Dom de línguas não é glossolalia carismática (oração em línguas da rcc)

Na afirmação constante dos doutores, o dom de línguas consiste em falar línguas estranhas existentes, aonde todos os de outro idioma, milagrosamente entendem, e não sons desconhecidos por todos os homens. Encontramos essa posição em todos os comentadores dos textos de São Paulo, como por exemplo, em Santo Agostinho, Cirilo de Alexandria, Gregório Nanzianzeno, Santo Ambrósio, São João Crisóstomo, Didaquê Siríaca, etc. Não se aprende a orar em línguas, não se treina ou se estuda para isso! O dom das línguas é um carisma extraordinário, um dom Divino, concedido apenas a alguns, a quem Deus escolheu.

Comentando o Capítulo XIV da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, Santo Tomás escreveu: “Quanto ao dom de línguas, devemos saber que como na Igreja primitiva eram poucos os consagrados para pregar ao mundo a Fé em Cristo, a fim de que mais facilmente e a muitos se anunciasse a palavra de Deus, o Senhor lhes deu o dom de línguas” – (Fonte: São Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 178). Esse ensino é comum a todos os doutores que comentaram o referido trecho da carta de São Paulo. O dom de línguas, largamente concedido aos cristãos do primeiro século da Igreja, destinava-se a facilitar o anúncio do Evangelho, que precisava ser difundido a todos os povos de todas as línguas existentes. Segundo a exposição do ilustre doutor angélico, o falar em línguas pode ser entendido de dois modos: 1) falar em língua desconhecida, porém existente, como sucedeu em Pentecostes, quando São Pedro falou em sua língua e cada um dos presentes entendeu na sua língua pátria. 2) pregação ou oração sobre visões ou símbolos. Essa doutrina é confirmada pelo Doutor Angélico, que diz: “Suponhamos que eu vá até vós falando em línguas (I Cor 14,6). O qual pode entender-se de duas maneiras, isto é, ou em línguas desconhecidas, ou a letra com qualquer símbolos desconhecidos” – (Fonte: São Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 173). Quando alguém reza a oração do Pai Nosso sem compreender o profundo significado das petições que pronuncia, ganha o mérito da boa ação de rezar. Mas, aquele que reza compreendendo o sentido do que diz, lucra duplamente, isto é, o mérito da ação e o mérito da compreensão de uma verdade espiritual. Por esta razão São Paulo exorta aos que “falam em línguas” (no sentido de usar símbolos em seus atos de piedade) para que peçam o dom de interpretá-las, isto é, de compreender aquilo que diz de modo simbólico, a fim de lucrarem juntamente com a boa ação, o entendimento daquilo que piedosamente executam. Quanto ao uso público dessas línguas estranhas, o Apóstolo estabelece que não se as use quando não houver intérprete para explicar os símbolos para os que não conseguem atingir sua clara compreensão. A interpretação dessas línguas – estranhas ao povo simples – ocorre na Missa após a leitura da Epístola e do Evangelho, quando o padre faz o sermão explicando os símbolos contidos nos textos sagrados que foram lidos. Nisto consiste o “falar em línguas”, segundo a autoridade indiscutível de Santo Tomás. E, partindo desta teologia absolutamente segura, porque reconhecida pela Igreja.

Há hoje, quem afirme de forma absurda, que quem não fala em “línguas estranhas” não é batizado com o Espírito Santo. Contrariando totalmente o que está escrito em Efésios 1, 13, que afirma sermos selados pelo Espírito a partir do momento em que cremos em Jesus e não no momento em que “falamos línguas estranhas”. “Nele também vós, depois de terdes ouvido a palavra da verdade, o Evangelho de vossa salvação no qual tendes crido, fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido” – (Efésios 1, 13)

Em Atos 2, 1-11, o relato mostra que o dom de línguas foi dado para evangelizar. O verso 6, declara que “cada um ouvia falar na sua própria língua” o que cada seguidor de Cristo dizia e o verso 8 confirma: “e como os ouvimos falar cada um em nossa própria língua materna?” Pela terceira vez exclamaram os estrangeiros: “como os ouvimos falar em nossa própria língua as grandezas de Deus ?” (verso 11). Havia, naquele lugar, cerca de 18 nações diferentes. Os apóstolos não tinham tempo e nem uma escola para aprender todos aqueles idiomas. Note que os discípulos não falaram palavras ou sílabas sem sentido. Eram compreendidos em outros idiomas. O Apóstolo Paulo também afirma que as palavras usadas no dom são idiomas que precisam ser entendidos pelos ouvintes, para que se convertam a Cristo. Não adianta nada falar num idioma que a pessoa não conheça. Da maravilhosa pregação que fez Santo Antônio, frade menor, no consistório. O maravilhoso vaso do Espírito Santo, um dos escolhidos discípulos companheiros de São Francisco, a quem São Francisco chamava de seu bispo, pregando uma vez diante do Papa e dos cardeais em um consistório em que havia homens de diversas nações, isto é, grega, latina, francesa, alemã, eslavos e ingleses, e de outras diversas línguas do mundo, inflamado pelo Espírito Santo, propôs a palavra de Deus tão devota, sutil, doce, clara e indelevelmente, que todos os que estavam no consistório, embora fossem de diversas línguas, entendiam clara e distintamente todas as suas palavras, como se ele tivesse falado na língua de cada um deles. E todos estavam estupefatos, e parecia que se havia renovado aquele antigo milagre dos Apóstolos no tempo de Pentecostes, os quais falavam em todas as línguas por virtude do Espírito Santo. E diziam um ao outro, com admiração: “Não é da Espanha esse que prega? E como ouvimos todos nós que ele fala nas línguas de nossas terras?”

Além dos apóstolos, também existiram outros santos que tiveram esse dom, e Deus deu a eles por que tinha algum propósito importante, como São Padre Pio de Pietrelcina, que ouvia confissões em diversos IDIOMAS e entendia todas, mesmo sem nunca ter estudado de fato nenhum outro idioma, só sabia falar italiano. Este é o verdadeiro dom de línguas bíblico, este é o que os santos ensinavam. No século IV, Cirilo de Alexandria (c.315-387), Doutor da Igreja, em seus Sermões Catequéticos (sermão XVII: 16), interpreta o dom de línguas do Pentecostes como idiomas estrangeiros. Isto indica que, pelo começo do quarto século, a glossolalia apostólica também era tida como um idioma comum. Cita por nome alguns idiomas falados pelos apóstolos: “O galileu Pedro ou André falavam persa ou medo. João e o resto dos apóstolos falavam todas as línguas para aquela porção de gentios (…) Mas o Santo Espírito os ensinou muitas línguas naquela ocasião, línguas que em toda a vida deles nunca conheceram” – (Sermões Catequéticos, sermão XVII: 16). São João Crisóstomo, Doutor da Igreja (347-406), é o primeiro a interpretar detidamente a glossolalia em I Coríntios. Em sua conhecida retórica de orador, questiona a ausência do dom de línguas: “Por que então eles aconteceram, e agora não mais?” São João Crisóstomo detalha sua explicação. Ele vê o dom de línguas do Novo Testamento, como um fenômeno reverso ao da Torre de Babel. Os discípulos receberam o dom “porque deveriam ir afora para todos os lugares (…) e o dom era chamado de dom de línguas porque ele poderia falar de uma vez diversas línguas”. Para Santo Agostinho, Doutor da Igreja (354-430), o dom de línguas concedido aos apóstolos no Pentecostes se tratava da ”capacidade sobrenatural de falar línguas estrangeiras”.

Prat em seu livro “A Teologia de São Paulo” diz: “Trata-se de falar à multidão, Pedro fala em nome de todos e, não podendo falar senão uma língua por vez, é natural que ele falasse na sua língua própria. Se houve milagre, foi nos ouvintes que ele se realizou e não em Pedro. Pois cada um entendeu o que Pedro dizia na sua própria língua – (Fonte: Prat, A Teologia de São Paulo, página 175, Beauchêsne éditeur, Paris 1913)

Concluindo,
SOMOS TODOS SENTINELAS. Porém quando se trata das sublimes verdades da Revelação Divina, é preciso recorrer, por prudência, aos magistrais ensinamentos dos doutores da Igreja, especialmente à sabedoria angélica de Santo Tomás de Aquino e outros Santos Doutores

Fonte: Facebook/padrerodrigomaria

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