BENTO XVI NO CONSISTÓRIO

bento xvi no consistorio

BENTO XVI NO CONSISTÓRIO – Prof. Hermes Rodrigues Nery

Prof. Hermes Rodrigues Nery

O que terá significado a presença de Bento XVI no Consistório (http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=99193), em sua primeira aparição pública na Basílica de São Pedro, desde sua despedida em 28 de fevereiro passado? Surpresa geral! Sua Santidade Bento XVI, numa celebração como papa renunciante, também vestido de branco, sentado à direita do altar, entre os Cardeais, enquanto Francisco celebrou e entregou os barretes vermelhos aos novos príncipes da Igreja! As imagens exibidas pela tevê, em diversos ângulos, não são de causar indiferença. Mas comovem de ver Ratzinger fragilíssimo, agora apenas como um observador, enquanto muitos daqueles que lhe dificultaram o seu pontificado, estão hoje com mais poder. Mas foi bonito de se ver também, entre os Cardeais, quem lhe beijou a mão, em sinal de reverência.

São imagens fortes, impactantes, relevantes. Inexprimíveis os sentimentos suscitados por mais este fato, sem precedentes na história bimilenar da Igreja. E então indagamos: tais fatos nos preparam para o quê? Não há como dizer que não houve tristeza em ver Bento XVI, na Basílica aonde ele reinou um dia; estar lá, silente. Não mais com o báculo, mas apenas com uma bengala. Fragilizado, encolhido, não mais com as vestes pontificais, mas ainda assim vestido de branco. E muito próximo tanto de Francisco, quanto de Bento XVI, a tevê mostrou, por diversas vezes, especialmente durante o canto de entrada, em latim, Tu es Petrus, a imagem de São Pedro, com as chaves nas mãos: o primeiro da sucessão apostólica, vestido como monarca e com toda pompa, e a majestosa tiara, ricamente ornamentada.

Ainda antes de iniciar a celebração, o cerimoniário, em diversos idiomas, rogou aos presentes que ninguém se manifestasse com aplausos naquele momento. Mas assim que o comentarista anunciou a presença de Bento XVI, todos aplaudiram. Mais outro momento comovente. O que Bento XVI pôde fazer, senão agradecer com um leve aceno? No encontro de Francisco com Bento XVI, um abraço fraternal, com sobriedade. Duas “Suas Santidades” na Basílica de São Pedro! Depois da leitura do Evangelho, cantado de modo belíssimo, em latim, enquanto Francisco permaneceu de cabeça baixa, todos respondiam o Verbum Domini. Em seguida, na homilia ressaltou: mais do que ensinar, é preciso caminhar.

E o que dizer, para nós, brasileiros, do 3º encontro de Dilma Roussef (que sancionou a Lei 12.485/13) com Francisco em menos de um ano? E fez questão, logo em seguida, de declarar à imprensa que se fosse Bento XVI o papa, ela não teria ido ao Vaticano.

Imagens fortes, de uma celebração difícil para muitos. Tudo isso nos deixa também sem entender o impacto dessas imagens, isso porque as imagens podem, em vez de mostrar o que está realmente acontecendo, esconder ou confundir ainda mais os dramas da Igreja, na atualidade. Por isso rezamos pelo discernimento, dom do Espírito Santo, para saber ao que somos desafiados hoje, enquanto católicos.

Sabemos que uma reforma será apresentada. O Sínodo convocado para outubro debaterá o tema da família, e Walter Kasper transita hoje com mais desenvoltura nos corredores do Vaticano, certo de que há um clima mais favorável para deliberarem sobre o que fazer com as questões incômodas, suscitadas pelas exigências da Igreja em relação à moral familiar. Para muitos, Bento XVI insistiu demais nos “valores inegociáveis”. E o mundo o odiou por isso. Agora, as dioceses respondem a um questionário, submetidas a uma pesquisa, para que Francisco decida o que fazer diante das situações de impasse, na realidade familiar. Kasper ressoa os apelos por flexibilização, porque constatou-se que muitos já não suportam mais as exigências morais. “O mundo mudou, a realidade é outra”, clama-se por menos rigor moral. Hoje, o prestigiado Kasper sente-se a vontade, pois Bento XVI não governa mais.

COMENTÁRIO ARNALDO HAAS – www.recadosaarao.com.br

Para mim o significado da presença de Sua Santidade o Papa Bento XVI neste consistório, embora todas as fragilidades que ele possa aparentar, tem um significado muito simples: ainda não morri, minha missão não terminou, alerta aos que pretendem apagar os meus rastros e minha obra.

Lembremos da mensagem que fala do seu afastamento, de sete meses, a partir de sua fuga do Vaticano: a força que os homens lhe negaram lhe virá do Espírito Santo… Sete meses de duras batalhas…Pedro luta, Pedro vence!

Lembremos também que ele continua sendo o guardião dos segredos da Igreja, e faltam ainda algumas tarefas que somente ele pode cumprir, antes que o Pai o chame. Deus pode tudo, até transformá-lo em um jovem lépido, se assim o desejar. Confiemos no Pai, há muitos mistérios ainda na vida de Bento XVI. E afinal, ele continua sendo Papa, de fato e de direito.

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