Educação cristã dos filhos. Como lidar com ela no mundo atual

Especial•Família8 meses atráspor Amor MarianoComentarEscrito por Amor Mariano

Em muitas ocasiões, pais que mal conheço, porque não vêm à igreja com frequência, aproximam-se de mim realmente sobrecarregados solicitando recomendações para resolver os graves problemas que estão tendo com seus filhos adolescentes. Tento ajudá-los em cada caso, e apesar de que sempre é possível se fazer alguma coisa, na maioria dos casos, o dano é tão profundo que uma reparação integral é quase impossível.

Outro fato também muito comum é que dos pais católicos realmente preocupados na formação cristã de seus filhos, sentirem-se angustiados e sem ferramentas para lutar ao verem seus filhos — filhos que haviam sido formados em um ambiente verdadeiramente cristão e de fé — serem absorvidos, tornando-se encantados e envenenados pelo mundo conforme vão chegando à adolescência. Há um determinado momento em que estes jovens não querem saber mais nada sobre a Igreja, sobre a sua religião e nem mesmo de seus próprios pais. Como pode acontecer que esses jovens, todos eles educados segundo os princípios cristãos, de repente são destruídos tão facilmente em um curto período de dois ou três anos?

Que podem fazer os pais para que o mundo não destrua o que lhes custou tanto trabalho? Que podem fazer os pais para que as crianças realmente sejam preenchidas com Deus e, depois, tenham armas suficientes para lutar contra este mundo?

A solução não é fácil, mas ao longo de vários artigos tentaremos analisar os problemas mais frequentes com os quais os pais deverão enfrentar na educação de seus filhos desde ainda bem pequeninos; e tentaremos orientar, oferecendo possíveis soluções que possam ser aplicadas antes que seus filhos “alcem voo e fujam de seus pais”.

Anos atrás, conversando com minha mãe, ela me dizia:

Gravidade da situação atual

O primeiro problema que devemos enfrentar é o fato de que os pais sejam conscientes da gravidade da situação atual, para que desde a infância comecem a educar cristãmente os seus filhos seguindo as orientações corretas.

Um fato comum que deparo todos os dias, é que quando eu aconselho os pais para que se preocupem com a educação cristã de seus filhos a partir da mais tenra idade, eles sorriem e dizem inocentemente:

Mas a triste realidade é que quando estas crianças têm quinze ou dezesseis anos, se perguntamos de novo por seus filhos, já dizem muito preocupados”, nossos filhos são bons, mas …”. Nesta resposta, ninguém é capaz de adivinhar a sua angústia e preocupação, porque eles já não podem controlá-los. Em suma, “o mundo já os devorou”.

Um dos problemas mais graves e preocupantes que têm de enfrentar os pais verdadeiramente cristãos, é o da formação humana e cristã de seus filhos. É por isso que este trabalho é dirigido especialmente a esses bons e preocupados pais.

Há outros pais, infelizmente a maioria, que se denominam cristãos, mas que nunca se preocuparam seriamente em educar seus filhos de acordo com os princípios cristãos. Esses pais, não creio que tirem bom proveito da leitura desses artigos, — se é que eles caiam em suas mãos —, porque lê-los significaria uma mudança de atitudes tão radical que eles nunca estariam dispostos a empreendê-la. No entanto, esses pais sabem que eles serão severamente julgados por Deus quando forem chamados a comparecer perante o trono do Altíssimo.

Um trabalho urgente e sem demora

Embora os pais sejam pais durante toda a sua vida, eles dispõem apenas dos primeiros quinze ou vinte anos de seus filhos para realizar esta tarefa de forma eficaz. Passados esses anos, os filhos ocasionalmente ouvirão algum conselho de seus pais. Na maioria dos casos eles já estarão com suficiente autonomia para tomar suas próprias decisões e escolher os caminhos, bons ou maus, que prefiram. E se me apertarem um pouco, e dada a situação atual de nossa sociedade, digo que os pais só dispõem realmente dos dez primeiros ou doze anos de seus filhos; após os quais, na maioria dos casos, os filhos se fecharão em grupos e ouvirão antes seus amigos do que seus pais.

Vou contar-lhes uma história verdadeira que aconteceu comigo este ano. Comecei há dois anos em uma das minhas paróquias catequeses de Confirmação com um grupo de cerca de vinte jovens entre 10 e 12 anos. No primeiro dia apresentei-lhes um plano geral e lhes disse que a primeira coisa que tinham a fazer era confessar o quanto antes para que a catequese desse frutos e, ao mesmo tempo, pudessem receber a comunhão. Nesse mesmo dia, praticamente todos eles confessaram. Fiquei tremendamente contente. Assim continuaram fazendo durante a maioria do primeiro ano de catequese.

Em setembro passado, começamos o segundo ano. As crianças já haviam passado dos 10-12 anos para 11-13 anos. No primeiro dia eu fiz a mesma chamada para que se confessassem, e qual foi minha surpresa quando constatei que nenhum deles quis confessar. Depois de muita insistência durante cada semana eu consegui que cinco ou seis desses vinte que começaram se confessassem, mas os outros estão esperando o dia que antecede a Confirmação para se confessarem; pois eu já lhes dissera que se não confessassem, não seriam confirmados.

Passara apenas um ano; mas nesse ano muitas coisas aconteceram; coisas que contaminaram o seu coração e, consequentemente, já não se atrevem a confessar.

É difícil dizer, mas uma vez que se confirmem, provavelmente já não verei muitos deles até… até o enterro.

Todos nós já ouvimos milhares de vezes o famoso exemplo da árvore que é plantada e que carece de ser orientada e endireitada quando ela ainda está tenra. Quando o tronco se torna lenhoso será quase impossível endireitá-lo. É por isso que os pais devem agir com extremo cuidado durante os primeiros anos de seus filhos, uma vez que será o momento no qual eles estarão mais receptivos.

As virtudes e defeitos dos pais nos filhos

Os defeitos dos pais são quase sempre “herdados” pelos filhos. As virtudes, no entanto, às vezes, sim e, às vezes, não.

Com bastante frequência os pais queixam-se dos maus hábitos de seus filhos e não percebem que, em muitos casos, esses maus hábitos de seus filhos foram aprendidos no lar familiar. Se os pais não são honestos, virtuosos, verdadeiros, ordeiros, piedosos… dificilmente poderão esperar que seus filhos o sejam.

Acho engraçado quando os pais das crianças na catequese de Primeira Comunhão deixam seus filhos para a Missa, e, enquanto isso, vão para o bar mais próximo assistir o jogo de futebol. Terminada a Missa voltam para pegar as crianças e lhes perguntam: “Foi tudo bem?” Quando essa criança cresce, o mais provável é que faça com seus filhos exatamente o mesmo.

Quando uma criança de sete anos solta uma blasfêmia, se investigarmos poderemos comprovar que ela aprendeu de outra criança ou de seus pais. E se ela aprendeu de outra criança, é porque esta, por sua vez, aprendeu de seus pais.

Os pais são os primeiros educadores de seus filhos, tanto para o bem quanto para o mal.

Há anos ouvi uma simpática história de uma família de caranguejos que é muito reveladora. A história era assim:

“Era uma vez uma família de caranguejos que vivia no fundo do mar. Um belo dia o pai caranguejo, preocupado com a formação de seus filhos disse à sua querida esposa:

Querida. Seria para mim um grande prazer se nossos filhos fossem no dia de amanhã caranguejos bem formados, que caminharão sempre para frente e não de lado como fazemos nós. Assim, para conseguir isso, amanhã ao meio dia reúna todos os nossos filhos próximos daquela rocha, e você e eu lhes ensinaremos a caminhar para frente.

No dia seguinte mamãe caranguejo reuniu toda sua prole frente à rocha que lhes servia de guarida. Nisso chegou papai caranguejo muito orgulhoso e com belas palavras disse a seus filhos:

Queridos filhos, tanto sua mãe quanto eu queremos que vocês sejam caranguejos bem formados e que caminhem sempre para frente. Assim, a partir de hoje nos reuniremos todos aqui para fazer práticas e exercícios para caminhar desse novo modo.

Os caranguejinhos acharam estranha a atitude de seu pai. Mamãe caranguejo não pode dizer nada, pois não queria deixar o marido em má situação.

Durante vários dias estiveram fazendo as práticas. Papai caranguejo era o primeiro da fila e, atrás dele, em fila indiana, cada um dos meninos. A comitiva terminava com sua mãe, que levava nos braços o caranguejinho caçula que ainda estava aprendendo a andar.

Terminado com sucesso o experimento, papai caranguejo voltou a reunir todos os seus filhos e lhes disse:

Agora já sabem, queridos filhos. De agora em diante vocês terão que andar sempre assim. Não andem nunca mais de lado como faz o resto dos caranguejos. Vocês agora são os caranguejos do futuro.

Papai caranguejo, muito orgulhoso da lição ensinada, deu o braço para sua mulher e foram os dois caminhando visitar outra família de caranguejos que vivia próxima dali; mas não perceberam que iam caminhando de lado. Quando os caranguejinhos viram seus pais andar, olharam uns para os outros e disseram:

E para que mudar?! Façamos o mesmo que nossos pais, pois é muito mais fácil!

Não é suficiente dar boas lições; se os pais não são os primeiros a colocá-las em prática, dificilmente os filhos as seguirão.

Ao longo dos próximos artigos, analisaremos e tentaremos ajudar os pais. Começaremos por analisar qual deve ser sua maneira de agir durante os primeiros dez ou doze anos dos pequenos (assistência à Missa, orações, leituras, uso da TV, internet, mobiles, o que fazer durante as férias, horas de sono, ensinar-lhes a comer, e muitas outras coisas). Em seguida, entraremos nos anos mais problemáticos que são geralmente dos 12 até os 20 anos. E, finalmente, tentaremos dar alguma luz para que eles possam continuar ajudando seus filhos quando já estiverem emancipados, mas sem que tenham tomado o caminho certo (vivendo juntos sem se casar, quedas no alcoolismo ou nas drogas, perda da fé, hábitos sexuais antinaturais …).

Ao mesmo tempo, rogo-lhes que me ajudem nesta missão através de seus comentários e perguntas. Se alguma coisa não vai ficar clara ou suficientemente clara, eu não hesitarei em explicar novamente.

II -Educação cristã dos filhos. Como lidar com ela no mundo atual II – A educação cristã dos filhos: pais, escolas e Igreja III – A educação cristã dos filhos – As novas tecnologias IV – A Educação Cristã dos Filhos: Os doze anos mais importantes na vida de uma pessoa V – A educação cristã dos filhos — A idade difícil VI – A educação cristã dos filhos (VI): Quando os filhos alçam voo de casa

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Pe. Lucas Prados
Fonte: www.sensusfidei.com.br

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