O Papa se cala, mas seus amigos cardeais falam. E acusam.

Notícias•Vaticano7 meses atráspor Amor MarianoComentarEscrito por Amor Mariano

O prefeito do novo dicastério para a família ataca o Arcebispo de Filadélfia, Charles J. Chaput, pelo modo como ele implementa a “Amoris Laetitia” em sua diocese. Eis as diretrizes que acabaram sob julgamento.

Nenhuma palavra saiu da boca do Papa Francisco depois que quatro cardeais pediram-lhe publicamente para desmantelar cinco grandes “dúvidas” suscitadas pelas passagens mais controversas da “Amoris laetitia”

Ou melhor, uma não-resposta foi o que o papa deu, quando em uma entrevista a Stefania Falasca para o jornal da Conferência Episcopal Italiana “Avvenire”, em 18 de novembro, a um certo ponto ele disse, falando com intimidade à sua amiga de longa data:

E uma outra não-resposta foi dada na audiência geral da quarta-feira, 23 de novembro, dedicada exatamente à obra de misericórdia: “aconselhar os duvidosos”:

Em compensação, meteram-se a falar no lugar do papa não poucos eclesiásticos de seu círculo, que competem entre si para dizer que a exortação pós-sinodal “Amoris laetitia” é por si só claríssima e não pode dar lugar a dúvidas e, portanto, quem levanta tais dúvidas, na realidade, ataca o papa e desobedece ao seu magistério.

E entre esses loquazes enviados, particularmente, tem se destacado o cardeal Christoph Schönborn, o qual já foi várias vezes citado publicamente pelo Papa Francisco como seu intérprete autorizado e primeiro guardião da doutrina da Igreja, ignorando o Cardeal Gerhard L. Müller, cujo papel como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé foi agora reduzido a um mero título honorário.

Mas, o mais incontinente foi outro cardeal, fresquinho no cardinalato, o americano Kevin J. Farrell, que disse em uma entrevista ao “National Catholic Reporter”:

Portanto, engana-se quem acha que Francisco irá ainda intervir. “Eu acho que o papa já falou o suficiente” – acrescentou Farrell – quando, em 5 de setembro, deu a sua aprovação para a exegese de “Amoris laetitia” feita pelos bispos Argentinos da região de Buenos Aires, segundo a qual é possível aos divorciados novamente casados no civil receberem a comunhão, ainda que continuem a viver “more uxório”, ou seja, “como marido e mulher”.

Farrell foi feito cardeal pelo Papa Jorge Mario Bergoglio no consistório de 19 de novembro passado. E desde agosto do ano passado é prefeito do novo dicastério Vaticano para os leigos, família e vida.

É, portanto, um dos novos rostos da nova Cúria de papa Francisco. Uma cúria que – é repetido várias vezes – não deve atropelar, mas promover a multiforme “criatividade” de cada Bispo na respectiva diocese.

Mas, na verdade, está acontecendo o oposto. Em outra entrevista – desta vez ao “Catholic News Service”, a agência da Conferência Episcopal dos Estados Unidos – Farrell não pensou duas vezes para atacar “ad personam” um bispo ilustre e seu compatriota, cuja “culpa” teria sido apenas aquela de oferecer à sua diocese as diretrizes para a implementação de “Amoris Laetitia”, as quais, obviamente, não agradaram ao próprio Farrell.

O agredido não é um desconhecido. Trata-se de Charles J. Chaput, Arcebispo de Filadélfia, a cidade que em 2015 sediou o Encontro Mundial das Famílias em que o Papa Francisco fez visita (ver foto).

Chaput é um franciscano e o primeiro bispo dos Estados Unidos oriundo de uma tribo nativa americana. A pastoral da família é uma de suas competências mais reconhecida. Ele participou no Sínodo sobre a família e no final de sua segunda e última sessão foi eleito por um grande número de votos entre os doze membros do conselho de cardeais e bispos que fazem ponte entre um Sínodo e o outro.

De acordo com Farrell, no entanto, ele cometeu o delito de ter ditado aos seus sacerdotes e fiéis diretrizes “fechadas”, ao invés de “abertas”, como Papa Francisco quer.

“Eu não compartilho do sentido que o Arcebispo Chaput deu”, disse o novo prefeito da pastoral do Vaticano para a família.

Chaput reagiu ao incrível ataque com uma contra-entrevista ao “Catholic News Service”, reproduzida na íntegra no Italiano e Inglês neste post de “Setimo Cielo”:

Mas o que interessa agora é verificar de perto o assunto do litígio, ou seja, as orientações oferecidas por Chaput à sua Arquidiocese de Filadélfia.

Elas são reproduzidas no link abaixo. Estas sim, bem claras e sem sombra de dúvida.

> Diretrizes pastorais para implementação de Amoris Laetitia – Arquidiocese de Filadélfia

É fácil notar que as orientações da Arquidiocese de Filadélfia são semelhantes àquelas ditadas pelo Cardeal Ennio Antonelli aos sacerdotes da Arquidiocese de Florença, divulgadas em outubro passado em :

> Em Roma, sim, em Florença não. Eis como “Amoris laetitia” divide a Igreja.

O Cardeal Antonelli foi arcebispo de Florença entre 2001-2008 e depois, por quatro anos, prefeito do Pontifício Conselho para a Família, quando foi substituído em 2012 por Dom Vincenzo Paglia e este ano pelo novo cardeal Farrell, no novo ministério expandido.

Também a ele é reconhecida uma competência indiscutível no assunto. Mas, não obstante tudo isso, o Papa Francisco não o chamou para participar do duplo Sínodo sobre a família.

Três meses após a publicação de “Amoris laetitia”, até mesmo Antonelli disse que estava “à espera de orientação com autoridade desejável” do papa, que esclarecesse os pontos obscuros da Exortação. Portanto, bem antes que viessem à tona os quatro cardeais com suas cinco “dubia”.

Mas, também a expectativa de Antonelli foi respondida pelo Papa Francisco apenas com o silêncio. Bem como às expectativas de muitos outros cardeais e bispos, que de modo reservado lhe dirigiram e continuam a dirigir apelos semelhantes, movidos por uma crescente preocupação com a confusão prevalecente em toda a Igreja, tanto na fé como nas obras.

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Fonte: fratresinunum.com

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