A Existência do Purgatório

O que é purgatório?

O Catecismo da Igreja Católica esclarece sobre o purgatório:

§1031 – A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados. A igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório sobretudo no Concílio de Florença (DS 1304) e de Trento (DS 1820;1580). Fazendo referência a certos textos da Escritura (1Cor 3, 15; 1Pe1,7; Mt 12,31; Mt 5,26; ), a tradição da Igreja fala de um fogo purificador: o que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador.

§1030 – “Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida a sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrarem na alegria do Céu.”

S. Gregório Magno (540-604), Papa e doutor da Igreja:
“No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma Aquele que é a Verdade, dizendo que se alguém tiver cometido uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século nem no século futuro (Mt 12,31). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro.” (Dial. 41,3).

§1032 – Este ensinamento apóia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala: “Eis porque ele [Judas Macabeu] mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado” (2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico (DS 856), a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos.

Na Bíblia:

Evangelho Segundo São Mateus 18

18 Eu vos garanto: Tudo que ligardes na terra, será ligado no céu; e tudo que desligardes na terra, será desligado no céu.
19 Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedir qualquer coisa, hão de consegui-lo do meu Pai que está nos céus.
20 Porque onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei ali no meio deles”.
Parábola do devedor cruel.
21 Então se aproximou Pedro e lhe perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar ao irmão que pecar contra mim? Até sete vezes?”
22 Jesus lhe respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas setenta e sete vezes.
23 Por isso o reino dos céus se assemelha a um rei que quis ajustar contas com os seus servos.
24 Quando começou a ajustá-las, trouxeram-lhe um que devia uma enorme fortuna.
25 Como não tivesse com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo que tinha, para pagar a dívida.
26 Mas o servo caiu de joelhos diante do senhor e disse: ‘Senhor, tem paciência comigo e te pagarei tudo’.
27 Compadecido, o senhor o deixou ir embora e lhe perdoou a dívida.
28 Esse servo, ao sair dali, encontrou um de seus companheiros de trabalho, que lhe devia cem moedas de prata. Agarrou-o pelo pescoço e sufocava-o, dizendo: ‘Paga o que deves’!
29 De joelhos, o companheiro suplicava: ‘Tem paciência comigo e te pagarei tudo’.
30 Mas ele não concordou e o fez ir para a cadeia até pagar a dívida.
31 Ao verem isso, seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo que havia acontecido.
32 Então o senhor o chamou e lhe disse: ‘Servo miserável, eu te perdoei toda aquela dívida porque me suplicaste. 33 Não devias também tu ter compaixão do teu companheiro como eu tive de ti?’
34 Irado, o senhor o entregou aos carrascos até que pagasse toda a dívida.
35 Assim também fará convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar seu irmão de todo o coração”.

Padre Paulo Ricardo:

Papa Bento XVI:

“O primeiro traço original diz respeito ao ‘lugar’ da purificação das almas. Em Catarina, ao contrário [de sua época], o purgatório não é apresentado como um elemento de paisagem das vísceras da terra: é um fogo não exterior, mas interior. Esse é o purgatório, um fogo interior. […] Sentimos no momento da conversão, onde Catarina sente de repente a bondade de Deus, a distância infinita da sua vida dessa bondade e um fogo queimando dentro de si mesma. E esse é o fogo que purifica, é o fogo interior do purgatório”, ensinou.

O Papa acrescentou que, ali, “a alma é consciente do imenso amor e da perfeita justiça de Deus e, por consequência, sofre por não ter respondido de modo correto e perfeito a tal amor, e exatamente o próprio amor a Deus torna-se chama, o amor mesmo a purifica das suas escórias do pecado”.

Apesar da clareza do ensinamento de Catarina, Bento XVI recordou que a santa, na sua experiência mística, nunca teve revelações específicas sobre o purgatório ou sobre almas que ali estão se purificando, mas escritos inspirados.

“Santa Catarina ensina-nos que quanto mais amamos a Deus e entramos em intimidade com Ele na oração, tanto mais Ele se faz conhecer e acende o nosso coração com o seu amor. Escrevendo sobre o purgatório, a Santa recorda-nos uma verdade fundamental da fé que se torna, para nós, convite a rezar pelos defuntos, a fim de que possam chegar à visão beatífica de Deus na comunhão dos santos”.

Ele também salientou que as mulheres “dão uma contribuição fundamental à sociedade e à Igreja com a sua obra preciosa, enriquecida pela sua sensibilidade e atenção com os mais pobres e mais necessitados”.

Da mesma forma, disse que os santos, “na sua experiência de união com Deus, alcançam um ‘saber’ tão profundo dos mistérios divinos, no qual amor e conhecimento se compenetram, que são auxílio aos próprios teólogos no seu empenho de estudo”.

“Não devemos nunca esquecer que, quanto mais amamos a Deus e somos constantes na oração, tanto mais conseguiremos amar verdadeiramente quem está ao nosso redor, quem nos é próximo, porque seremos capazes de ver em toda a pessoa o rosto do Senhor, que ama sem limites e distinções. A mística não cria distância com o outro, não cria uma vida abstrata, mas, mais que tudo, aproxima do outro, porque se começa a ver e agir com os olhos, com o coração de Deus”, explicou.

Santa Catarina:

O texto que recolhe aspectos da vida e pensamento de Santa Catarina de Gênova foi publicado em 1551 e é dividido em três partes: a Vita propriamente dita, a Dimostratione et dechiarationedel purgatorio [Demonstração e declaração do purgatório] – mais conhecida como Trattato – e o Dialogo tra l’anima e il corpo [Diálogo entre a alma e o corpo]. A obra teve como autor final o confessor da santa, o sacerdote Cattaneo Marabotto.

Catarina nasceu em Gênova, em 1447. Foi a última de cinco filhos e ficou órfã de ainda quando pequena. A mãe deu-lhe uma válida educação cristã. Aos dezesseis anos, foi prometida em casamento a Giuliano Adorno, que gostava de jogos de azar.

“A própria Catarina foi induzida inicialmente a cultivar um tipo de vida mundana, na qual, contudo, não chegou a encontrar serenidade. Após dez anos, no seu coração havia um sentimento de profundo vazio e amargura”, explicou o Pontífice.

Sua conversão iniciou em 20 de março de 1473, quando, indo à Igreja de São Bento e ao Mosteiro de Nossa Senhora das Graças para confessar-se, ajoelhou-se diante do sacerdote e teve uma visão tão clara de suas misérias e defeitos, bem como da bondade de Deus.

“Dessa experiência nasce a decisão que orientou toda a sua vida, expressa nas palavras: ‘Não mais o mundo, não mais pecados’ (cf. Vita mirabile, 3rv)”, continua Bento XVI. A santa somente aceitou narrar as suas experiência de comunhão mística com Deus na perspectiva de dar-Lhe glória e poder beneficiar o caminho espiritual de outros.

Foi no hospital de Pammatone que ela alcançou vértices místicos e viveu uma existência totalmente ativa, apesar da profundidade de sua vida interior. O próprio marido foi conquistado a deixar sua vida dissipada, tornando-se terciário franciscano e transferindo-se ao hospital para dar o seu auxílio à mulher.

“O empenho de Catarina na cura dos doentes segue até o fim de seu caminho terreno, em 15 de setembro de 1510. Da conversão à morte não houve eventos extraordinários, mas dois elementos caracterizaram toda a sua existência: de um lado, a experiência mística, isto é, a profunda união com Deus, sentida como uma união esponsal, e, de outro, a assistência aos doentes, a organização do hospital, o serviço ao próximo, especialmente os mais necessitados e abandonados. Esses dois pólos – Deus e o próximo – preencheram totalmente a sua vida, transcorrida praticamente no interior dos muros do hospital”, citou o Santo Padre.

Fonte 1: http://www.cancaonova.com
Fonte2: http://www.almasdopurgatorio.com.br/
Fonte3: http://www.padrepauloricardo.org

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