Discurso do bispo de Guarulhos, impedido de falar em audiência pública por ativistas gays

RECEBEMOS DO EXMO. e Revmo. Sr. Bispo Diocesano de Guarulhos, Dom Edmilson Amador Caetano, uma missiva com o conteúdo de seu discuso para a Câmara daquele município, com um pedido de divulgação, o qual prontamente atendemos, agradecendo pela confiança em nosso singelíssimo apostolado. O texto de Dom Caetano é um tocante desabafo, cujo objetivo é nos tornar mais atentos, cada um de nós, cristãos e sociedade em geral, à (extremamente) preocupante situação social e política que vivemos hoje em nosso país e no mundo, com enfoque na questão da famigerada ideologia da gênero. Segue abaixo.

“Fui convidado para falar na Audiência pública do último dia 20 de maio (015), na Câmara Municipal de Guarulhos. Antes de (começar a) falar e duas vezes, no início da minha fala, fui interrompido por vaias de um pequeno grupo favorável à inserção da chamada ‘ideologia de gênero’ no Plano de Educação do nosso município.
Acabei comparando o grupo que só gritava a um bando de cachorros. Não os chamei de cachorros. Mas quando você se encontra diante de cachorros que latem e avançam, não adianta falar, os cachorros não se acalmam. Não queriam me ouvir, então não falei. Entretanto, disponho de outros canais para falar para quem quer ouvir, como a nossa Folha Diocesana. Abaixo, então, o texto do que deveria ter pronunciado na Câmara Municipal.

‘Senhoras, Senhores, irmãos e irmãs,

Agradeço a oportunidade de poder falar nesta audiência pública.

Não tenho competência para falar de todos os pontos do PNE. Entretanto, aquilo que nos preocupa enquanto Igreja é a questão da chamada educação sexual. Não tive contato com o argumento próprio para o nosso município, mas como o PNE foi passado à responsabilidade dos Estados e municípios já com o conteúdo que vinha sendo proposto a nível federal, achamos por bem abrir um espaço para a reflexão. Esta audiência pública é uma boa oportunidade.

Primeiramente estou aqui por causa da minha fé em Jesus Cristo e a missão que Ele deixou à sua Igreja. A minha fé não está em contraste com a razão e a ciência. Na fé cristã, acreditamos que Deus criou o homem à sua imagem, homem e mulher. O Criador não tem sexo, mas Deus é Comunhão de Pessoas (a Trindade). Assim, a diferenciação dos sexos é para que o ser humano possa perfazer esta sua vocação de ser imagem de Deus: comunhão de amor.

Uma das formas sublimes deste amor se manifestar, amor este que é espiritual, é na união sexual que não está voltada para si mesma, mas aberta à doação para o outro e aberta à vida que pode ser gerada. Na fé também acredito que esta obra maravilhosa de Deus foi danificada pelo pecado que inverte todas as coisas e é contrário ao amor.

Peço desculpas por usar certas categorias filosóficas que não fazem parte do nosso falar cotidiano. Por causa desta fé acredito que a essência precede a existência. Ser masculino ou feminino é algo essencial, seja do ponto de vista fisiológico, bioquímico e psicológico. Não há como ser neutro. Se aparece na existência algum acidente, ele é posterior à essência. Muda, sim, o concreto da existência, mas é posterior. Em alguns pontos da educação sexual, pretende-se mudar esta ordem, de modo que caberia à pessoa escolher a sua orientação sexual. Por detrás desta configuração existe um aspecto da corrente do existencialismo ateu sartriano que propaga que a existência precede a essência.

Ser masculino ou feminino nos dá uma identidade. Ser masculino ou feminino não difere na dignidade. Como vivenciar o ser masculino ou feminino acarreta consequências morais e éticas. – Grande parte da natureza manifesta esta dupla de identidade de gênero, não como pobreza, mas como riqueza.

Ainda que a chamada ideologia de gênero não trate especifica e exclusivamente da questão da homossexualidade, quero inserir aqui uma breve reflexão. Acredito que nenhum de nós, aqui presente, tenha escolhido a própria orientação sexual. Acredito também que, não somente por questões culturais e sociais, as pessoas com orientação homossexual tenham se sentido angustiadas, mas na vivência da própria existência travaram e travam conflitos consigo mesmas. Este conflito existe exatamente porque não se trata de uma escolha pessoal, mas um ou vários acidentes tornaram assim a situação.

Quero também afirmar que a pessoa humana é muito, muito mais que a sua orientação sexual. Neste sentido é importante educar para a grandeza da dignidade da pessoa humana, que encontra sua plena realização no amor. Amor que significa ser para o outro, não buscando simplesmente a si mesmo. Compreender a orientação sexual como uma situação e não como uma opção ajuda e muito a respeitar o outro e desbaratar tantas atitudes chamadas homofóbicasque tem feito muitas pessoas sofrerem. Acredito que todos estamos concordes em não aceitar a violência contrapessoas.

Peço que o PNE em nosso município saiba encontrar estruturas que eduquem não só para o respeito, mas principalmente para amor-doação. A nossa sexualidade é dom de Deus e o sermos seres sexuados é que nos faz capazes de amar. Educar para virtude da castidade também é importante, pois esta virtude libera o amor de manifestações egoístas. Peço que se tenha cuidado para não reduzir a educação sexual a educação genital. A nossa sexualidade é muito mais que genitalidade.

Obrigado pela atenção.

†Edmilson Amador Caetano, O.Cist.

Bispo diocesano de Guarulhos‘”

Fonte: www.ofielcatolico.com.br

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