Emérito Bento XVI no combate ao falso ecumenismo

A Tradição Católica sempre proclamou através do ministério dos Papas – até o aggiornamento do Concílio Vaticano II – que a missionariedade é (e sempre foi) a razão de ser e de existir da Igreja, porque está diretamente ligada a seu fim primário (seu múnus), isto é, “salvar almas”.

Por outro lado, para a Igreja pós-conciliar – que considera o trabalho missionário proselitismo inconveniente, uma vez que considera a revelação como uma expressão humana difusa em todas as culturas de todos os tempos – que crê que a Igreja Fundada por Nosso Senhor, de fato, nunca foi apostólica, nem una, nem santa e nem católica.

Ademais, há pronunciamentos recentes e oficiais de alguns príncipes da Igreja de que o “ecumenismo” é já um fato e uma diretriz “irreversível”.

Sim, estamos falando de um ecumenismo que não se presta à conversão dos hereges, cismáticos e pagãos ao catolicismo transmitido desde Nosso Senhor, passando pelos Apóstolos, os Santos Padres da Igreja. Sim, o catolicismo verdadeiro que, no processo inicial de cristianização dos pagãos, se deu à custa do sangue dos mártires.

Sim, meus irmãos, estamos falando de um ecumenismo que já se apresenta como o esboço final da religião global, uma vez que, para o pensamento modernista dominante atualmente na Igreja Formal, sendo a experiência religiosa um sentir que é incutido nas pessoas por Deus mesmo, as verdades lógicas e ontológicas, por Nosso Senhor reveladas perdem sua força racional vinculante.

Não são mais a inteligência e a razão – iluminadas pela fé, que é um dom precioso de Deus – o bastião seguro que serve de norte e guia da criatura humana ferida em suas faculdades pelo pecado original nesta peregrinação terrestre, nesse vala de lágrimas rumo ao fim último que é Deus mesmo na visão beatífica. Sim, porque, para o modernista-liberal, agora nossa salvação depende dos volúveis, imprevisíveis e míopes sentimentos que nos arrastam de “lá-para-cá”, conforme todo e qualquer sopro de doutrina.

Eis aí caros católicos, o que move a religião aggiornada e modernizada pelo CV II, e não mais as verdades reveladas pela Sabedoria Infinita Encarnada.

Disso resulta um total e mais absoluto descrédito dos textos do Novo Testamento. Sim, porque se foram pessoas rudes e atrasadas, movidas por seus “sentimentos” que escreveram os Evangelhos, levando-se ainda em consideração que a revelação, para o modernista-liberal, é algo que se aprimora e aprofunda, ad infinitum, a pregação de Nosso Senhor e dos Apóstolos não passou de um “estágio inicial” e rudimentar da religião fundada por Nosso Senhor.

Vejam caros católicos que, levando às últimas consequências o pensamento modernista-liberal, chaga-se á negação mesma da Divindade de Nosso Senhor, porque negam que Jesus revelou verdades transcendentais, já que somente Deus poderia fazê-lo. Isto para não dizer o pior, porque os “neo-teólogos” sabem esconder muito bem suas “vergonhas” quando se trata de esculhambar a religião católica e seus dogmas, através de seus textos bem articulados sofísticamente, o que faria corar de vergonha os senhores Górgias e Protágoras.

Será que os atuais seminaristas, ao invés de estudar Santo Tomás de Aquino, estão estudando sofística nos seminários, hoje transformados em redutos modernistas-liberais? A resposta é óbvia…

Como já dito por muitos, a situação é realmente dramática, pois até o Papa Emérito está se sentindo incomodado com a ousadia e petulância da hierarquia colegiada que dá as cartas atualmente em Roma, a ponto de sair em defesa da apostolicidade da Única e Verdadeira Igreja de Nosso Senhor. E não nos esqueçamos do fato de que Bento XVI teve uma formação profundamente modernista-liberal-progressista.

Podemos dizer que há um cabo de guerra envolvendo o Papa Francisco (e suas idéias) de um lado e o Papa Emérito Bento XVI do outro? Não é possível ainda saber, pois a forma de Deus agir é muito diferente na nossa, assim como Seus perfeitíssimos e sapientíssimos Juízos. Todavia, bem ao seu estilo, o Papa Emérito deu uma cutucada!

Deus lhe abençoe Bento XVI, porque acho que S. S. se converteu…

Que Deus tenha pena de nós!

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