Nota sobre o falecimento de Cônego Walter Maria Pulcinelli

Há poucas horas perdi meu amado tio-avô, aos seus 89 anos, em Machado, MG. Um dos dois últimos filhos vivos de meus bisavós. Tio Walter. Tio Padre. “Mio diletto, caríssimo Zio Prette”.

Padre, Cônego, Monsenhor católico romano. Formado em Teologia e em Sociologia em Roma. Foi pároco da Paróquia da Sagrada Família, em Machado, por 45 anos. Professor e Reitor do Seminário Diocesano, Vigário-Geral e Chanceler do Bispado da Diocese de Guaxupé, no Sul/Sudoeste de Minas Gerais. Sacerdote amado na cidade que escolheu para viver e servir a Deus e ao povo.

Nos últimos mais de cinquenta anos, não há nada de progresso ou cunho social e educativo em Machado, que não tenha não só o dedo mas todas as mãos de meu tio. Até um pavilhão em sua homenagem na Casa de Cultural da cidade.

Ele era o filho caçula de meus bisavós Nello e Erminia Petrillo Pulcinelli e nasceu na cidade de Muzambinho. Jamais vou me esquecer da imagem dele no funeral de vovô Nello.

Lembro-me como se fosse hoje da cena dele, “vestido de padre”, assentado à cabeceira de seu esquife, rezando o terço em intensão de sua alma.

Tio Walter havia acabado de completar seus 89 anos e seus 64 de ordenação sacerdotal. Ele ingressou no Seminário Menor aos 10 anos de idade e dedicou toda sua vida ao sacerdócio.

Recordo-me de sua irmã, tia Isolina, in memoriam, contando que sua brincadeiras quando ainda muito criança, eram de celebrar missa, que ele saia pelas ruas de Muzambinho puxando uma procissão como se já padre fosse e vários fiéis o acompanhavam cantando e rezando.

Era um padre como os de antigamente, daqueles que não se produzem mais. Homem culto, erudito, poliglota, com ética e postura, austero, firme, forte, rígido, mas ao mesmo tempo humilde, servo, alegre. Daqueles que faziam a homilia na missa de domingo e o prefeito da cidade tremia…

Foi convidado duas vezes a ser Bispo, mas declinou, pois sempre desejou apenas ser um padre de paróquia.

Foi radialista, cronista, escritor e orador reconhecido. Sinto saudades dos dias de férias em seu sítio, dos trabalhos de benfeitoria que fazíamos lá como forma de integração e relax, do vinho de laranja produzido por ele com a receita secular de vovô Nello, trazida da Itália. Me lembro bem da sua vastíssima coleção de discos de ópera e música erudita italiana.

Me recordo da casa paroquial, onde viveu por décadas, da Vila Betânia, com as estações da Via Crucis, da nova Igreja Matriz de Machado, dos almoços de culinária italiana regados a bons tintos (ele tinha muito bom gosto, rs).

Texto de Nello Pulcinelli

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