em seu discurso intitulado A Religiosa na Igreja, feito em 28 de janeiro de 2012 numa reunião do USMI e do CISM. É contundente a explícita convocação que ela faz na IV Conferência Mundial das Nações Unidas, realizada em 1995 em Pequim. A Irmã Barbiero define com injustificada ênfase a tal Conferência como “a grande transformação”, o primeiro passo das mulheres rumo à “ascensão ao poder”, a uma espécie de “cidadania” nos âmbitos “social, político, econômico, eclesial e acadêmico”.

    Na realidade, [a Conferência de] Pequim não foi senão o tapete para injetar na sociedade mundial o venenoso e enganador conceito de “gênero”, ideologicamente, capciosamente e falsamente entendido como sinônimo de “identidade sexual cultural”, promovendo assim uma completa liberdade de escolha de “orientação”. Pequim de 1995 foi a raiz dos males contemporâneos: na segunda versão do documento preparatório, o termo “gênero” aparece em quase todos os parágrafos.

    Por outro lado, registra-se a total ausência de referências à maternidade e ao papel da mulher e do marido: tudo já vem projetado para além dos conceitos de “homem” e de “mulher”, impondo de fato o conceito de gênero e de identidade de gênero a todas as políticas das Nações Unidas. Um desastre.

    Tanto que, logo após a Conferência, a própria Santa Sé se sentiu no dever de fazer alguns esclarecimentos e retificações através de um documento intitulado Reservas e declarações interpretativas (curiosamente ainda disponível no site do Vaticano apenas em espanhol), no qual critica fortemente a “Plataforma de Ação” de Pequim, por atentar contra a família fundada no matrimônio, ocultar o aborto, a homossexualidade e a contracepção por detrás de subterfúgios como “saúde reprodutiva”, “saúde sexual”, “direitos reprodutivos”, “planejamento familiar”, “regulamento da fertilidade”, todos julgados pela Santa Sé como “moralmente inaceitáveis”.

    No texto vaticano se reafirma a total e convicta desaprovação de qualquer “forma da legislação que dê reconhecimento jurídico ao aborto”, pedindo para incluir tais “reservas” no relatório final da cúpula de Pequim. Agora, que a Irmã Barbiero não encontre nada de melhor do que indicar precisamente a tal devastadora Conferência como um ponto de referência fundamental, representa um passo em falso enganoso, errado e realmente preocupante.

    À Irmã Fernanda Barbiero também agrada a “Igreja da Misericórdia”, como se deduz do editorial assinado por ela em 26 de janeiro sobre “Consagração e Serviço”, inspirado no livro dedicado a este assunto pelo Cardeal Kasper no discutido relatório de abertura do Consistório sobre a Família. Escreve uma incontenível Irmã Barbiero: “A sinfonia da misericórdia de Deus ressoa em toda a Escritura”, a ponto de defini-la até como “o princípio fundamental da ação de Deus”, o “núcleo essencial do Evangelho”, em uma apoteose que vai até a exortação final: “Misericórdia, portanto!”.

    Sem colocar balizas, sem fazer distinção, sem reservas, o que seja, mesmo arriscando mudar – e de modo substancial – as regras do jogo, substituindo por uma sociologia imanente a fé transcendente. De resto, segundo a agência “Adnkronos”, já em 1998 a Irmã Barbiero, então chefe do Instituto Pontifício Regina Mundi, reivindicou uma não melhor especificada “reforma abrangente” da vida religiosa feminina, para solicitar às irmãs “a empreender um caminho de libertação”, com uma terminologia mais do velho feminismo dos anos sessenta do que de convento.

    Na citada intervenção de 2012 retomou mais ou menos o mesmo mantra, colocando a vida religiosa em conexão sociológica com a “questão feminina”, e dizendo-o no meio de uma “difícil transição inacabada”, confirmando assim uma imagem de alienação, de frustração, de malogrado desconforto, muito distante da plenitude espiritual e da serenidade interior próprias das Franciscanas da Imaculada, que não precisam nem jamais pediram qualquer forma de “emancipação” ideológica. Se ao menos as deixassem viver. E sobretudo rezar.

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