Liturgia Diária – 12/09/2013, S. Guido de Anderlecht

S. Guido de Anderlecht, peregrino, +1012

Guido de Anderlecht, belga, era filho de um casal de camponeses cristãos que desde cedo lhe ensinaram os verdadeiros valores da vida, mostrando-lhe a necessidade de não se ter apego aos bens materiais.

Doando o pouco que tinha, Guido deixou a casa dos pais, tornando-se sacristão de um vigário, dedicando-se às orações e à caridade. Desejoso de contribuir cada vez mais para com os mais pobres, deixou o trabalho de sacristão para dedicar-se ao comércio, tendo sido infeliz logo à primeira tentativa, perdendo todas as mercadorias compradas num naufrágio.

Certo de que isso era um sinal de Deus para não persistir nesse caminho, partiu em peregrinação por diversos santuários. Anos mais tarde, voltou para casa fraco e doente, vindo logo a falecer. Sua memória, porém, mostra-nos uma vida espiritual rica e dedicada aos mais necessitados.

[box_info]Carta aos Colossenses 3,12-17.[/box_info]


Irmãos: Como eleitos de Deus, santos e amados, revesti-vos, pois, de sentimentos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência,
suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, fazei-o vós também.
E, acima de tudo isto, revesti-vos do amor, que é o laço da perfeição.
Reine nos vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados num só corpo. E sede agradecidos.
A palavra de Cristo habite em vós com toda a sua riqueza: ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria; cantai a Deus, nos vossos corações, o vosso reconhecimento, com salmos, hinos e cânticos inspirados.
E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando graças por Ele a Deus Pai.

[box_info]Livro de Salmos 150(149),1-2.3-4.5-6.[/box_info]


Louvai a Deus no seu santuário;
louvai-o no seu majestoso firmamento!
Louvai-o pelos seus feitos valorosos;
louvai-o por todas as suas grandes proezas!

Louvai-o ao som da trombeta;
louvai-o com a harpa e a cítara!
Louvai-o com tambores e danças;
louvai-o com instrumentos de corda e flautas!

Louvai-o com címbalos sonoros;
louvai-o com címbalos vibrantes!
Tudo o que respira louve o Senhor!

[box_info]Evangelho segundo S. Lucas 6,27-38. [/box_info]


Naquele tempo, Jesus falou aos seus discípulos, dizendo: «Digo-vos, porém, a vós que me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,
abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam.
A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, não impeças de levar também a túnica.
Dá a todo aquele que te pede e, a quem se apoderar do que é teu, não lho reclames.
O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também.
Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis? Os pecadores também amam aqueles que os amam.
Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo.
E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto.
Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para os ingratos e os maus.
Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.»
«Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados.
Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco.»

Comentário do dia
Beato João Paulo II (1920-2005), papa
Encíclica «Dives in Misericordia» § 3 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

«Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.»

Numerosas são as passagens do ensinamento de Cristo que manifestam o amor e a misericórdia sob um aspecto sempre novo. Basta ter diante dos olhos o bom pastor que vai em busca da ovelha tresmalhada (Mt 18,12ss; Lc 15,3ss), ou a mulher que varre a casa à procura da dracma perdida (Lc 15,8ss). O evangelista que trata de modo particular estes temas do ensino de Cristo é São Lucas, cujo Evangelho mereceu ser chamado «o Evangelho da misericórdia». […]

Cristo, ao revelar o amor-misericórdia de Deus, exigia ao mesmo tempo dos homens que se deixassem guiar na própria vida pelo amor e pela misericórdia. Esta exigência faz parte da própria essência da mensagem messiânica e constitui a medula do «ethos» evangélico. O Mestre exprime isto mesmo, quer por meio do mandamento por Ele definido como «o primeiro e o maior» (Mt 22,38), quer sob a forma de bênção, ao proclamar no Sermão da Montanha: «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5,7).

Deste modo, a mensagem messiânica sobre a misericórdia conserva sempre particular dimensão divino-humana. Cristo – cumprimento das profecias messiânicas –, ao tornar-Se encarnação do amor que se manifesta com particular intensidade em relação aos que sofrem, aos infelizes e aos pecadores, torna presente e, desse modo, revela mais plenamente o Pai, que é Deus «rico em misericórdia» (Ef 2,4). Ao mesmo tempo, tornando-Se para os homens modelo do amor misericordioso para com os outros, Cristo proclama com obras, mais ainda do que com palavras, o apelo à misericórdia, que é uma das componentes essenciais do «ethos» do Evangelho. Não se trata somente de cumprir um mandamento ou um postulado de natureza ética, mas também de satisfazer uma condição de capital importância para que Deus possa revelar-Se na sua misericórdia para com o homem: «os misericordiosos […] alcançarão misericórdia».

Fonte: evangelhoquotidiano.org

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