O estado da Igreja no Velho Mundo (Europa)

  • O estado da Igreja no Velho Mundo (Europa) Data da Postagem: 6 mar 2013 | Autor: Mateus | Comentários: 1 comentário
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    Igreja abandonada na França.

    Fratres in Unum.com – O fruto dos vendavais semeados nas décadas de 60 e 70 pelo clero francês e irrigados abundantemente pela Conferência Episcopal Francesa está sendo amargamente colhido nesses últimos anos pelo mesmo clero sob forma de uma desastrosa tempestade de baixa inédita de vocações sacerdotais, extinção de conventos, mosteiros e seminários, frequência mínima dos ofícios garantida pelos mesmos velhos fiéis que freqüentavam o catecismo infantil nas épocas de Pio XI e Pio XII, sem falar dos tantos padres que deixam tudo e dos muitos outros que são convocados por Deus ao seu tribunal.

    Em maio de 2010, ouvi o bispo de Chartres dizer que desde o início de seu episcopado naquela diocese, em 2006, ele havia ordenado 4 sacerdotes e enterrado 29. A situação é realmente desoladora! O historiador que se inclinar sobre esse período dentro de cem ou cento e cinqüenta anos talvez o fará tentando resolver uma questão: por que o clero, mesmo tendo diante dos olhos a ruína do edifício da Fé e de tudo que fora solidamente construído pela Igreja em dois mil anos de história, não mudou de direção e insistiu e avançou orgulhosamente num caminho cujo fim era um precipício?

    O desastre é tão grande e o estrago feito por aqueles que deixaram de catequizar e transmitir o que a Igreja sempre transmitiu é tão sério que alguns não acreditam na sua reversibilidade. Uma das provas é a de que o episcopado francês trabalha há algum tempo com a possibilidade, e em muitos casos mesmo com a realidade, de ter que adaptar dioceses e províncias inteiras a subsistir com número reduzidíssimo de padres, quer dizer: num futuro próximo, alguns poucos padres se encarregarão apenas de celebrar algumas missas e enviar o Santíssimo Sacramento para as diversas paróquias; já os fiéis leigos, ao menos os que sobrarem, se encarregarão de todo o resto. Os bispos das dioceses que serão reduzidas umas às outras delegarão quase todo o serviço aos leigos. Eis o motivo de sua preocupação atual em formá-los, para que estes possam substituir o clero nas mais diversas funções e sacramentos. Guardadas as devidas proporções, veremos um conjunto de dioceses sem clero, mais ou menos como a federação protestante e suas milhares de dissidências experimenta há uns quase 500 anos. Talvez quando chegarmos nesse estado, compreenderemos o que quer realmente dizer a expressão ambígua « subsistit in », da constituição dogmática Lumen Gentium. Veremos uma parte da Igreja que apenas subsiste, sobrevive quase asfixiada.

    É como se estivéssemos nos suicidando para pôr Deus à prova e ver se Ele nos ressuscitaria depois. Isso é apenas uma metáfora, uma ideia que revela algo não muito difícil de se constatar: o ato de extremo orgulho e impiedade, como que um querer coagir Deus pela sua promessa de misericórdia e de Eterna Aliança deixando que a Igreja se esmigalhe. Em muitos casos, trata-se de uma concepção esquizofrênica segundo a qual o avançar ou recuar da Igreja independe da ação do seu clero, mas varia segundo um sentimento social comum. Desse modo o « ide e ensinai a todas as nações » é posto na gaveta do politicamente incorreto e a transmissão da fé, dos preceitos, dos valores fica a cargo do Espírito Santo, como se Ele agisse magicamente. Estamos diante de uma nova face da religião completamente desencarnada! Conheci freiras de alguns conventos moribundos cuja única atividade era o auxílio aos maometanos imigrantes a bem se adaptarem do ponto de vista administrativo, com vistos e documentos legais. Nem é preciso dizer que elas jamais ousaram falar de Jesus Cristo àquelas muitas mulheres de burca. Aliás, é impossível saber que as freiras são freiras sem perguntar.

    Isso revela igualmente um outro grave problema, o do relativismo e do indiferentismo religioso. Eles acreditam – e isso revela realmente um fideísmo mais que cego – no ecumenismo com os protestantes e no diálogo inter-religioso. Ora, para que haja um dialogo é necessário que as duas partes partam de princípios filosófico-religiosos comuns, com termos cabais por ambas aceitos. Só então se poderá estabelecer realmente o que chamamos de diálogo, no qual a troca de idéias e julgamentos permitirá uma conclusão amistosa e enriquecedora para todos no final. Sabemos que isso não é mais possível nem mesmo dentro da nossa própria casa, a Santa Igreja Católica. O que se vê comumente são monólogos proferidos num mesmo recinto à guisa de diálogo: enquanto um fala do amor e da partilha e respeito às consciências individuais, o outro discursa sobre a futura vinda de um messias ou sobre a autenticidade das profecias de Maomé. Para uma grande parte do clero, os ensinamentos marcados pela Igreja com o selo da verdade e incorruptibilidade, o que com consistência pode alimentar a fé e o espírito de todo homem em todas as épocas, não é mais admissível. Para essa mesma parte do clero, é como se o homem tivesse evoluído demais para tolerar todo um conjunto doutrinário obsoleto que não deixaria espaço para a expressão das liberdades individuais. No entanto, o que vemos é que o homem contemporâneo, desamparado, parece ter avançado tanto na busca de técnicas e idéias novas para descobrir o que ele é, que se inclinou sobre si mesmo e já não vê nada além do seu próprio umbigo. O hegelianismo, o existencialismo e a fenomenologia se imiscuíram de tal forma na teologia e criaram uma Babel, onde tantos teólogos, reclamando o nome de católicos, se arvoram em fundadores de uma concepção cristológico-sócio-humanista da fé do apóstolo São Pedro. Variada e múltipla seja essa concepção, esses teólogos católicos estão quase todos de acordo ao dizer que todas aquelas interpretações são válidas; conclusão: cada um cria seu deus à sua própria imagem. Depois esses mesmos teólogos se reúnem hipocritamente com « agentes de pastorais » para tentar trazer esclarecimentos sobre o individualismo presente na sociedade contemporânea e a implicação disso no domínio da fé, que fez da prática religiosa algo subalterno e subjacente às culturas dos muitos grupos que compõem a sociedade. O clero quis ser outra coisa abandonando sua identidade e, hoje, o que vemos é uma humanidade que, privada de seus pastores e do remédio espiritual que Nosso Senhor Jesus Cristo confiou à Igreja, se afunda mais e mais no abismo de suas patologias, evidenciando o pecado original e deixando o mundo cada vez mais distante de um paraíso.

    E o amado papa Bento XVI deixa o seu pontificado tendo aberto o Ano da Fé. Que visão!

    O que eu tenho observado na postura, idéias e agir do clero francês é o sentimento de que a sociedade européia dita católica chegou a um tal alto grau de esclarecimento de sua consciência, que ela se permite e se concede, quando não se acha mesmo no dever, descer ao nível de tudo o que não seja católico para « dialogar », para « partilhar », para « acolher » o ponto de vista e o mundo de outrem, de quem quer que seja, o que quer que seja. Entretanto, nessa postura é preciso sublinhar que o ato de descer só pode traduzir, na verdade e em última análise, um orgulho tal e tal sentimento de superioridade mascarados, que não se poderia não os classificar como doentios. Mascarados porque eles se arrogam uma postura de humildade, mas o que há realmente é o orgulho. Um orgulho que impulsiona ao extremo da temeridade. Nem é preciso dizer que a essa altura a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo já foi completamente desdenhada, espezinhada.

    Eu conheci há poucos dias, num carmelo no fundo do nordeste da França, num lugar afastado chamado La Fontaine-Olive, uma carmelita parisiense de 85 anos. Era a imagem da desolação e do abandono espiritual de muitos. Ela contou, tentando dissimular a tristeza, que passava até quinze dias sem missa. Confissão então era coisa rara e quando tinha era um diálogo « de cristão para cristã » com o padre que « vivia a eucaristia » no seu carmelo semanalmente, sempre ocupado em reuniões filantrópicas em suas mui numerosas paróquias (cada uma com meia dúzia de fiéis pingados, obviamente). Olhando para aqueles cabelos brancos e aqueles olhos azuis tristes e rodeados de rugas de sofrimento e desolação, jamais se diria que eles escondem pecado, mas só Deus é quem conhece aquela alma desamparada. Quando eu deixei a velha carmelita, chorei. A vida daquela mulher, que há mais de 60 anos escolheu passar seus dias contemplando Jesus Cristo, é um fiasco espiritual! Claro que depois de 15 dias sem missa, as carmelitas não podiam consumir a última hóstia do cibório para guardar ao menos a presença real. Perguntei a Deus até quando Ele vai nos deixar nessa situação… Precisamos de um Bento XVII, um papa que siga o trabalho de Bento XVI pelo triunfo da Igreja e bem da humanidade, duas coisas que não existem separadas.

    Entre aqueles que sobreviveram ao massacre da fé e mantiveram-se fiéis ao que a Igreja sempre foi e é, olhares esperançosos se voltam para os institutos subordinados à Comissão Ecclesia Dei, mas estes, mesmo jovens e aparentemente bem providos em número, têm uma representação ínfima no contexto europeu. No seminário de Wigratzbad, da Fraternidade Sacerdotal São Pedro, acham-se uns 80 seminaristas, todavia de 15 ou 16 nacionalidades. O seminário do Instituto do Bom Pastor, com seus mais ou menos 25 seminaristas, tem uma maioria de brasileiros, quase todos originários de São Paulo. Há padres de batina prontos para assumirem as paróquias sem padre, mas os bispos não querem. Suas vidas resumiram-se em aplicar o Vaticano II (muito longe do texto como é sabido), e agora que não lhes resta muito tempo, veem que tudo foi um fiasco, mas não querem ceder: é o orgulho derradeiro cujos efeitos ainda causarão estragos. Esses mesmos bispos acreditam numa mudança a longo prazo, para eles o Vaticano II foi o fogo que consumiu a velha fênix e agora a nova começa a ressurgir dentre as brasas sacudindo as cinzas, mas para eles, que se desculpam diante de si mesmos, só será a fênix em sua plenitude daqui algumas décadas ou século. Ora, isso é falso. Essa fênix que é a Igreja ressurgiu das cinzas no Concílio de Nicéia, na Renascença Carolíngia, na Reforma Gregoriana, no Sacrossanto Concílio Ecumênico de Trento, sempre bela e imortal, jamais desfigurada. Há padres diocesanos com número exorbitante de paróquias, outros saem do asilo de idosos para celebrar missas de exéquias de vez em quando. Muito da atividade pastoral já é feito por leigos. Mas os padres tradicionais, cheios de entusiasmo e juventude, são muito dificilmente tolerados pelo clero diocesano. Eu imagino como pode ser desconcertante e até doloroso para um bispo de 80 anos que usa terno e gravata ver um seminarista de 20 em batina. Mas isso ainda é pouco diante do que há para se fazer e não demonstra nada além de uma possibilidade de restauração; e assim, poderíamos dizer que a fênix, bem desmantelada como a constatamos, ainda não se ateou – ao menos não nos últimos 50 anos – o verdadeiro Fogo que desceu sobre os apóstolos a si mesma para ressurgir sempre bela e imortal.

    Logo de sua eleição, quando o Cardeal Ratzinger tomou para si o nome Bento, muitos disseram que era uma homenagem a Bento XV, que teve um papel importante durante a I Guerra. Contudo, o nome Bento nos remete sempre a São Bento de Núrsia, patrono principal da Europa, o monge beneditino que através de seus milhares de filhos fundou os alicerces e delineou o rosto da cristandade européia. Ora, Bento XVI conhecia muito bem o estado de degradação da fé no velho continente, nesse caso a escolha do nome do Patrono da Europa é mais que emblemático. Não que ele se voltasse apenas para essa parte do mundo como seus detratores quiseram sugerir, mas porque sabe que tendo a Europa levado a fé e parte de sua cultura ao mundo todo, tudo o que acontece aqui repercute necessariamente nos outros cantos do planeta. Pergunto-me o que aconteceria nos outros continentes se aqui, onde se situa a sacrossanta cátedra de São Pedro, a fé naufragasse ?

    O islã, sempre crescente, é a religião mais praticada na França. Será normal uma cidade de 35 mil habitantes nos alpes franceses ter cinco mesquitas? E isso é apenas um exemplo muito genérico. Não vou me alongar sobre o islã, cuja penetração na Europa é assunto mais que conhecido.

    Os bispos do Brasil de hoje, que nos anos 60, 70 e mesmo 80 foram tolamente deslumbrados pelo clima de exacerbada euforia da mudança na Europa, e que estudavam em seminários e universidades em Roma, Paris e na Alemanha naquela época, precisam refletir e rezar bastante para julgar se devem realmente continuar com seus projetos, normalmente emprestados e adaptados das conferências episcopais do velho mundo, que poderão resultar numa configuração bem semelhante à européia: um conjunto de dioceses diminuído e decrépito que não sabe mais qual é seu verdadeiro rosto. Tal como se nos dá a ver pelos atuais resultados, essa « evangelização » empreendida pela CNBB há algumas décadas nos fará chegar ao mesmo estado constatado na França, sobretudo no Benelux, na Inglaterra, na Alemanha (com exceção da marial Baviera). Espanha e Itália não estão longe da catástrofe. A única mais ou menos ilesa até agora é a Polônia, onde a fé católica se tornara parte da identidade nacional durante o período de domínio soviético russo. Exemplo que não podemos tomar para nós, visto que a fé católica já não faz mais ou muito pouco parte da identidade nacional brasileira. Os dinossauros marxistas, como sempre, alegariam que foram o desenvolvimento econômico e a riqueza da Europa os responsáveis por sua apostasia (fala-se hoje de 90% de ateus na Europa), mas o que se nota é que o problema vem da própria Igreja, independente da situação econômica dos países. Creio desnecessário dizer que na Escandinávia, outrora da fé de Lutero, o « cristianismo » é mais um folclore reservado à intimidade de cada um. Eis o estado das coisas ao redor da Roma Eterna e da sede que está vaga desde as 20 horas do último dia 28. Calamidades às quais o sucessor de Bento XVI não poderá se furtar.

    No Brasil, a CNBB « está engajada e caminhando lado a lado ». Já temos, no entanto, uma idéia da direção que segue e aonde chegará!

    Fonte: Fratres in Unum.com

    COMENTÁRIO DE ARNALDO HAAS – www.recadosaarao.com.br

    Esta é uma constatação que simplesmente não pode ser refutada. Naturalmente que são muitos os caminhos que desembocaram neste mesmo abismo. Mas sem dúvida alguma o processo se acelerou com o advento do Concílio Vaticano II, e quem nega isso, ou é conivente com a destruição da Igreja, ou simplesmente um cego conveniente, daqueles que andam como zumbis teológicos ufanos, fiados nas próprias inteligências e em seus “infalíveis” conhecimentos sobre Deus. Ó como existem destas libélulas voadoras, que não percebem a presença astuta dos predadores, a sanha voraz dos demolidores de Igreja.

    Como é que o mundo católico pode chegar a este estado de desgraça? Claro que se trata de um processo milenar, pelo menos dos dois últimos séculos, quando por permissão do Céu o dragão infernal foi solto, para atormentar as nações, fustigar os povos e conduzir as pessoas para o caminho do erro, aquele que leva para longe de Deus. O primeiro grande golpe que ele deu na humanidade, foi fazer crer que ele não existe, tampouco o pecado, e que se um Deus existe deve ser um bonachão qualquer, abismado na própria misericórdia, e cego para também sua justiça. Quem terá forças de mudar estes falsos conceitos em nossa Igreja?

    Nos últimos dias eu li dezenas de artigos dos nossos eminentes cardeais, inclusive alguns “papáveis” ou com direito de eleger o novo papa, mas acreditem, não achei um só onde se podia ler a letra do Espírito Santo, onde se achava o rastro da caneta de Deus. Tudo são obras frias, vazias, são entrevistas apenas humanas, rompantes humanos, e não de luminares que deveriam entender do momento presente, para assim poderem escolher com perfeição. Eles se fiam naquela lenda de que tudo ali é conduzido pelo Espírito Santo, e que eles, porque são entendidos, não podem e não irão errar.

    Mas um artigo de um leigo trazia a frase que eu buscava: em muitas das eleições de Papas em nossa história, o Espírito Santo chegou tarde. Quer dizer, Ele não foi devidamente invocado com profundo sentimento de entrega, através de mortificações e súplicas pungentes, para que de fato, purificados de todo mundanismo, os eleitores pudessem perceber a luz que conduziria ao eleito de Deus. Significa dizer que, quando nestas eleições os cardeais perceberam o erro, já era tarde. Haviam escolhido errado!

    Temos visto centenas de fotos do local do conclave, e nos dizem que acontecem ali debates, e que o principal diz respeito às exigências de alguns cardeais, para que seja divulgado, ou pelo menos mostrado a deles, os documentos que falam do escândalo na Igreja, conforme relatório de três eminentes bispos. Querem saber o que está no relatório, para não errarem na votação. Adiantaria?

    Neste momento de extrema gravidade, a resposta é: não! De nada adianta saberem o que contém os tais documentos, primeiro porque há um ano que isso foi levantado e eles já poderiam ter se inteirado do assunto, e segundo porque agora não é hora de outra coisa que não seja de oração. O primeiro ato de todos aqueles cardeais, a quem é conferida tamanha responsabilidade, seria partirem para uma confissão sacramental profunda, para estarem todos em estado de graça santificante e assim, isolados do mundo, poderem ser receptáculos do dom do Entendimento, aquele que lhes faria perceber a luz refletida pelo escolhido dos céus. Seria uma fácil e perfeita escolha!

    Mas que vemos? Centenas de traseiros muito comodamente sentados em poltronas, sem se ver um só deles, de joelhos fincados ao solo, esta a única forma de vencer os inimigos que, dentro da mesma sala, como lobos disfarçados em pele de cordeiro, tramam exatamente o contrário daquilo que Deus quer. Num caso assim, e diante deste descaso para com Deus, o mais provável é que eles errem na escolha, e ela recaia sobre falsas luzes, e seria quando, mais uma vez, o Espírito Santo chegaria tarde num conclave. Quando chegasse, o mal já teria acontecido. Qualquer cardeal daqueles eleitores, que não estiver em perfeito estado de graça na hora da eleição, poderá ser enganado facilmente, na hora da escolha, pois estará sob a ação do inimigo, não de Deus.

    Penso que com um pouco de paciência, poderemos encontrar hoje, desde os séculos passados até hoje em dia, centenas de profecias, de diferentes fontes, aprovadas pela Igreja ou não, que nos avisam da proximidade de uma grande encruzilhada. Nos últimos dois séculos a humanidade foi preparada pelo inimigo, para um ato de suprema rebeldia – o da negação de Deus – exatamente como ele fez no passado obscuro dos milênios. Hoje o que inflama o peito e explode na garganta da maioria do povo, óbvio também dos católicos, é um grito de mudança, um forte apelo para que a Igreja abrace o mundo dos homens, e quebre o pacto de eternidade que tem com Deus. Os homens querem romper sua aliança com seu Criador!

    Há uma estrada asfaltada hoje, com dezenas de pistas de ida, e por ela caminha hoje esta pobre e cega humanidade. Conduzida por seus pastoes! Para frente ela parece não ter fim, é reta, larga, florida e bem sinalizada, digo “parece”, porque na verdade é uma miragem: num dado momento a multidão perceberá que não tem mais estrada, apenas um abismo. E como todos seguem num tropel de gado cego e desenfreado, milhares de milhares serão empurrados para o abismo. Poucos, muito poucos são os que percebem o perigo, e que notam que aquela é a “porta larga”, e que não devem seguir por ali. Não é aprovando todos os desvarios do homem, que se chegará um dia à felicidade na Igreja, nem jamais à pátria eterna. O caminho para lá é estreito, cheio de curvas, crivado de pedras pontiagudas e cheio de veredas enganosas.

    Nas entrevistas de muitos cardeais, infelizmente se lê o indicativo da porta larga. Eles querem um papa jovial, comunicativo, que saiba levar Jesus às multidões e que consiga fazer as reformas, especialmente na Cúria, para poder bem guiar a Igreja. Entretanto, neste clima de distância do Espírito Santo, se eu tivesse que apostar uma ficha, diria que eles terão mesmo este jovial senhor, bem falante e muito bem fisicamente, que num primeiro momento deverá conquistar o mundo católico, mas aos poucos, malignamente tentará empurrar toda a Igreja para aquele abismo, que a miragem tremulante do horizonte esconde. E virá aquele cisma tantas mil vezes profetizado, aquela apostasia final prevista nas Sagradas Escrituras.

    Óbvio que Deus pode mudar tudo num momento. Ele pode na última hora reverter este jogo, se for esta a Sua Vontade. O que não pode é os eleitores se julgarem acima do erro, ou que não deixarão acontecer a eleição de alguém, muito bem preparado, de um lobo disfarçado de ovelha, que foi preparado pelo inimigo, não pelo Espírito Santo. Isso terá que acontecer um dia fatalmente, porque está na Bíblia. Há um anticristo e há um falso profeta que o auxilia, a partir do interior da Igreja, assim está no capítulo 13 do Apocalipse de São João. Ai de quem diz que, sim, isso pode acontecer, mas não agora! A “renúncia” do Papa Bento XVI, acaso não lhes fala de uma situação praticamente única na história da Igreja?

    Todos os bons católicos, praticantes, orantes, gostariam da eleição de um Papa Santo, que fosse escolhido não por sua jovialidade, nem por sua oratória, nem por suas mil teologias, ou por seus vastos conhecimentos da história: deveria apenas conhecer e viver aquele primeiro e santo mandamento da Lei Eterna: amar a Deus sobre todas as coisas! Se este homem não for eleito, se o eleito não seguir os mesmos ensinamentos do Papa Bento XVI, se ele tentar alterar as leis da Igreja, se adulterar os mandamentos eternos, podem ter certeza plena de que muitos dos eleitores do conclave atual, irão execrar o voto que deram, porque ao invés de se manterem humildes, em estado de graças e com o Rosário de Maria nas mãos, foram como cegos induzidos a eleger não um amigo, mas exatamente um inimigo do Céu.

    Sim, falo de um risco, não de uma cláusula pétrea. Só Deus sabe o que teremos de passar, caso o Espírito Santo não esteja presente neste conclave. Como disse: por tudo aquilo que li até este momento, pelas fotos que vi, pelas entrevistas que ouvi, em nenhum momento eu pude perceber qualquer sinal de luz, apenas aquela ufania exacerbada, de quem se fia em seu próprio discernimento, exatamente o caso onde quem sopra o voto é o inimigo. Eu não gostaria de estar na pele de qualquer um dos 115 cardeais, que não esteja agora em estado de graça, e que por isso possa vir a ser enganado.

    Enfim, eu não vi nem um só eleitor, ou escritor, doutor ou teólogo, mestre ou aluno, mestre ou leigo, que tocasse nas verdadeiras feridas da Igreja, que precisam ser saradas. Sobre as quais se devem passar bálsamo, pomada, unguento, para que sarem rapidamente, e possam nos conduzir pelo caminho que nos leva para a casa do Pai. Tudo que o que vejo é um frio, um vazio, um sentimento de desolação, de tristeza, algo angustioso, e sinto uma vontade imensa de chorar, porque o que está acontecendo é de fazer sangrar a alma. Não vejo luzes no imediato, apenas sombras, apenas nuvens negras. Vejo mais feridas sendo abertas!

    Penso que neste momento até o próprio Céu está em pranto silencioso. Se lágrimas tivessem os anjos e santos, certamente do Céu correriam rios. Se nós, pobres mortais, podemos ver algumas centelhas do que realmente se passa imagine o que não vê o Céu. O que não vê Aquele que tudo vê, e que, além disso, sonda os recantos mais fundos dos nossos corações. Que corações não existem dentre aqueles a quem é dada agora tão tremenda missão, tão assombrosa responsabilidade: escolher aquele que irá reger, nos tempos que seguem, um rebanho no mínimo atordoado, de 1.2 bilhões de católicos.

    Sim dirigir o rebanho de Cristo, e só existem dois caminhos: rumo a Deus ou o diabo! Rumo ao Céu, ou rumo ao abismo infernal! Quando vemos a crise na Igreja da Europa, que já se tornou ateia e pagã, percebemos o que significa a Igreja modernizar-se e caminhar para o mundo. Então que eles escolham alguém que nos conduza para os braços do Pai, mas isso não se faz com traseiros sentados em fofas poltronas, nem com longas discussões vazias e sim, com joelhos sangrantes, na oração, na adoração contínua, no profundo recolhimento interior.

    Olhem para o que acontece lá, e perceberão claramente o que irá acontecer! É certamente do velho mundo, que não deu certo, que sairá aquele que cumpre as profecias. Não é preciso que digamos mais nada! Continuemos rezando então por Bento XVI. (Aarão)

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