A educação cristã dos filhos (III) – As novas tecnologias

Especial•Família7 meses atráspor Amor MarianoComentarEscrito por Amor Mariano

O êxito ou o fracasso da educação dos filhos será o resultado da correta intervenção dos muitos fatores que entram em jogo em sua formação: os pais, os amigos, o colégio, a Igreja, o ambiente, as novas tecnologias e, é claro, eles mesmos. Estes fatores e outros tantos, atuarão a favor ou contra, na hora de formar os filhos. É por isso que os pais, como primeiros educadores de seus filhos, haverão de cuidar de cada um destes elementos enquanto as crianças estão ainda sob sua tutela; e de modo especial, durante os primeiros 18 anos de sua vida, pois será então quando os filhos serão mais propensos a receber qualquer influência externa, tanto para o bem como para o mal.

Lembro-me de ter assistido em filmes antigos uma fábrica comunista onde trabalhavam uma multidão de pessoas, o rádio estava constantemente a transmitir propaganda partidária e fazendo lavagem cerebral. Se isto acontecesse hoje, em qualquer local de trabalho, imagino que rapidamente os sindicatos levantariam um escandaloso protesto; mas tudo isso e muito mais, está acontecendo em suas casas e não vejo muitos pais preocupados com a lavagem cerebral que estão fazendo em seus filhos.

A fim de ver a influência que alguns desses fatores exercem na educação das crianças examinamos alguns deles mais detalhadamente.

A pandemia dos dispositivos móveis do século XXI

É curioso que o telefone, que foi inventado como um meio de comunicação entre as pessoas, já se tornou para muitas famílias causa de isolamento. Algo que, em si, seria bom se usado corretamente, mas quando se abusa disso, perde toda a sua virtualidade e torna-se um instrumento de deformação.

Quando em alguma ocasião tenho sido convidado para jantar em uma casa, chama-me atenção o fato de que, juntamente com talheres, guardanapos e copos, lá está o telefone celular. O objetivo é não perder nada do que está acontecendo no Facebook, Twitter ou WhatsApp. Tem-se a impressão de que isso é mais importante do que desfrutar deste maravilhoso momento em família. A mesa, que sempre foi um centro de reunião da família e o momento em que se trocavam opiniões sobre o dia, tornou-se agora um centro de comunicações (telefônicas), onde todo mundo está falando com pessoas de fora mas nenhuma com as que estão diante de si.

É impressionante ver os jovens de catequese de confirmação (12-14 anos) frequentar o templo com celular na mão ou “incorporado” no bolso de trás da calça. O telefone móvel tornou-se para eles um instrumento essencial para … para quê?

Não dê ao seu filho um telefone móvel antes dos 18 anos

É minha opinião pessoal que um jovem não deveria ter dispositivos móveis até os 18 anos. A razão é simples, porque antes não precisa. E depois? Depois tampouco; mas poderia, pelo menos, ser conveniente. E se a criança sai em viagem numa excursão da escola? Não seria bom que levasse um dispositivo móvel caso algo acontecesse? Também não. A razão é muito simples, se algo acontecer, esteja certo de que haverá muitos telefones disponíveis para avisar os pais.

Os benefícios que podem oferecer possuir um celular antes dos 18 anos não superam os perigos aos quais se submeterá esse jovem. Quais são?:

  • Mau uso das redes sociais (onde eles têm milhares de coisas íntimas e pessoais, onde enviam fotos, supostamente privadas, mas que estão disponíveis para todos).
  • Fácil acesso a conteúdos imorais.
  • Risco de assédio por parte de outras pessoas.
  • Perda de concentração e atenção para realizar seus próprios trabalhos, uma vez que eles estão recebendo ou enviando mensagens continuamente.
  • Cair no “materialismo” (possuir coisas materiais sem haver uma real necessidade que as justifique). Sentem a urgência de se manterem sempre atualizados e não menos do que os seus amigos.
  • Enorme desperdício de tempo: Foi demonstrado que um jovem gasta mais de duas horas diárias manejando o seu dispositivo móvel.
  • Ansiedade, se o telefone for perdido, danificado ou removido.
  • Sem falar do dano espiritual que pode causar por permanecerem bastante incapacitados para um possível diálogo com Deus.

Partindo do fato de que um jovem não deveria ter um dispositivo móvel antes dos 18 anos, é possível que em uma ocasião concreta realmente seja necessário. O que fazer? Meu conselho é que se tenha em casa um telefone móvel extra, que seja apenas telefone, sem internet, sem tela de 5 polegadas, e que se possa dar ao jovem para esse momento particular. Sim, todas as noites e/ou uma vez que a necessidade tenha sido atendida, o telefone móvel voltará para que os pais o guardem até a próxima ocasião de necessidade.

Não é bom que eles disponham de um dispositivo móvel pessoal, porque essa é a ocasião que o demônio aproveitará para ir lentamente minando a “moral” de seu filho. Se você quer evitar “surpresas” e “descobrir” que seu filho não é tão “santo” como você imaginou, este modo de agir pode poupar inúmeros desgostos.

Se assim proceder, seu filho provavelmente o qualificará como retrógrado e tirano, mas garanto-lhes que, com o tempo, o seu filho o agradecerá. Às vezes os pais não percebem a “arma” que entregam aos seus filhos quando, movidos por uma mentalidade bastante inocente, presenteiam seu filho com o primeiro celular.

Acesso à Internet por parte dos jovens

Embora o uso da internet seja de grande ajuda quando se busca conteúdos e se faz pesquisas, seu uso deve ser controlado quando são os jovens os que têm acesso a ela.

Nós todos sabemos que, juntamente com muitas coisas boas que podem ser encontradas na rede, há também muitas páginas de conteúdo pernicioso que se destina a prejudicar, corromper, manipular mentes, modificar valores morais, e assim por diante. O demônio e muitos homens que estão a seu serviço, têm percebido a poderosa arma de destruição e manipulação gratuita que muitos pais põem ao alcance de seus filhos.

É por isso que, como a Internet tornou-se uma ferramenta necessária para o estudo e a pesquisa a partir de uma certa idade, o seu uso deve ser perfeitamente controlado pelos pais. Estes devem limitar o tempo de acesso e o conteúdo das páginas que seus filhos visitam. O mercado tem muitos produtos que podem executar esta função. Se você deixar ao seu filho o acesso total ao conteúdo da Internet, e também não limitar o tempo de uso, não se surpreenda com o que você poderá encontrar ao verificar o “histórico” do navegador. Por outro lado, dada a atração que este meio exerce, pode chegar um momento em que o seu filho não saiba fazer nada se não for através da Internet.

Menção especial faremos das famosas “wikipedias”. A única utilidade que podem ter é oferecer alguns dados objetivos, mas não lhes ocorra acessá-las para conseguir critérios sobre filosofia, teologia, política, religião, medicina … Os conteúdos são geralmente bastante manipulados, de modo que em vez de formar seus filhos, acabam por deformá-los. É bom que os pais conheçam portais de internet que sejam confiáveis para a obtenção de uma informação objetiva, séria e adequada para o que precisam.

Por outro lado, não é conveniente que os jovens tenham apenas a internet como a única maneira de acessar as informações de que necessitam. É necessário ter em casa bons livros de papel, dicionários, enciclopédias simples. Isso será mais do que suficiente, pelo menos até que seu filho tenha cerca de 14 ou 15 anos. Vocês irão argumentar que enciclopédias ficam obsoletas em poucos anos e que são muito caros. Eu lhes digo que com a informação que elas oferecem, seus filhos terão mais do que o suficiente para a sua lição de casa até essa idade que já mencionei.

Por outro lado, se você permite que seus filhos usem a internet no tempo que “necessitem” não se surpreenda que passem toda a tarde de estudo à procura de desenhos e fotografias que “necessitam” para fazer um trabalho escolar; e depois dessas horas de busca, tenham centenas de fotos, mas o trabalho não estará feito.

Um erro muito comum quando se acede à informação que a internet nos fornece é acreditar que tudo o que ali aparece é verdadeiro. Na Internet há de tudo, o importante é saber pesquisar, e para isso é preciso critério. Uma criança ou um jovem ainda não têm o critério formado, por isso, se lhe é dada a permissão para acessar qualquer página da web, certamente encontrará o que não é certo, esteja manipulado, o seja falso.

A febre dos tablets nas escolas como um substituto para o livro físico

É um erro muito grave que muitas escolas estão cometendo: o fato de substituir os livros físicos pelos famosos “tablets”. Sob a “mentira” de que ali terão tudo ao seu alcance; que a partir daquele momento eles não terão que gastar dinheiro na compra de livros; que os conteúdos serão constantemente atualizados, e milhares de outras razões, o fato é que uma criança que está acostumada a usar tablets para ler e estudar, pegará “ódio” dos livros de papel. Por outro lado, uma vez que a leitura de livros é essencial para a formação dos jovens, se você der um tablet ao seu filho, esqueça que ele desenvolvará o hábito da leitura. Amanhã ele será um especialista em tablets, mas não terá lido praticamente nada e, como consequência, a sua formação humana e intelectual será totalmente inadequada.

O uso da televisão como meio de entretenimento e formação

Embora o número de horas que uma criança ou jovem passe na frente da TV tenha caído drasticamente como resultado do uso de computadores, celulares e tablets, é uma realidade que muitos pais usam a televisão como meio de distração das crianças, especialmente quando elas têm menos de dez anos. Uma vez que chegam da escola perguntam-lhes se fizeram a lição de casa. Eles respondem rapidamente que “a profa” ainda não lhes deu tarefa. Então a mãe liga a TV, sintoniza os canais de desenhos ou da Disney e ali ficam eles por três ou quatro horas, desperdiçando tempo, queimando neurônios e perdendo a vista. Controle-se o tempo e o conteúdo no uso da televisão.

Por outro lado, quando às crianças da catequese para a primeira comunhão eu explico o sexto e o nono mandamentos, como são inocentes (embora, por vezes, o inocente é o padre), digo-lhes que esses pecados são coisas feias que, por vezes, vê-se os maiores fazerem na televisão. Nesse momento as crianças riem, alguns ficam vermelhos e outros já fizeram seus primeiros experimentos movidos pela curiosidade. Assim, os pais também tomem cuidado com os conteúdos que as crianças podem acessar na TV. Hoje muitos pais mudam de canal quando está passando um filme em que John Wayne troca tiros com os índios, mas, em vez disso, não fazem nada quando passa um filme com conteúdo sexual mais ou menos explícito, apresenta situações de adultério e até mesmo homossexualidade.

Menção especial deve ser feita às novelas atuais. Eu nunca segui nem tenho visto nenhuma; mas em alguma ocasião, quando eu visito alguma casa para levar a comunhão a um doente, como sacerdote sinto-me constrangido ao falar enquanto desenrola-se a cena de um beijo apaixonado dos atores, enquanto a família, ali presente, vê isso como a coisa mais natural do mundo.

As novas tecnologias devem ficar fora dos quartos

O dormitório recebe este nome porque é o lugar onde se dorme e se descansa. Hoje, seja por conveniência ou por falta de espaço, o fato é que os quartos foram transformados em centros de telecomunicações: TV, DVD, laptop, tablet, dispositivos móveis, consoles de videogames. Tendo tudo isso no quarto, e mais ainda quando se é jovem, é como ter um quiosque com revistas pornográficas nas mãos sem que lhe custe um centavo.

Se o jovem precisa desses dispositivos, use-os em um lugar público, com as portas abertas e o volume audível; de tal modo que possa ser visto por qualquer outra pessoa que esteja ali ou passe em frente.

E se isso não for razão suficiente, conto-lhes brevemente o que aconteceu comigo no fim do verão passado.

No início de setembro, recebi em meu domicílio uma carta circular do chefe da localidade onde eu moro, na qual ele nos convocou para uma reunião para interromper a instalação de uma antena de telefonia móvel no centro da cidade. O motivo alegado era o perigo para a saúde de todos que as ondas destas antenas emitiam.

A verdade é que o chefe tinha mais razão do que um santo; mas se quisermos ser coerentes em nosso comportamento, já pararam para pensar no que podem fazer essas ondas no local onde dormimos, se no quarto existem todos esses aparatos?

Consoles de jogos

Uma das tecnologias que bem utilizadas podem ajudar na distração das crianças é a utilização prudente e controlada dos videogames.

É necessário fazer um controle tanto dos seus conteúdos como do tempo que as crianças dedicam a ales. Se um uso prudente pode ser benéfico, ao contrário, gastar a maior parte do fim de semana e as horas livres depois da escola jogando videogames pode criar dependência, distração de seus trabalhos escolares, fazer com que não consigam ter o hábito da leitura, e, ao mesmo tempo, deixá-los “viver” em um mundo virtual com o perigo de confundi-lo com o mundo real.

Conclusão

O bom uso da tecnologia é muito importante para a formação dos filhos. Esta é uma área em que a maioria dos pais nem teriam levantado o problema. Mas depois não se queixem, se passado o tempo comprovarem por si mesmos, a má influência que essas tecnologias tiveram sobre seus filhos se não foram devidamente controladas.

No próximo capítulo continuaremos a examinar outros fatores que também podem interferir seriamente na correta educação cristã de seus filhos: os amigos, o tempo livre …

Padre Lucas Prados

II -Educação cristã dos filhos. Como lidar com ela no mundo atual II – A educação cristã dos filhos: pais, escolas e Igreja III – A educação cristã dos filhos – As novas tecnologias IV – A Educação Cristã dos Filhos: Os doze anos mais importantes na vida de uma pessoa V – A educação cristã dos filhos — A idade difícil VI – A educação cristã dos filhos (VI): Quando os filhos alçam voo de casa

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Fonte: www.sensusfidei.com.br

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