CNBB e a lei do aborto

Aborto•brasil•Notícias4 anos atráspor Mateus1 ComentárioEscrito por Mateus

Fidelidade partidária: Nota sobre PLC 3/2013 enviada antecipadamente para “apreciação” da Presidente Dilma. Quanta delicadeza!

Uma certa numerária do Opus Dei, militante pró-vida e membro da Comissão de Bioética da CNBB, tem se destacado ultimamente por criar sérios entraves na defesa da vida por conta do bom mocismo que infesta alguns meios católicos.

Há pouco tempo, ela polemizou com o maior combatente pela vida do Brasil, Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, sobre o estatuto do nascituro. E desta vez, se aventura em defender a posição supostamente neutra e equilibrada, mas, na realidade, poncio pilatiana, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Otton von Bismarck, grande perseguidor da Igreja, dizia que “quanto menos o povo souber como são feitas as salsichas e as leis, mais tranquilo dormirá”. Ou seja: leis são como salsichas, é melhor não saber como são feitas. Todavia, uma discussão em que essa senhora participava, em um grupo no Facebook, escancarou os métodos dos católicos mornos que buscam uma posição de acomodação entre o certo e o errado, o vício e a virtude, sutilmente amordaçando outras lideranças em sua atuação (como buscou fazer a Comissão para a Vida e a Família, da CNBB, com um comunicado, que circula atualmente por email e nas redes sociais, aos órgãos que lhe são subordinados).

Até a manhã deste dia 16 de julho de 2013, você, caro leitor, não conhece o posicionamento oficial da CNBB. Roma pega fogo enquanto Nero toca, tranquilamente, a sua harpa. A Presidente da República tem até o próximo dia 2 para vetar ou sancionar o projeto. Nós já conhecemos o enredo: poucos dias antes de vermos o leite derramado, a CNBB publicará uma notinha diplomática. Tudo parece ser muito sincronizado… E, de fato, é!

Em vez de manifestar oportunamente o posicionamento católico e aproveitar a ocasião da vinda do Papa ao Brasil, em que dificilmente o governo tomaria medida tão impopular, o que faz a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil? Aparentemente, ela dorme. Mas, discretamente, atua. A distinta membro da Comissão de Bioética nos conta:

Isso mesmo, caro leitor: a Conferência Episcopal brasileira considera pouco delicado se pronunciar antes de apresentar a sua demanda à Presidente da República! Antes de se posicionar perante católicos, sociedade em geral e, sobretudo, perante Deus, a CNBB encaminha “a sua demanda” para conhecimento prévio (ou seria para receber o nihil obstat?) do Sr. Gilberto Carvalho, seu interlocutor junto à Mandatária.

O inimigo, em vez de combatido e neutralizado em seus intentos, é afagado. Ao invés de ser tratado pelo que efetivamente é — inimigo –, recebe as delicadezas dispensadas a parceiros de causa, tratamento reservado reciprocamente por politiqueiros. Afinal, senhores, a causa de Deus deve ser defendida com unhas e dentes, custe o que custar, ou pode ser objeto de politicagem e de respeito humano?

Embora alguns considerem “justo, certo e verdadeiro que uma mulher receba atendimento médico e drogas anti-DST”, principalmente com um projeto votado em 8 de março, dia internacional da mulher — que delicadeza! –, não resta evidente a verdadeira sanha do governo federal em impor o aborto no Brasil? A má intenção explicitada por manobras tortuosas, na calada da noite, com projetos aprovados a toque de caixa, não demonstraria nada mais que uma bela preocupação para com a saúde das mulheres, pelo que o projeto precisaria só de alguns pequenos ajustes? Ora, senhores! Não sejam idiotas úteis!

A defesa do veto parcial, com mudanças pontuais que deixariam intacto todo o corpo de uma norma propositalmente mal redigida, elaborada com o objetivo de se tirar conclusões muito mais amplas no futuro, é querer deixar se enganar por quem já mostrou claramente a que veio. Enveredar-se por esse caminho não seria senão uma patente demonstração de ingenuidade ou de… cumplicidade.

A nobre membro da Comissão de Bioética da CNBB considera “despropositado um pedido de veto total”, porque a “presidente jamais fará isso”. ”A política é a arte do possível”, frase daquele mesmo Otto von Bismarck que ela costuma repetir frequentemente. Bem diversamente, o Papa João Paulo II qualificava a atuação política como a “múltipla e variada acção económica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum” (Exort. Apost. Christifideles laici, n. 42).

Como recordava o grande Dom Manoel Pestana Filho — considerado por alguns como “radical” demais –, citando o Cardeal Pie, “há uma prudência que nos mata”. E sempre repetia o velho bispo da outrora feliz Anápolis: “O senhor não nos pede a vitória, mas a luta”. Por isso, CNBB, perdoe os fiéis se eles têm pensamentos “pouco delicados” para com a sua atuação. Os católicos brasileiros só querem que os senhores façam política conforme a definição de João Paulo II, não politicagem segundo Bismarck.

Como não se recordar da célebre frase de Santo Ezequiel Moreno, sempre estampada neste blog? ”Muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários». São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja»”.

É preciso reconhecer pura e simplesmente que estamos em guerra e que o inimigo deve ser combatido, não acariciado!

Fonte: http://fratresinunum.com/

AbortoapostasiaCNBBfim dos tempos

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