Escândalos na Igreja e a perseverança do cristão

escandalizados

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Nota de amormariano:

Segue abaixo pergunta de uma pessoa que acompanha o apostolado O Fiel Católico e a devida resposta, que reproduzo nesse artigo, no intuito de demonstrar como o verdadeiro católico deve interpretar as falhas e pecados alheios.

Quando coloco nesse site matérias que apontam para apostasia do clero, de religiosos (as) e até da alta hierarquia da Igreja, é para dizer que não devemos cair nas falácias e comportamentos dos mesmos, pois são contrários aos ensinamentos do Evangelho e principalmente do Magistério e Tradição da Igreja Católica. Porém, jamais podemos perder a fé diante de tais comportamentos, mas devemos antes rezar por eles confiando que antes de nós, Deus quer a conversão e salvação de tais pessoas.

Devemos lembrar também, que podemos nos tornar traidores de Jesus. Sim, podemos, se não rezarmos DIARIAMENTE, confessarmos nossos pecados com o firme propósito de mudança, se não nos penitenciarmos, corremos o sério risco de nos perder eternamente e provocarmos terríveis escândalos.

Salve Maria Santíssima

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RECENTEMENTE, UMA assinante de nossa revista impressa, cujo nome não estamos autorizados a divulgar, enviou ao nosso endereço de e-mail uma interessante mensagem, cujo trecho principal reproduzimos abaixo, seguido de nossa resposta, – esperando, em Cristo, que seja útil também aos nossos demais leitores:

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Prezadíssima leitora, ficamos realmente felizes em saber que o nosso trabalho esteja, de algum modo, sendo útil na sua jornada. Parabéns por buscar, por estudar e se aprofundar na fé. Isto é sumamente importante; é o que nos pediu o primeiro Papa: “Estejais sempre prontos a dar a razão da vossa esperança diante daqueles que vos questionam” (1Pd 3, 15). E quando você me pergunta sobre o filme “Philomena”, eu vejo que preciso lhe dizer algo que será de importância realmente fundamental nesta sua caminhada. [Digo-o porque esta não é a primeira vez que nos escreve com dúvidas deste tipo: ‘é verdade que tal católico foi capaz de cometer grandes pecados? Como explicar tal coisa?’]

O que devo lhe dizer é isto: se você realmente quiser continuar sendo cristã, precisa entender que na Igreja não existem somente pessoas boas, santas ou justas. Se você vai se escandalizar ou ficar psicologicamente abalada a cada vez que ficar sabendo de alguma maldade praticada por padres, freiras, bispos ou mesmo papas, você vai acabar perdendo a fé. Esta questão é realmente muito importante. Chego a dizer que compreendê-la é como um estágio que o cristão precisa superar. Eu (que não sou santo) passei por isso, e todos os santos cujas vidas eu estudei tiveram que superar essa etapa.

Vejamos: quando conhecemos a Igreja de Cristo, nos apaixonamos, porque encontramos a nossa casa, o nosso lugar no mundo; entendemos finalmente o que Deus quer de nós, onde Ele quer que estejamos, que comunguemos com Ele e que o sirvamos… É um primeiro estágio da conversão, repleto de felicidade e empolgação. Queremos ajudar as ações da Igreja, queremos mostrar ao mundo que pertencemos a esta Igreja, queremos participar dos seus movimentos e ações pastorais…

Mas aí, com o passar do tempo, fatalmente começamos a nos decepcionar com uma série de coisas. E se a nossa fé não for sólida, se não estiver bem direcionada e ancorada onde deve estar, corremos o risco de deixar que essas decepções tomem conta de tudo e, a médio-longo prazo, até de abandonar a Igreja.

Tudo começa quando vemos que os nosso irmãos católicos não são assim tão santos, como achamos que eles deveriam ser. É uma dura realidade, mas, ao menos na maioria dos casos, boa parte deles parece não ter sequer a mínima boa vontade, e outros tantos nos dão a impressão de que nem mesmo têm fé. Parece que vão à igreja por uma simples questão de preceito, obrigação ou costume, nada mais. Eles não dão bom testemunho, como deveriam, e muitas vezes, pelo contrário, fazem o contrário do que esperávamos deles. Isso entristece, magoa a alma. É uma profunda decepção.

O tempo passa e a coisa só piora. Logo percebemos que o padre da nossa paróquia também não é aquele “santinho” que achamos que ele, – mais do que todos, – deveria ser. Esta decepção pode ser ainda pior. É triste dizer, mas nos nossos dias a situação é realmente difícil. Eu, com a Graça de nosso Bom e Misericordioso Deus, na minha busca, com o passar dos anos, acabei por ser levado a conhecer não um, mas vários sacerdotes dignos e santos. Que a situação geral do clero em nossos tempos é delicada, entretanto, é uma realidade da qual não se pode fugir, e os motivos são vários, desde má formação até a infiltração de uma certa ideologia contrária aos fundamentos de sempre da fé da Igreja, que vem ocorrendo há décadas, cresceu e hoje é impossível de se ignorar, porque contaminou boa parte do clero. É um assunto extremamente polêmico, sobre o qual você pode se informar assistindo a este vídeo, do Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr. (Diocese de Cuiabá).

O fato de que existem (muitos) traidores no seio da Igreja é indiscutível, mas há um outro fator essencial nesta equação que também não pode ser ignorado: a má vontade da mídia e dos formadores de opinião, no geral, contra a Igreja. Há pouco tempo, por exemplo, depois que a grande mídia passou a divulgar com grande intensidade e sensacionalismo os casos de pedofilia no clero, milhares de pessoas, sentindo-se escandalizadas, deixaram de ir à igreja, não foram mais à Missa… Por quê? Porque essas pessoas confundem as coisas, e é uma confusão muito elementar: elas pensam que se existem padres ruins, então a Igreja não pode ser boa. Acham que se um padre é capaz de cometer uma monstruosidade tal como abusar sexualmente de uma criança, então não vale a pena ser católico, e já não é mais possível pertencer a esta Igreja…

Então, veja que é chegada a hora de todos nós, católicos, amadurecermos na fé, de crescermos e nos tornarmos cristãos adultos e bem formados. É hora de entender que a Igreja nunca foi formada exclusivamente por gente santa, – e isso vem desde o começo, desde os primeiríssimos tempos. É só você pensar que, até mesmo entre os doze que Jesus escolheu diretamente, havia um Judas, e até Pedro, o primeiro Papa, negou o Senhor por três vezes, dizendo: “Não conheço este homem”!

Hoje, a Igreja não é mais constituída por 12, mas por 1200000000 (1,2 bilhões de pessoas)! Se antes era um Judas, agora são milhões deles, e isto não deveria nos surpreender. Compreende o que estou dizendo? O ser humano não é confiável; é falho, está sempre sujeito ao pecado e às tentações do diabo, e a Bíblia é categórica ao nos prevenir: “Maldito o homem que confia no homem! (Jr 17,5). Não é porque alguém se torna padre ou freira que se torna automaticamente santo. Por isso, deixe que eu a previna: em toda a história da Igreja, até hoje, muitos padres, freiras e bispos, e até papas, fizeram coisas horríveis. – Mas (importante!) estas pessoas não representam a Igreja, e você sabe por quê? Simplesmente porque são traidoras da Igreja.

E então, quais são as pessoas que realmente representam a Igreja? Resposta: os santos e santas. Por quê? Ora, porque os santos são aqueles que cumprem os preceitos da Igreja! Só pode representar uma instituição quem que está alinhado com ela, quem faz o que ela manda. Não é simples?

Agora eu vou lhe responder com muita objetividade sobre os fatos retratados no filme “Philomena”. Eu realmente não sei até que ponto são 100% verdadeiros, mas… Isto não importa nada para a minha fé. Nada mesmo! Se eu sei que os filhos e filhas da Igreja são pessoas humanas, sujeitas ao pecado, assim como todos nós, isso não pode me afetar.

Também é interessante notar que alguns pecados são cometidos por pura maldade ou fraqueza, mas outros acontecem devido ao zelo em fazer o que é certo e servir a Deus. Sim, e este último parece ter sido o o caso retratado no filme: havia um desejo de pureza, uma ansiedade em se cumprir os preceitos divinos, em não se ofender a Deus, que fez com que aquelas pessoas se esquecessem do mandamento maior, do amor e da compaixão. Mas também é importante notar que estamos falando de uma outra época. O que sei é que a verdadeira Philomena recentemente encontrou-se com o Papa e se sentiu honrada e muito feliz com isso (veja aqui).

Agora, você já reparou como a grande mídia, os diretores de TV e cinema, os jornalistas… os formadores de opinião do “mundão”, enfim, adoram apontar erros na Igreja Católica? Curioso, a Igreja é a instituição que mais pratica a caridade no mundo; neste exato momento, milhões de pessoas ao redor do nosso planeta estão sendo assistidas por algum organismo da Igreja, por milhares e milhares de santos anônimos que nunca têm o seu trabalho divulgado. Mas, se um padre ou uma freira (perdoe o mau jeito) soltarem um “pum” no elevador, aí vai ser noticiado no Jornal Nacional por uma semana inteira, e talvez até façam um filme sobre isso! Você consegue perceber, nesta realidade, o cumprimento da profecia de Nosso Senhor, de que seríamos odiados de todos por amor ao seu Nome?

Então, é isto, Letícia. A Igreja é a Casa de Deus (1Tm 3,15), é o Corpo Místico de Cristo (1Cor 12, 12; Cl 1, 18; Ef 5, 23; Rm 12, 4-5). Jesus diz que Ele é a Videira e nós, os membros da sua Igreja, seus ramos. É por meio da Igreja que recebemos os Sacramentos, desde o Batismo até a Sagrada Eucaristia, que nos põe em santa intimidade com o próprio Deus. Mas Ele nunca disse que todos os ramos seriam perfeitos, ou que não existiria pecado entre aqueles que resolvessem segui-lo. Ao contrário, Ele previu tribulações, tentações e apostasia. Então, se a sua fé vai se abalar a cada vez que você descobrir algum pecado dos filhos da Igreja, a sua fé estará condenada. Saiba disto e aceite isto, ou desista de Jesus.

www.ofielcatolico.com.br

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