Combate às seitas protestantes

Seitas

Os bispos latino-americanos, reunidos com o Papa João Paulo II em Santo Domingo, em outubro de 1992, reconheceram que o avanço das seitas é um sério desafio para o catolicismo na América Latina, e recomendam “instruir amplamente o povo, com serenidade e objetividade, sobre as respostas que devem dar às injustas acusações contra a Igreja Católica”.

Já no primeiro século São Pedro escreveu aos fiéis, advertindo-os: “Assim como entre o povo ( de Israel ) houve falsos profetas, do mesmo modo haverá também entre vós doutores, que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas. Eles, renegando assim o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão nas sua desordens e serão deste modo a causa de o caminho da verdade ser caluniado…”( II Pd 2,1 -2).

Para ajudar o povo católico a defender-se destas injustas acusações, e saber rechaçá-las, fornece-lhes este livrinho as respostas bíblicas na sua verdadeira interpretação, baseada na tradição apostólica. Com isso queremos colaborar na realização do ardente desejo de Jesus:

“Para que todos sejam um, como Tu, Pai, em Mim e Eu em Ti; para que o mundo creia que Tu Me enviaste”( Jo 17,21-22 ) e “que haja só rebanho e um só Pastor”( Jo 10,16 ).

Além disso, o livrinho tenta promover a catequese dos adultos e uma pastoral em prol da vivência religiosa mais autêntica.

O Autor

1. VENERAÇÃO DE IMAGENS

ACUSAÇÃO: Os católicos praticam a idolatria, fazendo e adorando imagens, o que Deus, proíbe na Bíblia, dizendo; “Não farás para ti escultura alguma do que está em cima nos céus, ou abaixo sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra”( Ex 20,4).

RESPOSTA: O mesmo Deus, no mesmo livro do Êxodo, manda Moisés fazer dois querubins de ouro e colocá-los por cima da Arca da Aliança ( Ex 25,18-20 ). Manda-lhe, também fazer uma serpente de bronze e colocá-la por cima duma haste, para curar os mordidos pelas serpentes venenosas ( Num 21,8-9 ). Manda, ainda, a Salomão enfeitar o templo de Jerusalém com imagens de querubins, palmas, flores, bois e leões ( I Reis 6,23-35 e 7,29 ), etc.

Seria uma grave blasfêmia desses “crentes” considerar Deus como incoerente, já que num lugar da Bíblia manda fazer imagens, esquecido que no outro lugar o teria proibido! Ora, os primeiros cristãos martirizados aos milhares porque se recusaram a adorar imagens de deuses falsos, estudaram a Bíblia com mais atenção e respeito. Eles não tiravam esses trechos proibitivos de seu contexto e, comparando-os com outros, ficaram convencidos de que Deus proíbe apenas fazer imagens de deuses falsos, e adorá-los, ¾ como o faziam os vizinhos pagãos, ¾ mas Ele não proíbe fazer outras imagens.

Eis o verdadeiro sentido desta proibição bíblica, no seu contexto: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de minha face. Não farás para ti escultura alguma do que (daqueles deuses, que na errada imaginação dos pagãos) está em cima nos céus, ou abaixo sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles e não lhes prestarás culto, (à imitação dos pagãos) ( Ex 20,2-5). Esta proibição, intencionada por Deus, repete-se em vários lugares da Bíblia, como por ex. “Não adores nenhum outro deus”( Ex 34,14 ) ou “Não farás para ti deuses fundidos”( Ex 34,17).

Por isso os primeiros cristãos pintaram nas catacumbas muitas imagens das cenas bíblicas do Antigo e Novo Testamento e legaram, para a veneração dos séculos posteriores, as imagens de Cristo-Sofredor, na toalha de verônica, e no sudário sepulcral, guardado em Turim, na Itália.

Alguns santos dos primeiros séculos afirmavam que as imagens da Bíblia, da Via Sacra, de Jesus crucificado e dos Santos são o único “livro” que também os pobres e analfabetos entendem e aproveitam. Isso vale, ainda hoje, para milhões de pessoas.

O sentido da veneração das imagens, segundo a tradição dos Apóstolos, está resumido nesta bênção de imagens do Ritual Católico:

“Deus eterno e todo-poderoso, não reprovais a escultura ou a pintura das imagens dos santos, para que à sua vista possamos meditar os seus exemplos e imitir as suas virtudes. Nós pedimos que abençoeis e santifiquei esta(s) imagem (s), feita (s) para recordar e honrar o vosso Filho Unigênito e nosso Senhor Jesus Cristo ( ou: o (s) Santo (s) NN. Concedei a todos os que diante dela (s) desejarem venerar e glorificar o vosso Filho Unigênito ( ou: o (s) Santo (s) NN), que por seus merecimentos e intercessão, alcancem no presente a vossa graça e, no futuro, a glória eterna. Por Cristo, nosso Senhor Amém”.

As Imagens, Por quê? O culto às imagens hoje em dia é muito discutida. As igrejas protestantes dizem se tratar de idolatria. Vejamos: O livro do Êxodo proíbe aos israelitas a confecção de imagens. Por quê? Porque poderiam dar a oportunidade dos israelitas imitarem os povos pagãos. Mas essa proibição não era de tudo. Deus mesmo mandou a confecção de Imagens. Não acredita, vejamos: EX 25,17-22: “Igualmente farás um propiciatório, de ouro puro; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio. Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. Farás um querubim numa extremidade e outro querubim na outra extremidade; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele. Os querubins estenderão as suas asas por cima do propiciatório, cobrindo-o com suas asas, tendo as faces voltadas um para o outro; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório. E porás o propiciatório em cima da arca; e dentro da arca porás o testemunho que eu te darei. E ali virei a ti, e de cima do propiciatório, do meio dos dos querubins que estão sobre a arca do testemunho, falarei contigo a respeito de tudo o que eu te ordenar no tocante aos filhos de Israel.” É Deus mandou a construção de dois querubins… Por isso a Bíblia costuma dizer que “Javé está sentado sobre os querubins” (cf 1sm 4,4; 2Sm 6,2; Rs 10,15; Sl 79,2; 98,1). Existem outras leituras que eu aconselho a fazer para um melhor esclarecimento. Abaixo vão as leituras e uma breve descrição: 1 Rs 6,23-28: O texto menciona os querubins postos junto à Arca da Aliança no Templo de Salomão. 1Rs 6,29s: As paredes do Templo de Salomão foram revestidas de imagens de querubins. Nm 21,4-9: O Senhor Deus mandou confeccionar a serpente de bronze para curar o povo mordido por serpentes. 1Rs 7,23-26: O mar de bronze colocado à entrada do palácio de Salomão era sustentado por 12 bois de metal. 1Rs 7,28s: Havia entre os ornamentos do palácio de Salomão imagens de leões, touros e querubins. Os próprios judeus compreenderam que a proibição de fazer imagens era condicionada por circunstâncias transitórios, de modo que aos poucos foram introduzindo o uso de imagens nas suas sinagogas. Vide o caso, por exemplo, da famosa sinagoga de Dura-Êuropos, na Babilônia, na qual estavam representados Moisés diante da sarça ardente, o sacrifício de Abraão, a saída do Egito e a visão de Ezequiel. Já é o suficiente???? Não, então tem mais…. Pelo ministério da Encarnação, sabemos que Deus quis dirigir-se aos homens por meio da figura humana de Jesus, o Messias. Este, por sua vez, quis ilustrar as realidades invisíveis através de imagens, inspiradas pelas coisas visíveis: assim, utilizou parábolas e alegorias que se referiam aos lírios do campo, à figueira, aos pássaros do céu, ao bom pastor, à mulher que perdeu sua moeda, ao filho pródigo… Mais: a evolução dos povos, que foram aprimorando sua cultura, tornou menos sedutora a prática da idolatria. Isso tudo fez com que os cristãos compreendessem que a proibição de fazer imagens já cumprira seu papel junto ao povo de Israel; doravante prevaleceria a pedagogia divina exercitada na Encarnação, que levava os homens a passar das coisas visíveis ao amor pelas invisíveis. A meditação acerca das fases da vida de Jesus e a representação artística das mesmas tornaram-se recursos através dos quais, o povo fiel procurou se aproximar do Filho de Deus. Em conseqüência, os antigos cemitérios cristãos (catacumbas) foram decorados com diversos afrescos, geralmente inspirados em textos bíblicos: Noé salvo das águas do dilúvio, os três jovens na fornalha cantando, Daniel na cova dos leões, os pães e os peixes restantes da multiplicação feita por Jesus, o Peixe – Ichthys -, que simbolizava o Cristo… Nas igrejas, as imagens tornaram-se a Bíblia dos iletrados, dos simples e das crianças, exercendo função pedagógica de grande alcance. É o que notaram alguns escritores cristãos antigos: “O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente” (São Gregório de Nissa, século IV). Brigas na casa de Deus!!! Nos séculos VIII e IX, verificou-se na Igreja uma disputa em torno do uso das imagens – a luta iconoclasta. Por influência do judaísmo, do islamismo, de seitas e de antigas heresias cristológicas, muitos cristãos do Oriente puseram-se a negar a legitimidade do culto das imagens. Os imperadores bizantinos tomaram parte na querela, mais por motivos políticos do que por razões religiosas. A controvérsia foi levada ao Concílio de Nicéia II (787); este, com base nos raciocínios de grandes teólogos como São João Damasceno, reafirmou a validade do culto das imagens; culto de veneração, e não de adoração, é preciso ressaltar. O culto das imagens é, portanto, relativo; só se explica na medida em que é tributado indiretamente àqueles representados pelas mesmas…

2. BATISMO

ACUSAÇÃO: O batismo dos católicos não é válido! Só os adultos que crêem podem receber validamente o batismo, que só vale por imersão!

RESPOSTA: Onde estão provas bíblicas para esta afirmação? Não existem!

a) Alguns “crentes” afirmam que Jesus foi batizado no rio Jordão por imersão. Mas, os Evangelhos não falam disso! Pode ter sido batizado como o apresentam antigas estampas: ficando com os pés no rio, enquanto S. João lhe derramava a água, com a mão, na cabeça. Na verdade, o modo de molhar o corpo com a água não tem importância! Senão seria prescrito!

b) Outros afirmam que “baptizare, em grego, significa “imergir na água”, logo… Os biblistas, porém, documentam que em várias passagens da Bíblia esta palavra significa, igualmente, “lavar” ou “molhar” na água as mãos, os dedos, os pés etc. São Paulo usa esta palavra em 1 Cor 10,2: “Todos ( os Israelitas ) foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar “.(- como símbolo do batismo cristão ). Sabemos, porém, que este batismo não aconteceu por imersão pois os Israelitas junto com todas as crianças, passaram o mar vermelho a pé enxuto, tocando a areia úmida do mar. Quem tomou o “batismo por imersão”, foram os soldados egípcios! E todos pereceram! (Ex.14,19-20). No batismo vale mais a fé em Deus e a obediência a seu legítimo representante do que a maneira de aplicar a água.

c) Alguns textos bíblicos indicam o batismo feito por imposição. Em At 8,36-38 lemos sobre o batismo do eunuco etíope, feito pelo diácono Filipe, no Caminho entre Jerusalém e Gaza, onde não existe nenhum rio ou lagoa, em que seria possível batizá-la por imersão. Há apenas pequenas nascentes.

At 9,18-19 relata o batismo de Saulo convertido numa casa de Damasco. Não havia piscina nem tempo para batismo por imersão; pois, lemos: “Imediatamente lhe caíram dos olhos como escamas, e recuperou a vista. Levantando-se, foi batizado, e tomando alimento, recuperou as forças.”

Igualmente em Filipos ( At 16,33 ) S. Paulo batizou o carcereiro convertido: “Naquela hora da noite ( o carcereiro ) lavou-lhe as chagas e imediatamente foi batizado ele e toda sua família”. E nos cárceres romanos não havia piscinas!

d) Como no caso acima, assim também na ocasião do batismo de Lídia e de Estéfanas, S. Paulo menciona que Lídia recebeu o batismo “com todos os de sua casa “( At 16, 14-15 ) e “batizei a família de Estéfanas” (1 Cor 1,16 ), onde, certamente, não faltavam criançaspequenas.

O próprio Jesus afirma a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo, que quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino de Deus”. Para os primeiros cristãos esta regra valia igualmente para as crianças. Por isso Santo Ireneu ( que viveu entre 140 a 204 ) escreveu: “Jesus veio salvar a todos os que através dele nasceram de novo de Deus: os recém-nascidos, os meninos, os jovens e os velhos”( Adv. Haer. livro 2 ).

Orígenes ( 185 255 ) escreve: “A igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de dar batismo aos recém-nascidos”. ( Epist. ad Rom. Livro 5,9 ) . E.S. Cipriano em 258 escreve: “Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças”. ( Carta a Fido ).

e) Na “Nova e Eterna Aliança” o batismo substituiu a circuncisão da “Antiga Aliança”, como rito da entrada para o povo escolhido de Deus. Ora, se o próprio Deus ordenou a Abraão circuncidar os meninos já no 8° dia depois do nascimento, sem exigir dele uma fé adulta e livre escolha, então não seria lógico recusar o batismo às crianças dos pais cristãos, por causa de tais exigências.

Por isso a Igreja Católica recomenda batizar as crianças dentro do primeiro mês, após o nascimento.

Mesmo que as seitas não dêem valor à Tradição Apostólica, cada homem honesto reconhece que os cristãos dos primeiros séculos conheciam muito bem e observavam zelosamente a doutrina e as práticas religiosas recebidas dos Apóstolos.

3. CONFISSÃO

ACUSAÇÃO : Os católicos confessam-se com os padres, que também são pecadores; os crentes confessam-se somente com Deus! – porque lemos na Bíblia: “Quem pode perdoar os pecados, senão só Deus? ( Mc 2,7 ).

RESPOSTA: Quem negava a Jesus o poder de perdoar os pecados, e até o taxava de blasfemador, eram os orgulhosos escribas. Jesus, porém, lhes respondeu ( Mc 2,10 ): “Para que saibas que o filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados …” Jesus curou o paralítico perdoado, à vista deles.

Este poder de perdoar os pecados, Jesus o confiou aos homens pecadores, aos Apóstolos e seus legítimos sucessores, no dia mais solene, da sua Ressurreição, quando lhes apareceu e disse ( Jo 20,21-23 ) : “Assim como meu Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes:“Recebei o Espírito Santo. Àquele a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos”.

Não resta dúvida que sopro de Cristo ressuscitado e as palavras: “recebei o ( dom do ) Espírito Santo…” expressam claramente que os Apóstolos não obtiveram o poder de perdoar os pecados em virtude de sua santidade ou impecabilidade, mas como um dom especial, merecido por Cristo e a eles conferido, em favor das almas, remidas pelo seu sangue derramado na cruz.

Daí dizer: “Eu não me confesso com os padres, porque eles também são pecadores, demonstra igual insensatez, como afirmar: “Eu não vou, com minha doença procurar conselho e remédio dos médicos, porque eles também ficam doentes”.

Por isso os Católicos, mesmo que sejam papas, cardeais e reis, dobram humildemente suas cabeças diante de tão claras palavras de Jesus e confessam seus pecados diante dum simples sacerdote, para receber o perdão de Deus.

Os outros crentes, porém, preferem ignorar estas palavras de Jesus, e desprezar o grande dom de Jesus, no sacramento da Penitência. Para motivar este procedimento, procuram na Bíblia vários textos no sentido: “Convertei-vos… fazei penitência… arrependei-vos, para que os vossos pecados sejam perdoados,… para que sejais salvos”.

Ninguém duvida de que o sincero arrependimento dos pecados, com firme propósito de não pecar mais, e satisfação feita a Deus e aos prejudicados, eram no Antigo Testamento condições necessárias e suficientes para obter perdão de Deus. O mesmo vale ainda hoje para todos os que desconhecem Jesus e seu Evangelho: para os que não têm nenhuma ocasião de se confessar: e são ainda condições necessárias para obter perdão na boa Confissão. Mas quem no seu orgulho não acredita na veracidade e obrigatoriedade das palavras de Cristo Ressuscitado, com as quais ele instituiu o sacramento da Penitência, e por isso não quer se confessar, dificilmente receberá perdão!

Cada pecado é um ato de orgulho e desobediência contra Deus. Por isso “Cristo se humilhou e tornou-se obediente até a morte, e morte na cruz” ( Flp 2,8) para expiar o orgulho e a desobediência dos nossos pecados, e nos merecer perdão. Por isso ele exige de nós este ato de humildade e de obediência, na Confissão sacramental, na qual confessamos os nossos pecados diante do seu representante, legitimamente ordenado. E, conforme a sua promessa: “Quem se humilha, será exaltado e quem se exalta, será humilhado”( Lc 18,14 ).

Alguns “crentes” aliciam os católicos para sua seita com a promessa de que, depois do batismo (pela imersão) estarão livres de qualquer pecado e nem poderão mais pecar! Conseüuentemente, não precisarão mais de nenhuma Confissão). Apóiam esta afirmação nas palavras bíblicas de I Jo 3,6 e 9 : “Quem permanece Nele, não peca, não o viu, nem o conhece” e “Todo aquele que é gerado por Deus, não comete pecado, porque nele permanece o germe divino ( a graça santificante)”.

Em Resposta, lembro o princípio bíblico de que entre as verdades bíblicas, reveladas por Deus, não pode haver contradições. Por isso, as palavras menos claras, devem ser esclarecidas por palavras mais claras ou pela autoridade estabelecida por Deus ( Magistério da Igreja ). Ora, o próprio João Apóstolo escreve em ( I Jo 1,8-10 ): “Se dissermos que não temos pecado algum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, enos perdoa os nossos pecados , e nos purifica de toda a iniqüidade. Se dissermos que não temos pecado, taxamo-Lo de mentiroso, e sua palavra não está em nós.”

Por isso a Tradição Apostólica interpreta as palavras de I Jo 3,9: “Todo aquele que é gerado por Deus não peca”, no sentido de não deve pecar gravemente”, já que possuindo a graça de Deus , tem suficiente força para vencer as tentações. Enquanto as claras palavras em I Jo 1,8-10 falam dos pecados leves – veniais; sendo somente Maria Imaculada livre de qualquer mancha do pecado original e pessoal, em previsão dos méritos antecipados de Jesus Cristo que a escolheu por sua Mãe.

Portanto, todos os homens adultos necessitam de Misericórdia divina; e os sinceros seguidores da Bíblia recebem-na, agradecidos, no sacramento da confissão.

4. A COMUNHÃO

ACUSAÇÃO: Por que os católicos comungam somente sob as espécies do Pão, e os protestantes sob espécie de Pão e Vinho, como Jesus fez na última ceia?

RESPOSTA: A diferença entre católicos e protestantes é essencial, e bem maior do que parece:

A) – Os protestantes desligaram-se da sucessão dos Apóstolos, por isso seus pastores não recebem o sacramento da ordenação sacerdotal e não têm nenhum poder espiritual a mais do que seus fiéis. Portanto, eles “presidem” apenas “a ceia”, como memória – recordação da ÚLTIMA CEIA de Jesus. E nela comem simples pão e bebem simples vinho, acreditando que, por esta piedosa recordação, Cristo lhes comunica sua graça e o seu amor.

B) – Os sacerdotes Católicos recebem no Sacramento da Ordem, o sacerdócio ministerial, (realmente distinto do sacerdócio comum dos fiéis, recebido no batismo), pelo qual realizam na Santa Missa o duplo efeito 1° – celebram a última Ceia de Jesus ; 2°- ( Dentro desta comemoração, fazem o que Jesus fez nela antecipadamente):tornam, presente ( aqui e agora ) o sacrifício de Jesus na Cruz, consumado pela separação do sangue esgotejado do corpo, simbolizado pela consagração separada de pão e de vinho. É isto que Jesus ordenou aos Apóstolos e seus legítimos sucessores no sacerdócio, com as palavras: “Fazei isto em memória de Mim!” (Lc22,19).

Este sacrifício de Jesus na cruz, perpetuado em cada Santa Missa (que falta aos protestantes) ¾ sendo a principal fonte de toda as graças ¾ é de máxima importância. Por isso todos os católicos têm a grave obrigação, pelo 1° Mandamento da Lei da Igreja, de participar da Missa inteira nos domingos e festas de guarda( quando há possibilidade).

C) – As provas bíblicas sobre a real presença de Jesus na Eucaristia são as seguintes:

a) Os Evangelhos foram escritos na língua grega, de alta cultura, em que existem muitas expressões para os verbos “simbolizar, significar, representar, lembrar, etc.” No entanto, os três Evangelistas e S. Paulo, ao descreverem a Última Ceia de Jesus, usam exclusivamente a palavra “é”: Isto é o meu Corpo: este é o cálice do meu sangue”. ( Mt 26,26s; Mc 14,22s; Lc 22,19s; I Cor 11,23s.

b) Jesus falava ao povo simples, com palavras claras e compreensíveis. Quando usava comparações, p.ex.: “Vós sois o sal da terra: Vós sois a luz do mundo “; ninguém reclamava, e não esperava ver os Apóstolos transformados em imagens de sal ou de luz. Quando, porém, Jesus lhes disse: “Este é o pão que desceu do céu, se alguém comer deste pão, viverá eternamente: e o pão que eu vos darei é a minha carne ( imolada ) pela vida do mundo”. (Jo 6,50- 51 ) ¾ então os judeus o entendem verbalmente e reclamam dizendo: “Como pode Ele dar-nos a comer sua carne?” E Jesus reafirma: “Em verdade, em verdade Eu vos digo: se não comerdes a carne do filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós… pois a minha carne é um verdadeiro alimento e o meu sangue é uma verdadeira bebida.Quem come deste pão viverá eternamente “( Jo 6,52-58 ) . Até muitos discípulos seus o entenderam assim verbalmente, e por isso murmuraram e se retiraram dizendo: “É dura tal linguagem; quem pode escutá-la? (Jo 6,60-66). Mas Jesus não se retrata, para os recuperar. Pelo contrário, pergunta aos doze apóstolos: “Também vós quereis partir?” E então Simão Pedro dá a bela resposta da fé, em nome dos Apóstolos e de todos os fiéis católicos: “Para quem iremos nós, Senhor? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós cremos e sabemos que és o Santo de Deus”. ( Jo 6,67-71). Porém, somente na Última Ceia foi revelada a maneira de alimentar-se com o Corpo e o Sangue de Jesus, velado sob espécies de pão e vinho consagrados.

c) Outra prova bíblica sobre a verdadeira presença de Jesus na Eucaristia, são as admoestações de S. Paulo aos Coríntios: “E por isso, todo aquele que comer o pão ou beber do cálice do Senhor indignamente, torna-se culpado do corpo e do sangue do Senhor… Pois quem come e bebe sem fazer distinção de tal corpo, come e bebe a própria condenação”. ( I Cor 11,27-29 ).

e) A comunhão sob uma ou duas espécies não constitui essencial diferença já que em cada pedacinho de pão e em cada gota de vinho consagrados recebemos Jesus inteiro, vivo e ressuscitado; como consta claramente de suas palavras ( Jo 6,51-56 ): “Eu sou o pão vivo que desceu do céu … e o pão que Eu hei de dar é a minha carne… Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em Mim e Eu nele”. Claro, não é um pouquinho de carne ou sangue que recebemos na santa Comunhão, mas o “EU” de Jesus: a Pessoa do Filho de Deus Encarnado ¾ nosso Salvador.

Por isso os primeiros cristãos costumavam levar aos encarcerados pela fé, somente o pão consagrado; e aos doentes que não conseguem engolir um pedacinho da hóstia consagrada, a Igreja recomenda administrar algumas gotas do vinho consagrado. E em grupos, menores e bem preparados, pode-se administrar a Santa Comunhão sob duas espécies. O que mais importa é a viva fé, humildade e piedade diante deste Santíssimo Sacramento do Amor! Daí, o 3º Mandamento da Lei da Igreja nos obriga: Comungar ao menos uma vez por ano, pela Páscoa da Ressurreição; e recomenda fazê-lo em cada santa Missa!

Que pena que pela falta de fé no poder e no amor infinitos de Jesus, tantos “crentes” se afastaram desta “árvore da vida”, presente entre nós até ao fim do mundo, ¾ na Eucaristia; apesar de suas palavras claras: “Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós” ( Jo 6,53).

5. CASAMENTO – SACRAMENTO INDISSOLÚVEL?

ACUSAÇÃO: Por que a Igreja católica proclama o matrimônio como sacramento indissolúvel? Os outros crentes adotam simplesmente a lei civil sobre o casamento e o divórcio. Qual é o ensinamento da Bíblia?

RESPOSTA: a) A Bíblia não deixa nenhuma dúvida a respeito da indissolubilidade do matrimônio, como consta de Mt 19,3-9. Nesta disputa com os fariseus acostumados a repudiar facilmente as suas mulheres, Jesus lhes responde: “Não lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e disse: ¾ Por isso deixa o homem pai e mãe e une-se com sua mulher e os dois formam uma só carne? … Não separe, pois, o homem o que Deus uniu”. Acrescentaram eles:

¾ “Então, por que Moisés mandou dar-lhes libelo de repúdio e despedi-la? Respondeu-lhes Jesus: ¾ Por causa da dureza do vosso coração, permitiu-vos Moisés repudiar as vossas mulheres, mas no princípio não era assim”. ¾ E agora, com a autoridade do divino Legislador, Jesus restabelece a ordem primitiva, declarando: “Ora, Eu vos digo: ¾ Todo o que despedir a própria mulher, salvo o caso de concubinato, ( e não de adultério, como traduzia-se erradamente), e casar-se com outra, comete adultério; e quem casar-se com uma repudiada, comete adultério”.

Em I Cor 7,10-11 S. Paulo reafirma a indissolubilidade domatrimônio escrevendo: “Aoscasados mando ( não eu, mas o Senhor ) que a mulher não se separe do marido. E, se ela estiver separada, que fique sem casar, ou se reconcilie com seu marido. Igualmente o marido não repudie sua mulher”. Portanto, segundo as expressas declarações da Bíblia, não há mais lugar para o divórcio e novo casamento, entre os cristãos casados.

b) Sacramento. Na carta aos Efésios ( Ef 5,25-33 ), São Paulo recomenda aos maridos amarem suas esposas, “como Cristo amou sua Igreja e se entregou a si mesmo por ela, a fim de a santificar… para que seja santa e irrepreensível”, ¾ e acrescenta: ¾ “Esse mistério (= sacramento) é grande, quero dizer, comreferência a Cristo e a Igreja.

Por esse mistério ( sacramento ) o contrato natural do matrimônio, e a convivência cotidiana do casal cristão, representando e encarnando o amor fecundo de Cristo à sua Igreja, é elevado a uma nova dignidade e realidade transcendental, ou ao plano sacramental.

É verdade que nos primeiros séculos, nos tempos da perseguição, o sacramento do matrimônio não tinha ainda fórmulas prescritas, e era contraído no ambiente familiar; mas a Igreja Católica nunca o entregou às autoridades civis do Estado, ( como fazem muitos “crentes”), e depois prescreveu em pormenores as exigências para sua válida celebração na Igreja .

c) Mesmo que a Igreja Católica nunca aprove o divórcio, em alguns casos o tribunal Eclesiástico do Matrimônio pode declarar a nulidade dum “matrimônio”,quando depois de séria investigação fica provado que, na celebração de tal “casamento” na igreja, faltaram condições essenciais para sua validade, exigidas pela lei da Igreja, ( idade, liberdade, etc. ). Isso não é concessão do divórcio, mas apenas uma declaração de que ¾ apesar da cerimônia religiosa, ¾ o tal “matrimônio” não era validamente contraído, isto é, nunca se realizou.

d) Para todos os casados vale a exortação bíblica da carta aos Hebreus: “Seja por todos honrado o matrimônio, e o leito conjugal sem mácula; porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros” ( Hb 13,4 ).

6 – CASAMENTO DOS PADRES?

ACUSAÇÃO:Por que os Padres católicos não se casam? Assim haveria mais vocações e menos escândalos. A própria Bíblia o recomenda em I Tim 3,2: “É necessário que o bispo seja irrepreensível; que tenha casado com uma só mulher…”

RESPOSTA: S. Paulo não era casado. ( veja I Cor 7,8 ). Numa das suas cartas ele recomenda: “Sejam meus imitadores, como eu sou de Cristo”. Escrevendo, pois, aTimóteo, que também era bispo celibatário, não lhe podia aconselhar casamento. Porém, por falta de candidatos celibatários para a função episcopal ( naquela época! ), ele lhe recomenda escolher também homens casados ¾ virtuosos. Daí na sua carta ( I Tim 3,2 ) ele não coloca acento nas palavras : “que seja casado”…, mas nas palavras:…com uma só mulher… ¾ e não com duas ou três, mesmo que sucessivamente, ¾ o que seria sinal de moleza e muita paixão, deixando pouco zelo e dedicação para Deus e as almas. Em I Cor 7,32-33 S. Paulo apresenta os argumentos em favor do celibato: “O que está sem mulher, está cuidadoso das coisas que são do Senhor, como há de agradar a Deus. Mas o que está casado, está cuidadoso das coisas que são do mundo, como há de dar gosto à sua mulher”.

A Igreja Católica reconhece que a exigência do celibato dos padres não é lei divina, mas de lei eclesial, que em circunstâncias especiais poderia ser abolida, mas opta pela maior perfeição, já que por este motivo os Apóstolos de Jesus deixaram a convivência matrimonial e familiar, para se dedicar inteiramente à propagação do Reino de Deus, ¾ como consta de Lc 18,28-30: “Disse depois Pedro: “Eis que nós deixamos tudo que nos pertence para te seguir”. Ele respondeu-lhes; “Em verdade vos digo, não há ninguém que tenha deixado casa, mulher, irmãos, pais ou filhos, por causa do reino de Deus, que não receba o múltiplo no tempo presente, e no século que há de vir, a vida eterna”.

Assumindo livremente o celibato, o sacerdote imita a maneira de viver de Jesus ¾ celibatário, ¾ inteiramente dedicado às coisas do Pai e de seu Reino.

7 – O PAPA

OBJEÇÃO: O Papa é a predita besta do apocalipse! Pois em Ap 13,18 lemos: “quem tem inteligência, calcule o número da besta, porque é número de homem: este número é 666”. Ora, o Papa é chamado “Vigário do Filho de Deus” o que se escreve em latim: Vicárius Filii Dei. Somando as letras que em latim tem valor de algarismos, dá a soma de 666!:

VICARIUSFILIIDEI|||||||||||||||51100¾¾15¾¾15011500¾1=666

RESPOSTA: A acusação mostra apenas insensatez e ódio dos acusadores contra S. Pedro e seus sucessores. vejamos:

a) O texto do Apocalipse ( Ap 13,18 ) exige que a Besta seja um homem, e não um cargo ( de chefes da Igreja católica ) ocupado até agora por 264 Papas. Seria muito mais razoável indicar como besta apocalíptica, um dos 18 reis da França com o nome LUÍS ( ou qualquer outro Luís ) que se escreve em Latim: Ludovicus, e que na contagem latina dá também a soma 666: ou ainda a doutora adventista Ellen Gould White mas, acusar estas pessoas, não interessa aos nossos acusadores!

LUDOVICUS|||||||505500511005=666ELLENGOULDWHITE|||||||||||||||¾5050¾¾¾¾5505005+5¾1¾¾=666

b) Além disso, nenhum Papa usou o título de “Vigário do Filho de Deus”. Costumam chamar-se “Servo dos servos de Deus”, “Bispos de Roma”, “Vigário de Jesus Cristo”, Patriarcas do Ocidente”, etc.

c) No mesmo capítulo Ap 13,6-8 e 15, João descreve a atuação desta Besta: ” A Besta abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar o seu nome, o seu tabernáculo e os que habitam o céu. Foi lhe permitido fazer que fossem mortos todos aqueles que não adorassem a imagem da besta”.

d) Cada livro da Bíblia foi escrito e destinado, em primeiro lugar, ao povo contemporâneo, da mesma época , e só em segundo lugar poderia conter alguma profecia, referente aos tempos futuros. Assim, João Evangelista escreveu o Apocalipse para os cristãos da Ásia Menor, perseguidos pelo cruel César Nero e seu sucessores, predizendo-se a vitória final de Cristo sobre eles. Ora, estes cristãos não entendiam, o latim, senão o grego e hebraico. ( E se por acaso descobrissem, na tradução latina, esta acusação contra o Papa, iriam rejeitá-la como calúnia diabólica; pois tanto São Pedro, como os 30 Papas dessa época, foram todos martirizados por sua fidelidade a Cristo).

Porém, eles facilmente calcularam o nome grego de Cesar Neron, em caracteres hebraicos, desta maneira, da direita para esquerda:

NVReN¾RaSeQ|||||||5062005020060100=666

Cesar Nero, sim, exigia para si as honras divinas e mandou matar os Apóstolos Pedro e Paulo e milhares de outros cristãos . O mesmo o faziam alguns de seus sucessores.

e) Para os verdadeiros cristãos o Papa era sempre o sucessor de S. Pedro, atribuindo-lhe as seguintes promessas de Cristo:

Mt 16,18: “Eu digo tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja.. A ti darei as chaves do Reino dos céus…”

Lc 22,31-32 “Simão, Simão, eis que satanás vos procurou para vos joeirar como trigo, mas Eu roguei por Ti, a fim que tua fé não desfaleça, e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos”.

Jo 21,15-17: “Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão filho de João, amas-me mais que estes? Respondeu-lhe ele: Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo! Diz-lhe Jesus:Apascenta os meus cordeiros…” ( Apesar da anterior negação de Pedro, predita por Jesus).

f) Para aqueles que ousam chamar o Papa de Anti-Cristo, que deve aparecer pelo fim do mundo, responde João Apóstolo na sua carta ( I Jo, 18-19 ): “O Anti-Cristo está para vir, mas digo-vos que já agora há muitos anticristos… Eles sairam de entre nós, mas não eram dos nossos; Porque, se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco”. É claro que S. João era sempre unido a S. Pedro e seus sucessores. Portanto o Anticristo sairá das fileiras que abandonaram a Igreja Apostólica.

IIa ACUSAÇÃO: Jesus nasceu pobre na gruta de Belém. Por que o Papa, em Roma, vive no rico palácio do Vaticano ao lado da rica basílica de São Pedro?

RESPOSTA: Numa parábola ( Mt 13,31-32 ) Jesus compara a sua igreja ( o Reino dos céus) como o grão de mostarda, que semeado cresceu e tornou-se grande árvore, e em ramos aninharam-se aves vindas de toda parte.

Assim na vida de Jesus, esta sementinha da Igreja, era constituída apenas da Sagrada Família; depois de 12 Apóstolos, discípulos e santas mulheres. Jesus andava com eles e ensinava o povo à beira do lago ou nos montes. Jesus não precisava de casas nem de dinheiro. Para o culto divino e público Jesus se servia de sinagogas e do magnífico templo de Jerusalém . Nunca Proferiu uma só palavra contra a riqueza e beleza do templo de Deus! ¾ Ao contrário, com energia expulsou os profanadores ( Mt 21,12) e ( Mc 12,42 ).

Quando este Reino de Cristo ( sua Igreja ) tornou-se uma “grande árvore”, abrigando um milhão de pássaros (= fiéis católicos), esta mesma Igreja necessita de muitos e grandes templos para o culto divino e muitos edifícios para a propagação e administração deste Reino de Deus visível na terra.

Como no governo, há prefeitos como prefeituras, presidente com palácios federais em Brasília, assim na Igreja há Bispos e párocos com igrejas e suas moradas. E há um Papa que preside toda Igreja. Dos departamentos do Vaticano com seus auxiliares, administra a Igreja de Cristo, residindo ali num modesto apartamento.

Além disso, os prefeitos, os governadores e presidentes cada um tem sua esposa e filhos, casas e propriedades, e quando morrem, deixam geralmente para os filhos e netos consideráveis heranças. O mesmo o fazem os pastores de seitas cristãs. O Papa, porém, a exemplo de Jesus, não tem para si nem mulher nem propriedade nenhuma. E quando morre, deixa apenas o bom exemplo e os ensinamentos para todos. Vive e morre pobre como Jesus.

IIIa ACUSAÇÃO:Em Roma vendem-se lembranças com fotografia e abenção do Papa, que ele nunca abençoou nem viu. Que exploração!

RESPOSTA: Como Jesus curou à distância o servo do centurião e a filha da mulher cananéia, sem contacto palpável ou visual ( Mt 8,13 e 15,28 ), assim também a benção do Papa age à distância, por sua intenção e vontade. E o valor destas lembranças não é o Papa, mas é destinado para boas obras.

Porém, uma verdadeira exploração é o dízimo cobrado ( no duro: 10% ) pelos pastores das seitas, em favor de suas famílias, mesmo não sendo eles nem sacerdotes do Antigo nem do Novo Testamento, e nem evangelizadores autorizados pelos Apóstolos e seus legítimos sucessores.

8-INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA

OBJEÇÃO: Os profetas proclamam a plena liberdade individual na interpretação da Bíblia. Por que a Igreja Católica não a permite?

RESPOSTA: a) O triste resultado da livre interpretação da Bíblia pelos protestantes é a divisão em milhares e milhares de seitas, contrária à vontade e oração de Jesus na Última Ceia: ( Jo 17,20-21 ) “Não rogo só por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam uma só coisa, assim como tu, ó Pai, estás em mim e eu em ti; também eles sejam um em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste”.

Outro lastimável efeito nestas seitas é a negação de alguns sacramentos e de muitas verdades importantes, contra a expressa ordem de Cristo: ( Mt 28,19-20)“Ide, pois, ensinar todos os povos.. ensinando-se a observar tudo o que vos mandei”.

A Igreja Católica zelava sempre para permanecer fiel e obediente à vontade de Cristo. Por isso, apesar de tantos séculos, tantas raças e línguas, guarda firmementea unidade e toda doutrina e todos os sacramentos recebidos de Jesus. Por isso já S. Paulo a chamava “Coluna e fundamento da verdade: ( I Tm 3,14-15 ).“Escrevo-te para que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e fundamento da verdade”.

O mesmo S. Paulo, zelando pela fidelidade doutrinal, exorta o bispo de Creta: ( Tt 1,5-9 ) “… É preciso que o bispo seja… aderindo firmemente à palavra fiel… para que possa exortar a sã doutrina e relutar os que a contradizem”.

b) Alguns protestantes argumentam em favor da livre interpretação da Bíblia com as palavras de S. Paulo ( II Tim 3,14-17 ): “Desde a infância você conhece as escrituras…Toda a Escritura divinamente inspirada é util para ensinar, para repreender, para corrigir, para formar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, apto para toda a obra boa”. Pois bem; claro mas a obra boa por excelência, recomendada por Jesus e igualmente por S. Paulo, repetidas vezes, é a união de todos os cristão na mesma Igreja ¾ O Corpo místico de Cristo, na mesma fé, na mesma doutrina e tradição apostólica. Pelo contrário, as divisões e seitas são a pior obra, nascida por uso leviano e lamentável abuso da Bíblia.

Escutemos, ainda, as claras advertências bíblicas da carta de S. Pedro: ( II Pd 1,20) “Sabei, porém antes de tudo, que toda profecia contida Escritura não será sujeita à interpretação particular “. E mais para frente ele escreve: (II Pd 3,16 ) “Nas quais ( cartas de S. Paulo) há algumas coisas difíceis, que os indoutos e inconstantes adulteram, como fazem com outras escrituras, para sua própria perdição”.

c) Comparação com a vida social organizada. Cada um de nós pode comprar livros medicinais, à vontade, e estudá-los. Mas somente os que estudaram a medicina na universidade e foram aprovados e diplomados como médicos, são autorizados a dar consultas e receitas, ou fazer operações nos hospitais. E ninguém de nós arriscaria submeter-se à operação do coração, por um “curioso” autônomo.

As mesmas regras valem na pilotagem dos aviões e navios. Todos podem ler os livros de engenharia e pilotagem: somente os pilotos aprovados e diplomados ficam autorizados a conduzí-los.

O mesmo vale na sociedade religiosa, organizada por Cristo, na sua Igreja: Todos são convidados a escutar a voz da consciência e a ler e meditar as Sagradas Escrituras. Porém em coisas mais importantes difíceis e duvidosas, Jesus deixou-nos os “médicos” e “pilotos” por Ele mesmo instruídos e autorizados para curar e guiar as nossas almas na difícil passagem para o porto da eternidade. Eles são os Apóstolos e seus sucessores, os papas e bispos católicos. Só eles têm a promessa de Cristo, de serem introduzidos pelo Espírito Santo em toda a verdade. ( Jo 16,13 ). Daí a garantia de Jesus: “quem vos ouve, a mim ouve; quem vos despreza, a mim despreza; e quem me despreza, despreza aquele que me enviou”. ( Lc 10, 16).

9- A BÍBLIA ¾ A ÚNICA FONTE DA FÉ?

OBJEÇÃO: Para os protestantes a Bíblia é a única fonte da fé e da revelação divina, enquanto os católicos reconhecem 3 fontes: A bíblia, a tradição apostólica e o magistério da Igreja. Quem tem razão?

RESPOSTA: A própria Bíblia não apresenta nenhum dos livros sagrados, e não afirma em nenhuma parte, ser ela a única fonte da fé e da Palavra de Deus. Pelo contrário, lemos nela que por muitos séculos Deus confiou oralmente a sua Palavra e Aliança a Noé e a Abraão, que pela tradição oral passava do pai para filhos por muitas gerações. ( Gen 4,8s e 15,18s ). Também Moisés recebeu a Palavra e a Aliança de Deus oralmente. E mesmo depois, quando escreveu os primeiros livros da Bíblia, guardados na Arca da Aliança, o ensinamento bíblico foi confiado ao sacerdote Aarão e seus filhos. ( Lev 10,8-11 )

Também Jesus não escreveu e não mandou escrever nenhum livro, mas escolheu, ensinou e autorizou oralmente os Apóstolos, ordenando-lhes: “Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, ensinar todos os povos… ensinando-os a observar tudo o que vos mandei”. ( Mt 28,18-20 )

Cumprindo esta ordem, os primeiros cristãos espalharam o Evangelho por tradição oral, em toda a parte, durante os primeiros decênios, como se pode ler nas seguintes cartas de S. Paulo:

( Tt 1,5 ) “Deixei-te em Creta para que regules o que falta e estabeleças presbíteros nas cidades, segundo as prescrições que te dei”. ( II Tm 2,1-2 ) “Tu, pois, meu filho, fortifica-te na fé que está em Jesus Cristo, e o que ouviste de mim diante de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam capazes de instruir a outros”.

( I Ts 2,13 ) “Não cessamos dar graças a Deus, porque ao receberdes a Palavra de Deus, que de nós ouviste, vós a recebestes não como palavra humana, e sim ¾ o que realmente é ¾ Como Palavra de Deus”.

( II Ts 2,15) “‘Conservai as tradições que aprendestes ou por nossas palavras ou por nossa carta”.

Sobre a autoridade de Pedro, reunido com os Apóstolos e presbíteros em Jerusalém ( o Magistério ), temos um claro testemunho em At 15,6-29): “Reuniram-se então os Apóstolos e presbíteros para examinar a questão ( da circuncisão dos pagãos convertidos ). E depois de ter discutido longamente, Pedro ergueu-se e disse: “… Tendo nós sabido que alguns, saindo do meio de nós, sem nenhuma ordem de nossa parte, vos perturbaram com discursos que agitaram as vossas almas,aprouve a nós, depois de nos termos reunido, escolher alguns homens e enviá-los a vós… que vos exporão as mesmas coisas de viva voz. Pareceu bem: ao Espírito Santo e a nós, de não vos impor mais nenhum outro peso…”

Esta autoridade Pedro tinha recebido de Jesus, quando lhe disse, ( Mt 16,18-19). “Eu te digo: tu és Pedro e sobre esta edificarei a minha Igreja.. a ti darei as chaves do Reino dos céus, e o que ligares na terra, ficará ligado nos céus; e o que desligares na terra, ficará desligado nos céus”. Em Jo 16,12-13 Jesus acrescentou a promessa: “quando vier o Espírito da verdade, guiar-vos-á por toda a verdade”.

Portanto: Logica e cronologicamente, Jesus:

1° -Escolheu, autorizou e enviou os Apóstolos, sob a presidência de Pedro, a evangelizar todos os povos, estabelecendo assim o Magistério da Igreja.

2°- Este ensinamento, oral e pelas cartas, foi transmitido pelos apóstolos, ¾ como Tradição Apostólica, ¾ aos bispos e presbíteros por eles escolhido e consagrados: ( Mt 1,5: II Tim 2,12, I Pd 5,1-2 ) .

3° – Somente depois de mais de 2 séculos, o Papa reunido com os Bispos em Concílio, com sua autoridade infalível, declarou uma parte destes escritos da Tradição, como Cânon de Livros Sagrados, ou Sagrada Escritura, ou Bíblia: reservando-se o direito e a obrigação de vigiar sobre sua autêntica interpretação,de acordo com a Tradição Apostólica.

Daí, quando os Católicos obedecem ao Magistério da Igreja, eles tem absoluta certeza de cumprir a Vontade de Deus; mesmo quando estão exercendo práticas que não estão claramente ensinadas na Bíblia, como por ex.: a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a devoção do santo Rosário, etc., ¾ ou quando deixam de lado muitas prescrições, que por motivos especiais, circunstanciais, obrigavam o povo de Israel no Antigo Testamento.

Os protestantes, porém , para os quais somente a Bíblia é a única fonte da Palavra de Deus, seriam ainda obrigados a cumprir todas as prescrições do Antigo Testamento, como por ex.:

Não acender fogo ( para cozinhar ) em nenhuma moradia, no sábado ( Ex. 35,3). Não semear diferentes espécies no mesmo campo ( Lev 19,19 ). Não semear e não colher nada, nos campos e na vinha, no ano sabático ( Ex 23,10-11 e Lev 25,3-5 ). Não comer os frutos das árvores durante os primeiros 3 anos ( Lev 19,23-25 ). Não comer sangue, nem carne com sangue ( Lev 17,10-14 e 19,26 ). Não comer coelho, lebre, porco e os demais animais “impuros” ( Lev 11,1-47 ). Punir de morte os blasfemadores, homicidas, adúlteros, homossexuais, os transgressores do sábado, os que tiverem amaldiçoado os pais, ou evocado os espíritos, etc ( Ex 35,1-3 e Lev 20,9-27: 24,10-23 ).

Qual a seita que está observando todas estas e outras prescrições do Antigo Testamento? E com que autoridade podem se desculpar desta não-observância?

10 – BÍBLIA – E SEITAS

PERGUNTA: A Bíblia aprova as seitas, ou as condena?

RESPOSTA: Condena! Já no Antigo Testamento ( Num 14,1-38 0 lemos como Moisés tinha enviado 12 príncipes ( um de cada tribo ) para explorar a Terra Prometida. Dez deles, depois de terem voltado, tinham feito murmurar todo o povo contra Moisés e Aarão, dizendo: Escolhamos um ( outro) chefe e voltemos para o Egito. Por castigo, os dez exploradores revoltados morreram feridos por uma praga, diante do Senhor, e todos os adultos Israelitas,(acima de 20 anos), “deixaram seus cadáveres apodrecer no deserto”. Somente os dois exploradores fiéis a Moisés, Josué e Caleb, entraram na Terra Prometida.

Semelhante castigo infligiu Deus a Coré, Datan e Abirão e seus 250 sectários, revoltados contra a autoridade de Moisés e Aarão. Os três foram engolidos pela terra, que se abriu na vista de todo, e os demais foram devorados pelo fogo caído do céu ( Num 16,1-35).

Para o povo da Nova aliança previu Deus o mesmo regime de um só governo, pela profecia de Daniel ( Dan 2,44 ): “No tempo desses reis ( do império Romano ), o Deus do céu suscitará um reino que jamais será destruído … e subsistirá para sempre”. Trata-se da Igreja Católica, confiada por Jesus a Pedro, e governada até hoje por seus sucessores, os Papas.

Em todos os livros Sagrados não encontraremos uma só frase favorável à divisão deste “Reino dos Céus”, da “Minha Igreja”( de Cristo), em seitas autônomas! Pelo contrário, lemos no evangelho de Jo 11,51-52 o oráculo divino: “Jesus devia morrer pela nação, mas também para que fossem reconduzidos à unidade os filhos de Deus dispersos”. Lamentavelmente, as seitas promovem o contrário: a dispersão!

Vejamos ainda outras passagens bíblicas do Novo Testamento sobre as seitas:

( At 20,28-31): Advertência na despedida de S. Paulo: “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue. Sei que depois de minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho. Mesmo dentre vós homens que hão de proferir doutrinas perversas, com o intento de arrebatarem após si os discípulos. Por isso, vigiai!”

( II Pd 2,1s ): “Assim como houve entre o povo ( de Israel) falsos profetas, assim haverá entre vós falsos doutores, que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas. Eles, renegando assim o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão nas sua desordens e serão deste modo a causa de o caminho da verdade ser caluniado. Movidos por cobiça, eles vos hão de explorar por palavras cheias de astúcia…”

( Gal 1,7-9 ): “De fato, não há dois ( Evangelhos): há apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho

Texto recebido por email de: Plínio César Costa Angeli

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