Encíclica papal aponta caminhos para a santificação dos padres

  • Encíclica papal aponta caminhos para a santificação dos padres Data da Postagem: 7 jun 2013 | Autor: Mateus | Comentários: 1 comentário
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    Nesta sexta-feira, 7, a Igreja celebra a Jornada de Santificação Sacerdotal, realizada desde 1995, em todas as dioceses do mundo. O Dia de Oração pela Santificação do Clero acontece todos anos na sexta-feira seguinte à Festa de Corpus Christi, em consonância com a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

    Em 1959, o Papa João XXIII escreveu a Encíclica Sacerdotii Nostri Primordia, sobre o sacerdócio. A carta considerou o centenário da morte do Santo Cura D’Ars – São João Maria Batista Vianney, patrono dos sacerdotes.

    Na encíclica, o Pontífice ressalta os conselhos evangélicos (castidade, pobreza e obediência) como caminho para a santificação dos padres. Segundo João XXIII, os sacerdotes que fazem o caminho destes conselhos são instrumentos de conversão para muitos fiéis.

    “A Divina Providência dispôs que nunca faltem no mundo pastores de almas que, levados pelo Espírito Santo, não hesitem em encaminhar-se por estas vias, porque tais homens operam com este exemplo o regresso de muitos, que se convertem da sedução dos erros e dos vícios para o bom caminho e a prática da vida cristã!”.

    Mas pode-se pensar que os conselhos evangélicos são destinados apenas aos religiosos. No entanto, João XXIII contrapõe afirmando que a prática dos mesmos apresenta-se ao padre e aos discípulos de Cristo como o caminho mais seguro para alcançar a desejada meta da perfeição cristã. Logo, com base na vida do Santo de Ars, o Pontífice aconselha os sacerdotes à vivência da castidade, da pobreza e da obediência, aplicada nos dias atuais.

    A castidade

    “Em muitas regiões, infelizmente, os padres são obrigados a viver, em virtude do seu cargo, num mundo onde reina uma atmosfera de excessiva liberdade e sensualidade”, disse o Papa. Citando São Tomás de Aquino, o Pontífice reconhece ser difícil aos pastores do povo a vivência das virtudes em meio aos “perigos exteriores”. Disse isso se referindo à vivência da castidade.

    O “Papa Bom”, como era conhecido João XXIII, diz aos sacerdotes que o exercício da castidade, no âmbito mais profundo de seu significado, torna o coração sacerdotal mais aberto e mais acessível a todas as necessidades dos seus irmãos. “Quando o coração é puro não pode deixar de amar, porque encontrou a fonte do amor, que é Deus”, sublinhou.

    A pobreza

    Utilizando o termo “Aplicações aos padres de hoje”, o Pontífice explica como os sacerdotes atuais podem viver a pobreza em meio a uma sociedade materialista. Por primeiro, o Papa propõe a “receita” de Cura D’Ars que diz: “O meu segredo é bem simples: dar tudo e nada guardar”.

    “O seu desinteresse fazia-o atender a todos os pobres, sobretudo os da sua paróquia, aos quais testemunhava extrema delicadeza, tratando-os “com verdadeira ternura, com os maiores cuidados e até com respeito”, disse o Pontífice. João XXIII completou: “exortamos nossos queridos filhos do sacerdócio católico, a meditar num tal exemplo de pobreza e caridade”.

    Citando Pio XI, o Papa afirmou que a ação dos sacerdotes de vida modesta – os quais, segundo a doutrina evangélica, não procuram seus próprios interesses – resulta em extraordinários benefícios para o by Text-Enhance” href=”https://web.archive.org/web/20131204105800/http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=289355″>povo cristão. Em seguida, completou com uma frase do mesmo Pio XI definida por ele como sendo um “grave aviso” aos padres:

    “Ao ver que os homens vendem e compram tudo pelo dinheiro, os padres caminhem desinteressadamente pelos engodos do vício, e desprezando todo baixo desejo de by Text-Enhance” href=”https://web.archive.org/web/20131204105800/http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=289355″>ganhar, busquem almas e não dinheiro, a glória de Deus e não a sua!”

    “Estas palavras devem estar inscritas no coração de todos os padres”, afirmou João XXIII. E continuou: “Se há alguns que possuem legitimamente bens pessoais, que não se prendam a eles! Que se lembrem, antes, da obrigação que formula o Direito Canônico, a propósito dos benefícios eclesiásticos, “de dispender o supérfluo com os pobres ou com as obras pias”.

    Mas, ao recomendar esta “heroica pobreza”, o Papa disse não pretender aprovar a pobreza total a que, segundo ele, são reduzidos os ministros do Senhor nas cidades e no campo. Logo, no intuito de prevenir o clero de qualquer interpretação abusiva sobre o assunto, o Pontífice explica a pobreza do padre com um comentário de São Beda:

    “Não se deve crer que seja prescrito aos santos não conservar dinheiro para seu uso pessoal ou para dar aos pobres, visto ler-se que o próprio Senhor tinha algum dinheiro para os gastos da Igreja nascente; mas que não se sirva Deus por causa disso, nem se renuncie à justiça com receio da pobreza”. Pois o operário tem direito ao seu salário, (cf. Lc 10, 7), acrescentou o Papa referindo-se ao Evangelho.

    A obediência

    Na Encíclica Sacerdotii Nostri Primordia, o “Papa Bom” propõe aos padres a “rigorosa obediência” de São João Maria Vianney. Segundo o Pontífice, a total adesão à vontade dos superiores por parte do Santo era sobrenatural no seu motivo: “era um ato de fé na palavra de Cristo que dizia aos seus apóstolos: ‘Quem vos ouve, ouve a mim’ (Lc 10,16)”.

    Recordando Pio XII, João XXIII reforçou que “a santidade da vida pessoal e a eficácia do apostolado têm por base e sustentáculo a obediência constante e exata à sagrada hierarquia”. Segundo o Papa, há graves perigos no “espírito de independência no clero”, tanto para o ensino da doutrina como para os métodos de apostolado e para a disciplina eclesiástica.

    Diante disso, o Pontífice Romano pede: “Padres de Jesus Cristo, nós estamos no braseiro que o fogo do Espírito Santo anima; tudo recebemos da Igreja; só agimos em seu nome e pelos poderes que ela nos conferiu: esforcemo-nos para servi-la nos laços da unidade e pela forma por que ela deseja ser servida”.

    Com a encíclica Sacerdotii Nostri Primordia, o Papa João XXIII não quis abordar todos os aspectos da vida sacerdotal contemporânea, mas apontar no testemunho do Cura de Ars, aos padres de todo o mundo, “um modelo de ascese sacerdotal, de piedade, e sobretudo de piedade eucarística, modelo enfim de zelo pastoral”.

    Fonte: Canção Nova

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