Carta revela drama de mais famílias que perderam a guarda dos filhos na Noruega

Especial•Família2 anos atráspor MateusComentarEscrito por Mateus

“O Barnevernet sequestra crianças!”: protesto de famílias da Lituânia, um dos países mais afetados pelas políticas autoritárias da Noruega.

Trinta e oito famílias escreveram um abaixo-assinado denunciando o sequestro sistemático de crianças feito nos últimos anos pelo governo da Noruega. Assinada no início deste mês por pais vindos das mais diversas partes do mundo, a carta é um protesto contra as decisões arbitrárias doBarnevernet – o departamento de “proteção à infância” do país –, que simplesmente afasta as crianças de seus pais, sem motivo razoável, nem mandado judicial. O documento foi enviado às Nações Unidas, ao Papa Francisco, bem como à Comissão e ao Parlamento da União Europeia.

Embora a Noruega não pertença à União Europeia, as famílias reunidas na plataforma Stop Barnevernet pedem que a comunidade internacional intervenha de alguma forma para defender os seus filhos e outros tantos que estão retidos pelo governo norueguês. Os signatários da carta vêm de países como Eslovênia, Estados Unidos, Índia, Inglaterra, Iraque, Lituânia, Romênia, Rússia, Suécia, Turquia e até do Brasil. Alguns só podem ver os seus filhos “quatro horas por ano”; a outros é negado qualquer contato com as crianças. Mesmo os lactentes são levados de suas mães e uma família norueguesa está sendo perseguida pelo departamento já há cinco gerações.

A brasileira residente no país Daiane Alves Lopes, uma das vítimas dessa política arbitrária, revelou à TV Anhanguera, no ano passado, como perdeu a guarda de um dos seus dois filhos, Yorrani, que hoje vive em um lar adotivo. “Eles fizeram uma reunião e não falaram que iam pegar a criança. Depois me chamaram. Falaram que iam me ajudar. E quando eu cheguei lá não era isso. Tinha dois seguranças, fecharam a porta e pediram a criança. Arrancaram a criança de mim, do meu braço“, ela conta.

Na carta endereçada às autoridades internacionais, os 38 pais condenam o que chamaram de um “inexplicável abuso de poder” por parte do governo de uma nação “supostamente avançada”, como é a Noruega. “Famílias inocentes estão sendo destruídas por ‘violar’ um ‘bem-estar infantil’ de que ninguém sabe a definição”, diz o abaixo-assinado. “Muitas famílias têm que viver uma vida no medo”.

A íntegra do documento foi disponibilizada pelo site espanhol Religión en Libertad e contém detalhes assombrosos sobre o que está acontecendo no país:

Os signatários do documento ainda acusam as ditas comissões de se servirem de métodos fraudulentos para manter os filhos longe dos seus pais biológicos. “Eles são capazes de falsificar documentos e pareceres de especialistas, e nós temos fortes evidências para isso”, diz o texto.

Alguns dos pais que assinaram a carta conseguiram novamente a guarda dos filhos, ainda que em “circunstâncias estranhas”. “Não houve nenhuma intenção de indenizar-nos pela dolorosa intervenção por que passamos”, afirma o documento, “nem sequer uma espécie de desculpas ou explicação por tudo o que aconteceu.”

O abaixo-assinado também faz referência à base cristã em que nasceu a Noruega, hoje em franca decadência. “Ainda que a Noruega não seja um país predominantemente cristão, é um país baseado em uma herança cristã”, diz a carta. “Essa herança cristã está, agora, severamente ameaçada pelas tendências a ignorar o que a unidade familiar significa, seja para os indivíduos, seja para toda a sociedade”.

No caso dos Bodnariu, a família de ascendência romena que perdeu recentemente a guarda de cinco filhos, o motivo da intervenção parece ter sido eminentemente religioso. A diretora da escola em que as meninas estudavam se preocupava com o fato de Ruth e Marius serem “muito cristãos” e a avó acreditar que “Deus castiga o pecado”. Na opinião dela, a ideia criaria “uma inabilidade nas crianças”. Outras ocorrências, todavia, sugerem motivações de ordem étnica e econômica para o sequestro das crianças.

Porta-vozes da campanha Stop Barnevernet responsáveis por entregar a carta às autoridades europeias. À esquerda, o eurodeputado Tomáš Zdechovský.

O eurodeputado polonês Tomáš Zdechovský, que também está à frente da campanha Stop Barnevernet – reunindo na Internet várias histórias similares ao caso Bodnariu –, explica que muitas das intervenções do governo norueguês afetam principalmente filhos de imigrantes.

“As famílias são forçadas a enviar os seus filhos à pré-escola, a assistir a programas infantis da Noruega e a ter um número de amigos noruegueses”, escreve o deputado. “Não é suficiente que vocês, como pais, planejem ensinar a língua norueguesa ao seu filho fora da escola, nem que estejam prontos para obter o que é necessário quando a escola começar. É o governo que decide o que é melhor para o seu filho. Os legisladores desenvolveram medidas incrivelmente severas para forçar as pessoas a fazer o que o governo acha que é certo.”

É sempre válido lembrar que, independentemente das leis que vigoram em um país, o direito dos pais de educar os próprios filhos é um direito natural, reconhecido inclusive pelo art. 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos”.

Tomáš Zdechovský condena terminantemente o autoritarismo do Barnevernet e questiona o modo como as coisas estão sendo conduzidas na Noruega. “Sempre haverá problemas com imigração”, ele diz. “Mas eles não podem ser resolvidos simplesmente tomando-se as crianças sem uma boa razão. Como chamar tal estado de ilegalidade senão de fascista ou comunista?

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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