A educação cristã dos filhos (V) — A idade difícil

Especial•Família6 meses atráspor Amor MarianoComentarEscrito por Amor Mariano

Infelizmente, para muitos jovens, o período dos 12 aos 18 anos é a época em que se separam de Deus, perdem a sua virtude, abandonam a prática da religião, não assumem as suas responsabilidades, fazem-se rebeldes, e, por vezes, dão os primeiros passos para o mal caminho

Entre os 12 e os 18 anos

Pe. Lucas Prados — Adelante la Fe | Tradução Sensus fidei: O período de 12 a 18 anos foi sempre uma etapa difícil na vida dos jovens. É o momento em que eles começam a solidificar as suas bases, fundamentar os seus próprios critérios, e, em muitos casos, é o tempo em que alguns jovens recebem a vocação. Atualmente, como resultado da educação deficiente e a influência negativa do ambiente exercida sobre eles, esse período se transformou em uma etapa de tortura para alguns pais; e para alguns jovens — os mais piedosos —, em um período de sofrimento, porque a sua fé é constantemente atacada pelo ambiente, pelos amigos, a escola, os meios de comunicação… É, infelizmente, para muitos deles, a época em que se separam de Deus, perdem a sua virtude, abandonam a prática da religião, não assumem as suas responsabilidades, fazem-se rebeldes, e, por vezes, dão os primeiros passos para o mal caminho.

É por isso que analisar as causas deste fenômeno, tentar reduzir o impacto de todos esses fatores em nossos jovens, e tentar ajudar pais e filhos a concluir de maneira feliz esta fase, é o objetivo deste artigo.

É relativamente comum observar que, embora os pais tenham feito esforços para formar os seus filhos nos caminhos das virtudes humanas e cristãs, o impacto que os jovens sofrem nesta etapa é tão forte que raro é aquele que não tropeça e cai. No entanto, ainda que o filho caia, se a formação anterior foi boa, é bastante comum que o homem jovem se recupere logo; e, se não, quando ele amadurecer um pouco e tiver que lidar com a vida, se possível, retorna com mais intensidade à sua fé e prática religiosa.

Os pais devem ser os primeiros a tomar consciência de que o seu filho não é mais uma criança

Em primeiro lugar, os pais devem perceber que seus filhos já não são crianças; eles estão crescendo, e então eles têm que lhes dar um pouco mais de espaço, mas sem abrir totalmente a mão, porque então escapariam. Saber guardar um equilíbrio adequado será realmente difícil, pois haverá pais que se excedem no controle, e outros pais que são demasiado frouxos e permissivos. Ambas as posições extremas serão incorretas. É por isso que o pai e a mãe devem falar entre si para elaborar uma “estratégia” comum e até mesmo procurar ajuda de terceiros que tenham alguma experiência, o que será sempre muito necessário.

Do mesmo modo como o pai ou a mãe acompanham a criança durante os seus primeiros passos para evitar que caia, os filhos precisam da companhia e do conselho dos pais neste período difícil. Ao longo dos anos, o estudo, a formação dada pela família e a Igreja… os filhos começarão a formar o seu próprio critério sobre as coisas. Será de grande ajuda se houvesse entre pais e filhos a suficiente confiança para falar (sem perder a calma), trocar pontos de vista e corrigir pequenos desvios que possam aparecer. Se os pais têm “habilidade e paciência” para lidar com eles, e os filhos, “humildade e inteligência” para aceitar o conselho, teremos conseguido muito.

Todos os pais conhecem suficientemente seus filhos e sabem muito bem qual o pé que coxeia em cada um deles. Nesta fase, estas virtudes e defeitos tendem a tornar-se mais evidentes. É desejável que os pais saibam fazer uma educação diferenciada segundo as “qualidades” de cada filho.

Muito importante é que os pais, os filhos deixando ou não ajudar, em nenhum momento se desentendam e desistam, ou simplesmente não prestem nenhuma atenção ou interesse. Ter muito trabalho não é uma desculpa. Se os pais trabalham é principalmente para manter a família unida; por isso, não faria sentido não levar a família adiante ignorando os problemas pelos quais ela passa.

Por outro lado, o marido (ou esposa, porque às vezes ocorre) não podem descarregar esta responsabilidade no outro cônjuge. É uma obrigação a cumprir pelos dois em harmonia, se possível.

Tomem também especial cuidado os pais de tratar todos os filhos com o mesmo carinho e cuidado. É queixa bastante comum dos jovens dizer que meu pai (mãe) “ama meu irmão mais do que eu”. Em muitas ocasiões, pode haver alguma inveja desse jovem; mas também tenho visto que as queixas são muitas vezes justificadas. É normal que os pais tenham “preferências” por um filho em particular, mas devem tentar fazer com que “eles não notem” demais, pois poderia fazer mal aos outros, e a esse também. Por outro lado, pai e mãe, devem tentar equilibrar as suas relações com os seus filhos, de modo que, se o pai tinha uma preferência por alguns e “faz diferença” para com outros, a mãe teria de informar seu marido e, ao mesmo tempo, deveria suprir com um “extra” de cuidados e carinhos para com aqueles que foram menos preferidos.

É comum ver o surgimento de ciúme entre irmãos pela razão de que o pai (ou mãe) presta mais atenção ao filho que se assemelha com ele próprio, que segue as regras, é mais trabalhador, dócil, inteligente. Por outro lado, o filho um pouco mais “rebelde” e que, talvez, precise de mais ajuda, seja relegado para segundo plano.

Por outro lado, não confundam os pais a rebeldia com a personalidade. Que um filho comece a ter os seus próprios critérios (sem ser maus), e que às vezes não coincidam com os dos pais, pode ser um sinal de personalidade e não de rebeldia. É desejável que os pais tenham olhar abrangente e percebam que seu modo de vida não é o único, desde que seja virtuoso e tente seguir os princípios cristãos.

A fronteira dos doze anos

Embora esta fronteira oscile em um ano ou dois, para cima ou para baixo, há um momento muito específico em muitas ocasiões, em que, de repente, vê-se que o filho “deu uma guinada”. Embora essa mudança tenha sido precedida por muitos sinais que indicassem a proximidade da tempestade, um dia começam os raios. A mudança é tão abrupta que os pais precisam estar conscientes de perceber e vir em seu auxílio o mais rapidamente possível. Poderíamos dizer que é quando essa criança começa a tornar-se um homenzinho (ou mulher pequena) e começa a se perguntar o porquê de muitas coisas: quando não entendem porque têm de continuar a obedecer seus pais quando vê que eles estão equivocados; quando não entendem por que eles têm de ir à igreja todos os domingos se não “sentem” nada; quando, talvez em um “descuido”, tenham tido sua primeira “experiência” e descoberto um mundo que era bastante estranho e desconhecido.

É o momento em que os ensinamentos já não são aceitos pela “fé” pura em seus pais, professores, sacerdotes, educadores; mas é o próprio jovem quem irá aquilatar a verdade. O esquema de ideais que os pais tinham ensinado a seus filhos é questionado neste período. Eles vão querer construir o seu próprio, por isso é muito frequente que desconfiem daqueles que antes lhes forneciam critérios; e em vez disso, prestam mais atenção a pessoas que nem sequer conhecem. É o tempo dos “ídolos”. Tudo o que eles aceitarão será o sistema de valores construído ou aceito por eles pessoalmente. Mais tarde, eles descobrirão o seu erro em muitos pontos e será, então, quando farão um balanço entre o que pensam e o que os seus pais lhes ensinaram.

Se neste momento os pais não estavam conscientes da mudança que está se realizando em seu filho, este poderia ser um importante ponto de inflexão na vida de seu filho, em que ele poderia começar a se separar de você e dos valores que se lhe tentou incutir. E uma vez que o demônio se esconde e conhece muito bem a situação, não perderá a menor oportunidade para causar danos e tentar desorientar seu filho.

Sendo um momento especialmente dedicado, cuidem os pais, tanto quanto possível, das fontes de informação de onde os meninos agora estão obtendo seus valores de referência. Todos esses meios sabem muito bem a situação de debilidade em que se encontram e aproveitarão de todos os meios para “tomar posse deles”. Lembro-me do caso dos moluscos quando mudam de casca e ficam desprotegidos por algumas semanas até que fabriquem uma nova. Este é o momento em que os predadores aproveitam para acabar com eles.

Até os dezoito anos

Até que os jovens cheguem aos 18 anos, os pais devem estar em contínua vigilância dia e noite e ir removendo água para trazer seu filho à tona quantas vezes forem necessárias. Os pais deverão estar cientes de que seus filhos estão levantando suas próprias bases e não tenderão a ouvir o que os pais dizem, pelo simples fato de serem seus pais. Cada conselho que lhe dão terá de ser acompanhado por raciocínios simples e nunca impositores. O comando e o controle já não servirão mais, a menos que a criança veja nele o amor de seus pais; mas não pelo mero fato de que venha de seus pais eles o aceitarão, como faziam quando eram pequenos. Tentarão de tudo para passar por seu próprio filtro; é por isso que deverão tomar um cuidado especial com qualquer coisa que possa prejudicá-los.

Embora neste período as crianças tendam a se fechar, sempre se poderá encontrar uma “porta aberta” pela qual serão relativamente acessíveis. É o papel dos pais encontrar essas “frentes abertas” para que possam usá-las no momento oportuno.

Até a década de 70 do século passado, as fontes de informação às quais os jovens podiam acessar estavam limitadas à casa, colégio, igreja, amigos e livros. Estas fontes de informação que antes eram puras, estão atualmente carregadas de ideologias que são frequentemente contrárias à nossa fé. E a elas é preciso acrescentar outras que são novas, e embora em si mesmas possam ser benéficas, a carga ideológica e, às vezes, demoníaca que transportam pode causar grandes danos. Refiro-me a tudo o que tenha a ver com as novas tecnologias: TV, internet, dispositivos móveis, computadores. Por outro lado, se as crianças estão sob a influência destas tecnologias, elas nunca adquirirão o hábito da leitura, perderão a concentração facilmente para o estudo e facilmente evitarão tudo aquilo que possa constituir esforço para aprender.

Os pais deverão monitorar de maneira muito especial todos esses fatores adversos. Alguns deles já discutimos em artigos anteriores, de modo a evitar a repetição remeto-lhes a eles. Sim, eu gostaria de salientar a importância de remover todos estes meios tecnológicos do quarto das crianças, pois seria como lhes colocar a tentação nas mãos e, em seguida, desejar que eles não caiam.

Outros conselhos práticos para os pais durante esta idade difícil

a.- Não permita que seus filhos façam a sua santíssima vontade. Acostume-os a respeitar os costumes familiares: ir à Missa juntos, comer todos na mesa, férias para toda a família. A casa não é uma “democracia” onde todo mundo vota e depois segue-se a opinião mais votada. O chefe da casa é o pai, que, juntamente com a mãe, tem de exercer de forma responsável e amorosamente a sua autoridade.

b.- Lembre-se o pai que deve exercer a autoridade seguindo o princípio cristão estabelecido pelo próprio Jesus Cristo: “quem quer ser o primeiro de todos, que se faça o último de todos e o servidor de todos”. A autoridade deve ser exercida com responsabilidade e determinação; mas também com humildade e atitude de serviço aos demais.

c.- Ouçam os pais as opiniões dos filhos; mas sejam logo os pais que decidam o que deve ser feito. Se as crianças se queixam, e isso será normal, diga-lhes que quando eles forem pais poderão fazer em suas casas o que eles considerem mais adequado; mas enquanto estiverem sob o telhado desse lar, terão de cumprir as normas estabelecidas.

d.- Cuidem os pais de não minar a autoridade um do outro, nem discutir na frente de seus filhos. Isso causaria a perda de respeito e de confiança dos filhos. Se entre pais houver qualquer diferença de opinião sobre um determinado assunto — o que é normal — discuta-se em privado, mas nunca na frente dos filhos.

e.- Os pais nunca devem ceder quando os princípios cristãos estão em jogo. Agora, eles devem ter a flexibilidade suficiente para “tolerar” coisas que talvez não gostem, mas que em nenhum momento atentem contra os valores da nossa fé. Se o menino já tiver 16 anos, haverá certas áreas em que se lhe dará um pouco mais de liberdade; agora, se o garoto decidiu parar de ir à igreja, os pais devem fazê-lo saber que o que ele está fazendo é errado.

f.- Respeitem sempre os pais a privacidade de seus filhos. Por exemplo, não estará bem ler as suas cartas ou e-mails privados. Se os pais suspeitarem de algo, deverão procurar outros meios para descobrir o que acontece, mas nunca atacando a privacidade de seus filhos. Mas, por outro lado, não permitam que os filhos transformem o seu quarto em um “sancta sanctorum” onde os pais nem possam entrar. Respeitem o quarto, mas sintam-se livres para entrar ou sair conforme necessário. Sim, sempre respeitando a privacidade de seus filhos. Se por alguma razão viram coisas inconvenientes nele, avise-os sobre o erro que estão cometendo, mas, em seguida, dê-lhes a liberdade para que sejam eles mesmos os que acabem com aquilo. No entanto, sejam firmes quanto a coisas que possam ser gravemente imorais: pornografia pesada, vídeos pornográficos, drogas, álcool…

g.- É comum nessa época que os filhos percam o desejo de estudar. Além disso, poderia acontecer até que queiram abandonar o estudo. É por isso que é conveniente fazer-lhes ver a importância do estudo; aconselhá-los a prosseguir, pelo menos até concluírem o período escolar. Neste aspecto, sejam os pais firmes e ao mesmo tempo flexíveis. Sejam pacientes também e ajam adequadamente segundo as qualidades de cada filho. Nem todos os filhos têm de ser advogados ou médicos; a sociedade também precisa de trabalhadores de escritório, agricultores, motoristas de ônibus e milhares de outros serviços.

h.- Cuidem os pais de modo especial que o lar seja um lugar onde os filhos recebam bom exemplo de seus pais e dos outros irmãos. Em muitos casos, o lar é o primeiro lugar onde eles aprendem a perder o respeito pela mãe, porque o pai a ridiculariza na frente de seus filhos; ou vice-versa. Ou quando se protegem para agir mal, porque os pais antes permitiram que o filho mais velho fizesse o que queria.

i.- Uma vez que a família esteja tentando firmar-se como uma família católica, cuidem os pais de modo especial sobre tudo ao que se refere às práticas de piedade: abençoem a mesa, procurem ir à Missa juntos, rezem o terço em família e outros costumes que cada família possa ter. Neste momento particular, os pais devem ser firmes e exigentes.

Lembro-me de quando eu tinha apenas 11 anos de idade, meu pai nos “obrigava” toda a família a rezar o Santo Rosário todos os dias depois de comer. Milhares de vezes eu apresentei centenas de desculpas para escapar e meu pai nunca cedeu. Quando lhe dizia que meus amigos estavam à porta esperando por mim para irmos jogar uma partida de futebol, ele sempre me respondeu: “Bem, diga aos seus amigos que entrem para rezar também com a gente”. Eu já tinha o cuidado de que meus amigos não soubessem de que em casa rezávamos o Rosário todos os dias. Agora, muitos anos mais tarde, agradeço imensamente a firmeza e a sabedoria de meu pai ao não me deixar escapar.

Chegada certa idade, que pode ser de 15 ou 16 anos, os pais devem tentar ser um pouco mais flexíveis a esse respeito e não “forçar” seus filhos para nem a ir à Missa nem para que se confessarem; mas eles têm obrigação de fazê-los ver que estão fazendo errado e cometem um pecado se não o fazem.

j.- Cuidem também os pais do modo de vestir de seus filhos; especialmente as meninas. Evitem que aos 14 anos já se pareçam “vamps” usando roupas inadequadas e em muitas ocasiões provocadoras e indecentes. Diga-se algo semelhante da maquiagem. As meninas se vistam com modéstia e delicadeza. Mas evite-se também que se vistam como meninas “ranço” da metade do século passado. Um cuidado especial deverá haver nos verões com as roupas de rua e os trajes de banho.

k.- Cuidem também das festas a que assistem. Evitando que durmam em casa de outra pessoa ou que a festa se prolongue até a madrugada. É muito frequente que cumpridos os 14 anos já façam suas tentativas com o álcool. E se o álcool está presente, outros convidados chegarão em breve: a droga e o sexo. Nestes casos, se houver qualquer suspeita, mais vale se passar por rigoroso do que se arrepender quando eles retornam bêbados, drogados ou sem virtude. No caso de que isso aconteça, os pais deverão tomar uma atitude firme e dizer aos jovens que eles já não foram capazes de agir com prudência…, deverão ser punidos sem esse tipo de festas durante um período de tempo razoável.

l.- Em discussões com os filhos, tentem não perder a calma. Falem com firmeza, mas, ao mesmo tempo, tentem argumentar com eles. Nunca se poderá aceitar ceder nos princípios; mas tampouco se deve ser excessivamente rigoroso e fechado em coisas que sejam secundárias. É comum ver ambos os extremos presentes: pais que são excessivamente severos e outros que são demasiado permissivos e não são se inquietam por nada. É também muito frequente que um progenitor faça de bom, flexível e negligente, e o outro duro, exigente e fechado. Evite-se cair neste erro, porque os filhos perderão o respeito por ambos.

E, finalmente, confiem os pais os seus filhos a Deus e à nossa Mãe Santíssima todos os dias. Eles são os primeiros a saber o quão difícil é cumprir essa missão nos dias de hoje. Porque se assim o pedem, Deus lhes dará sabedoria, amor, prudência, flexibilidade e qualquer outra virtude de que necessitem para que seus filhos cresçam seguindo o bom caminho. Se apesar de tanto esforço, os filhos se foram de suas mãos e tomaram um caminho errado, continuem rezando, tenham paciência e nunca percam a autoridade nem a serenidade.

Mas sobre essas coisas falaremos no próximo capítulo. Capítulo que será destinado mais especialmente àqueles que já passam dos 18 anos.

II -Educação cristã dos filhos. Como lidar com ela no mundo atual II – A educação cristã dos filhos: pais, escolas e Igreja III – A educação cristã dos filhos – As novas tecnologias IV – A Educação Cristã dos Filhos: Os doze anos mais importantes na vida de uma pessoa V – A educação cristã dos filhos — A idade difícil VI – A educação cristã dos filhos (VI): Quando os filhos alçam voo de casa

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Pe. Lucas Prados

Publicado originalmente: Adelante la Fe. La educación cristiana de los hijos (V) – La edad difícil.

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