Com Ardente Preocupação: Nós acusamos Papa Francisco

Por Michael Matt, Christopher Ferrara & John Vennari
Declaração conjunta de The Remnant & Catholic Family News – Parte I de III.Tradução: Gercione Lima

19 de setembro de 2016

Festa de São Januário, no mês de Nossa Senhora das Dores

Sua Santidade:

A seguinte narrativa, redigida em nosso desespero como membros inferiores dentre os leigos, é porque nos sentimos no dever de levantar uma acusação contra seu pontificado, o qual tem sido uma calamidade para a Igreja em uma proporção que encanta até os poderes deste mundo. O evento culminante que nos impulsionou a tomar esta decisão foi a revelação da sua carta “confidencial” aos bispos de Buenos Aires autorizando-os, exclusivamente com base em seus próprios pontos de vista expressos na Amoris Laetitia, a admitir certos adúlteros públicos em “segundos casamentos” aos sacramentos da Confissão e da Santa Comunhão, sem qualquer firme propósito de emendar suas vidas pondo um fim às suas relações sexuais adúlteras.

Com isso, desafiaste as próprias palavras de Nosso Senhor condenando o divórcio e “novo casamento” como sendo adultério por si só, sem exceção, a admoestação de São Paulo sobre a pena divina para a recepção indigna do Santíssimo Sacramento, o magistério de dois de seus antecessores imediatos em linha com a doutrina moral bimilenária e a disciplina eucarística da Igreja enraizada na Revelação divina, o Código de Direito Canônico e toda a Tradição.

Como se não bastasse, já provocaste uma fratura na disciplina universal da Igreja, com alguns bispos optando por mantê-la apesar da Amoris Laetitia, enquanto outros, incluindo aqueles em Buenos Aires, já estão anunciando uma mudança baseados unicamente na autoridade de sua escandalosa “exortação apostólica”. Nada parecido com isso jamais aconteceu na história da Igreja.

No entanto, quase sem exceção, os membros conservadores da hierarquia observam um silêncio político, enquanto os liberais exultam manifestando publicamente seu triunfo, graças ao senhor. Quase ninguém na hierarquia se levanta em oposição ao seu inconsequente descaso pela sã doutrina e prática da Igreja, embora muitos murmuram privadamente contra suas depredações. Assim, como foi durante a crise ariana, cabe agora aos leigos defender a fé em meio a uma deserção quase universal e prevaricação por parte dos hierarcas.

Naturalmente que somos quase um nada no esquema das coisas, mas ainda assim como membros leigos batizados do Corpo Místico, somos dotados do direito dado por Deus e pelo dever correlato, entesourados na lei da Igreja (cf. cân. 212), de nos comunicarmos com o senhor e com os nossos irmãos católicos sobre a crise aguda que o seu governo na Igreja tem provocado em meio a um estado já crônico de crise eclesial após o Concílio Vaticano II.

Súplicas privadas se provaram totalmente inúteis, pois como explica a nota abaixo, estamos publicando este documento para descarregar nossa consciência da carga pesada em face do grave dano que o senhor já provocou e ameaça ainda mais infligir sobre as almas e a comunidade eclesial e exortamos aos nossos irmãos Católicos se levantarem em oposição de princípio ao seu contínuo abuso do ofício papal, especialmente no que diz respeito ao ensino infalível da Igreja contra o adultério e a profanação da Eucaristia.

Ao tomar a decisão de publicar este documento fomos guiados pelo ensino do Doutor Angélico em uma questão de justiça natural na Igreja:

“Deve-se observar, contudo, que se a fé estiver em perigo, um subalterno deveria repreender seu prelado, mesmo publicamente. Daí Paulo, que estava sujeito a Pedro, o repreendeu em público, por causa do perigo iminente de escândalo sobre a fé e, como o brilho de Agostinho diz em Gálatas 2:11, “Pedro deu um exemplo aos superiores, que, se, em qualquer época acontecer deles se desviarem do caminho reto, eles não devem menosprezar serem repreendidos por seus súditos ‘ “. [Summa Theologiae, II-II, Q. 33, Art 4]

Temos sido guiados também pelo ensinamento de São Roberto Belarmino, Doutor da Igreja, no tocante à resistência lícita a um Romano Pontífice rebelde:

“Portanto, assim como é lícito resistir ao Pontífice que agride o corpo, assim também é lícito resistir ao que agride as almas, ou que perturba a ordem civil, ou, sobretudo, aquele que tentasse destruir a Igreja. Digo que é lícito resistir-lhe não fazendo o que ordena e impedindo a execução de sua vontade;…. “[De Controversiis sobre o Romano Pontífice, Bk. 2, cap. 29].

Os católicos de todo o mundo, e não apenas “tradicionalistas,” estão convencidos de que a situação imaginada hipoteticamente por Roberto Belarmino é hoje uma realidade. E essa convicção é a razão deste documento.

Que possa Deus ser o juiz da retidão de nossas intenções.

Michael J. Matt

Editor, The Remnant

Christopher A. Ferrara

Colunista do The Remnant e Catholic Family News

John Vennari

Editor, Catholic Family News

LIVRO DE ACUSAÇÃO

Pela graça de Deus e a lei da Igreja, uma queixa contra Francisco, Romano Pontífice, em virtude do perigo para a Fé e grave dano às almas e do bem comum da Igreja Católica.

Que tipo de humildade é esta?

Na noite de sua eleição, falando do alto da varanda da Basílica de São Pedro, declaraste: ” O dever do Conclave era dar um bispo a Roma”. Muito embora a multidão presente se constituía de pessoas de todas as partes do mundo, membros da a Igreja universal, suas palavras expressaram agradecimento unicamente “pelas boas vindas dadas pela comunidade diocesana de Roma”. Também expressaste a esperança de que “esta jornada da Igreja que começamos hoje” fosse “frutífera para a evangelização desta bela cidade”. Pediste então aos fiéis presentes na Praça de São Pedro para rezar, não pelo Papa, mas” pelo seu Bispo “e em seguida disseste que no dia seguinte ” iria rezar a Nossa Senhora, para que ela proteja Roma”.

Suas estranhas observações naquela ocasião histórica tiveram início com uma exclamação banal: “Irmãos e irmãs, boa noite” e terminaram igualmente com uma intenção banal: “Boa noite e durmam bem!” Nem uma única vez sequer durante seu primeiro discurso referiste a si mesmo como o Papa ou fizeste qualquer referência à suprema dignidade do ofício para o qual foste eleito: a do Vigário de Cristo, cuja missão divina é ensinar, governar e santificar a Igreja universal liderando-a em sua missão de fazer discípulos entre todas as nações.

Quase que desde o primeiro momento de sua eleição teve início uma espécie de interminável campanha de relações públicas cujo tema é a sua humildade singular dentre todos os Papas, um simples “Bispo de Roma”, em contraste com as supostas pretensões monárquicas de seus antecessores, com seus paramentos elaborados e sapatos vermelhos , os quais rejeitaste completamente. Já de início nos deste os primeiros indícios de uma descentralização radical da autoridade papal em favor de uma “Igreja sinodal”, tomando emprestado o exemplo do ponto de vista dos Ortodoxos: “o sentido da colegialidade episcopal e da sua experiência de sinodalidade”. Imediatamente os meios de comunicação exultaram saudando essa iniciativa como “a revolução de Francisco. ”

No entanto, esta ostentação de humildade tem sido acompanhada por um abuso de poder do ofício papal inédito em toda a história da Igreja. Nos últimos três anos e meio o senhor incessantemente promoveu suas próprias opiniões e desejos sem a menor consideração para com o ensino de seus antecessores, as tradições bimilenárias da Igreja, ou os imensos escândalos que isso tem causado. Em inúmeras ocasiões chocaste e confudiste os fiéis ao mesmo passo que encantaste os inimigos da Igreja com afirmações heterodoxas e até mesmo sem sentido, enquanto não cessaste de acumular insulto após insulto contra os católicos praticantes, os quais são desprezados e ridicularizados continuamente com epítetos como fariseus dos últimos dias e “rigoristas.” O seu comportamento pessoal tem muitas vezes se rebaixado a atos de bufonaria que agrada às multidões.

O senhor consistentemente tem ignorado a advertência salutar do seu imediato antecessor, que renunciou ao papado em circunstâncias misteriosas, oito anos após ter convidado os bispos reunidos diante dele, no início do seu pontificado para que “orem por mim, para que eu não fuja, por medo dos lobos “. Só para citar o seu predecessor em sua primeira homilia como Papa:

“O Papa não é um monarca absoluto cujos pensamentos e desejos são lei. Pelo contrário: o ministério do Papa é a garantia da obediência a Cristo e à sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas sim constantemente ligar a si mesmo e a Igreja à obediência à Palavra de Deus, diante de toda a tentativa de adaptá-la ou diluí-la e cada forma de oportunismo. ”

Uma interferência seletiva na Política, sempre politicamente correto

Ao longo de seu mandato como “Bispo de Roma” tens demonstrado pouca consideração pelas limitações da autoridade papal e sua competência, preferindo se intrometer em assuntos políticos, como a política de imigração, direito penal, o meio ambiente, a restauração de relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba (ignorando a triste situação dos católicos sob a ditadura Castro) e até mesmo se opondo ao movimento de independência da Escócia. No entanto, continuas recusando-se a se opor a governos seculares quando esses desafiam a lei divina e lei natural ao adotarem medidas como a legalização de “uniões homossexuais,” que é uma questão de lei divina e natural em que um Papa pode e deve intervir.

Na verdade, suas muitas condenações dos chamados males sociais, (todos eles alvos politicamente seguros) são continuamente desmentidos por suas próprias ações, que comprometem o testemunho da Igreja contra os múltiplos erros da modernidade:

• Ao contrário do constante ensinamento da Igreja baseado na Revelação, o senhor tem procurado a abolição universal da pena de morte, não importando quão grave o crime, e até mesmo a abolição das penas de prisão perpétua, mas em contrapartida jamais pediste com a mesma ênfase pelo fim da legalização do aborto, que a Igreja sempre e constantemente condenou como o assassinato em massa de inocentes.

• O senhor declarou que o simples fiel peca gravemente se ele não consegue reciclar o lixo doméstico ou desligar as lâmpadas desnecessárias, ao mesmo tempo em que gastas milhões de dólares em eventos de massa vulgares em torno de sua pessoa em vários países, para os quais viajas com grandes comitivas em jatos fretados que fazem grandes emissões de carbono na atmosfera.

• O senhor exige a abertura das fronteiras para “refugiados” muçulmanos na Europa, uma massa composta predominantemente de homens em idade militar, enquanto mantém sua residência por trás dos muros da cidade-estado do Vaticano que exclui estritamente não-residentes. Esses muros foram construídos por Leão IV justamente para evitar um segundo saque muçulmano à cidade de Roma.

• O senhor fala incessantemente dos pobres e das “periferias” da sociedade, ao mesmo tempo em que se alia à rica e corrupta hierarquia alemã pró-aborto e pró-contracepção, celebridades pró-homossexuais e potentados da globalização.

• O senhor diz desprezar gananciosas corporações que só buscam o lucro e “a economia que mata”, enquanto as honra com audiências privadas e aceita doações generosas dos tecnocratas mais ricos do mundo e líderes empresariais, chegando mesmo a permitir que a Porsche alugasse a Capela Sistina para um “concerto magnífico … organizado exclusivamente para seus participantes “, que pagaram cerca de US $ 6.000 por cabeça pelo acesso exclusivo. Essa foi a primeira vez que um Papa Romano permitiu que este espaço sagrado fosse usado para um evento corporativo.

• O senhor exige o fim da “desigualdade”, enquanto abraças ditadores comunistas e socialistas que vivem no luxo e mantém as massas sofridas sob seus jugos.

• O senhor condena um candidato americano à presidência como “não cristão”, porque ele visa prevenir a imigração ilegal, mas não diz nada contra os ditadores ateus que abraças e que cometeram assassinato em massa, perseguem a Igreja e aprisionam os cristãos em estados policiais.

Ao promover suas opiniões pessoais sobre política e políticas públicas, como se fossem doutrina católica, não hesitaste em abusar até mesmo da dignidade de uma encíclica papal, empregando-a para subscrever a discutível e até mesmo fraudulenta afirmação científica sobre “mudança climática”, o “ciclo do carbono”,” poluição de dióxido de carbono” e “a acidificação dos oceanos”. O mesmo documento também exige que os fiéis respondam a uma suposta “crise ecológica”, através do apoio a programas seculares do ambientalismo, como os Objetivos de Desenvolvimento sustentável das Nações Unidas , os quais o senhor muito tem elogiado, muito embora esses mesmos documentos pregam o que eles chamam de “acesso universal à saúde sexual e reprodutiva”, que em outras palavras significa a contracepção e o aborto.

Um Indiferentismo desenfreado

Podemos dizer que quando se trata das destrutivas novidades pós-conciliares de “ecumenismo” e “diálogo inter-religioso”, dificilmente o senhor é um pioneiro na matéria, no entanto ninguém as promoveu no grau que temos visto, nem mesmo durante os piores anos da crise pós-conciliar, resultando num indiferentismo religioso que praticamente dispensa a missão da Igreja, como a arca da salvação.

No que diz respeito aos protestantes, o senhor declara que eles são todos membros da mesma “Igreja de Cristo” como Católicos, independentemente do que eles acreditam, e que as diferenças doutrinárias entre Católicos e protestantes são questões relativamente triviais a serem trabalhadas por um acordo entre teólogos.

Devido a essa opinião, o senhor tem desencorajado ativamente as conversões protestantes, incluindo um certo “Bispo” Tony Palmer, que pertencia a uma seita anglicana separatista que pretende ordenar mulheres. Como o próprio Palmer relatou, quando ele mencionou que estava “voltando para casa, para a Igreja Católica” , o senhor deu-lhe esta resposta chocante: “Ninguém está voltando para casa. Você está caminhando para nós e nós estamos caminhando em sua direção e nós vamos nos encontrar no meio. “No meio do quê? Palmer morreu em um acidente de moto logo depois. Por sua própria insistência no entanto, o homem cuja conversão o senhor deliberadamente impediu, foi enterrado como um bispo católico- sem dúvida uma zombaria contrária ao magistério infalível do seu predecessor Leão XIII que deixou claro que “ordenações realizadas de acordo com o rito anglicano foram, e são, absolutamente nulas e totalmente sem efeito. “[Leão XIII, Apostolicae curae (1896), DZ 3315]

No tocante às outras religiões em geral, o senhor adotou como programa virtual o mesmo erro condenado pelo Papa Pio XI há 34 anos antes do Vaticano II: “aquela falsa opinião que considera todas as religiões mais ou menos boas e louváveis, uma vez que todas de maneiras diferentes manifestam e indicam o sentido que é inato em todos nós, e pelo qual somos levados a Deus e ao reconhecimento obediente do seu governo”. O senhor desconsiderou completamente a admoestação de Pio XI de que “aquele que apoia os que detêm essas teorias e tentam realizá-las, estão abandonando completamente a religião divinamente revelada”. Nesse sentido, o senhor acaba sugerindo que até mesmo os ateus podem ser salvos, meramente por fazerem o bem, provocando, assim, o louvor efusivo da mídia.

Parece que, na sua opinião, a tese herética de Rahner sobre os “cristãos anônimos”, a qual abraça praticamente toda a humanidade e que implica na salvação universal, definitivamente substituiu o ensinamento de Nosso Senhor: “Aquele que crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado (Mc 16:16)”.

Simultaneamente publicado pelo The Remnant. E também na íntegra na versão impressa do Catholic Family News, outubro 20

Fonte: CFNews. org: With Burning Concern: We Accuse Pope Francis: The Remmnant & Catholic Family News – I of III.

Fonte: romadesempre.blogspot.com.br

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